terça-feira, 10 de abril de 2012

Esaú e Jacó - O valor do perdão


“[...] reconcilia-te primeiro com teu irmão e depois vem e apresenta a tua oferta” (Mt. 5:24).

Resumo da história  (Texto base gn 25:19-34; 27:1-46; 33)

Esaú e Jacó eram os filhos de Isaac e Rebeca. Seus pais oraram muito para que eles pudessem nascer. Rebeca, assim como Sara, era estéril. Mas, Isaac era temente a Deus e acreditava em seu poder de reverter aquela situação e não se cansou de orar e Deus o abençoou.
Já no ventre de Rebeca os gêmeos travavam uma grande luta. Certa vez, já incomodada com aquela situação, Rebeca perguntou o porque daquilo, ao que Deus lhe respondeu que era porque dentro dela havia duas nações. E assim, nascem os dois meninos. Esaú nasceu primeiro e Jacó veio em seguida segurando a canela de seu irmão.
Conforme o costume da época, a primogenitura ficava para o filho mais velho e assim, Esaú era o herdeiro. Os dois irmãos eram muito diferentes, tanto na aparência quanto nos interesses. Esaú gostava de caçar e nutria a afeição do seu pai. Já Jacó era mais caseiro e tinha o amor de sua mãe.
Certo dia, ao retornar de uma caça, Esaú estava exausto e faminto e Jacó havia preparado uma deliciosa sopa de lentilhas. Então Esaú, em tom de brincadeira disse que faria qualquer coisa por aquele prato de sopa. Jacó não vacilou e  o fez negociar a sua primogenitura. Nesse momento ele já demonstra o seu interesse nas bênçãos que seriam do seu irmão por direito.
Algum tempo  depois, quando o pai Jacó já estava velho e cego, anunciou que iria abençoar Esaú. Pediu que este lhe trouxesse uma caça e que preparasse uma bela refeição e depois o abençoaria. Ouvindo isso, Rebeca que compartilhava com Jacó o mesmo ideal de que as bênçãos fossem dadas a seu filho mais moço, antecipou-se e maquinou com Jacó um jeito de enganar seu esposo. Correu a preparar-lhe uma  saborosa refeição e instruiu Jacó a passar-se pelo irmão. E assim, aconteceu conforme haviam planejado.
Quando retornou e ficou sabendo o  que havia sucedido, Esaú quis matar o irmão. Temendo pela vida do filho, Rebeca o mandou a casa de seu irmão, Labão, que morava em Harã. Jacó seguiu o seu destino e, em meio a sua caminhada, veio-lhe o arrependimento, mas julgou que era tarde para retornar. Acreditava ser pouco provável que seu irmão o perdoasse naquele momento. Rasgou o coração para Deus e pediu-lhe que o ajudasse a achar um lugar para viver até que fosse o momento de retornar para sua casa.

Nessa mesma noite, dormindo ao relento, com a cabeça recostada em uma pedra, Jacó tem um sonho, onde havia uma escada que ligava o céu e a Terra. Nela subiam e desciam anjos e no meio vindo ao seu encontro estava o Senhor que lhe disse para que não temesse porque Ele o guardaria e lhe daria por herança toda aquela terra.
Jacó segue até o lugar onde sua mãe lhe enviara. Lá conhece sua prima Raquel, por quem se apaixona. Pede-lhe a mão em casamento e se compromete, já que não tinha dotes, a trabalhar por sete anos de graça para Labão. No dia do casamento, porém, descobre que fora enganado. Como esposa recebe Lia, a irmã mais velha de Raquel. Era costume, explicou-lhe Labão, casar a filha mais velha. Jacó não desiste e compromete-se  a trabalhar mais sete anos para se casar com sua amada.
Com Lia teve dez filhos. Raquel era estéril, e foi pela graça de Deus que, bem mais tarde teve um filho, José.  Posteriormente, já em idade bem avançada, tem outro menino, de nome Benjamim. Devido a complicações no parto, morreu, deixando viúvo Jacó.
Antes porém desse acontecimento, Jacó, quando então já havia se passado vinte anos que se encontrava em terras distantes, recebeu da parte de Deus, ordens para retornar a casa de seus pais. No meio do caminho, já próximo do seu destino, Jacó teve uma experiência sobrenatural com um anjo do Senhor, que, segundo consta na Palavra, travou uma luta intensa com ele por causa de uma benção. Ao final, fora abençoado e teve o seu nome modificado. Não mais se chamaria Jacó (enganador) e sim Israel (guerreiro de Deus).
O encontro entre os dois irmãos, superando todas as expectativas foi emocionante. Jacó temia que o irmão o matasse e preparou-se para essa possibilidade. Mas o irmão ao vê-lo derramou-se de saudades e o abraçou. Prevaleceu entre os dois o amor fraternal que é o sentimento esperado no seio de uma família. A partir desse momento tem início uma nova história na vida dos dois irmãos e os planos de Deus então, se cumprem. Dos doze filhos de Jacó, nasce as doze tribos de Israel.  Desse povo, Deus prepara o berço do nosso amado Salvador.

Reflexão sobre o Tema
Com Jacó aprendemos que, apesar de todos os nossos erros e enganos, Deus sempre está disposto a nos perdoar. Basta que reconheçamos isso e estejamos dispostos a nos concertar perante o Senhor. Se por um lado Jacó errou por agir da forma que agiu em relação ao irmão, por outro, Esaú pagou um preço caro, também, por negligenciar as bênçãos que lhe eram por direito. Deus viu em Jacó, apesar de seus enganos, o desejo de receber as bênçãos, ao passo que seu irmão a quis vender por um prato de lentilhas, demonstrando total falta de interesse pelas coisas de Deus.
Quantas vezes, amados, somos dotados da graça de Deus, temos uma vida abençoada e a negligenciamos, trocamos uma vida na presença de Deus, por tantas outras coisas que não tem a menor importância. Não é diferente a situação dessa que acabamos de ver. De repente, chega um irmão que estava lá no mundão, destituído dessa graça e, pelo seu esforço, pela sua entrega irrestrita a  Deus acaba sendo acolhido e se torna participante dessa mesma graça. Nessas ocasiões, julgamos que estamos sendo lesados, passamos a nutrir sentimentos de competição com esse irmão. Acreditando termos mais direito, muitas vezes entramos em franco combate contra a vida do irmão e aí entra a divisão, as contendas, as intrigas. Essas atitudes adoecem o corpo de Cristo o qual fazemos parte. E é por esse motivo que a obra do Senhor fica comprometida. Precisamos ter atitudes mais maduras e conscientes. Se fomos chamados, não importa qual a nossa posição, que possamos fazer o melhor. Sabendo que a grandeza consiste em somar e não em dividir. Se temos algo contra o nosso irmão, que tenhamos a humildade de pedirmos perdão, de nos reconciliarmos com ele. Amém?
Imagens
















 
Obrigado Senhor!


PLANO DE AULA
DATA: 10/03/2012
TEMA:  Esaú e Jacó – O Valor do Perdão

TEXTO BASE: Gênesis 25:19-34; 27:1-46;    33

VERSÍCULO PARA DECORAR: “[...] reconcilia-te primeiro com teu irmão e depois vem e apresenta a tua oferta”(Mt. 5:24).

OBJETIVOS:

Que as crianças aprendam: Que Deus tem promessas para cada um de nós e que essas  promessas se estendem à nossa descendência; Que a mentira só traz tristeza; Que devemos pedir perdão quando cometemos algum erro;  Que se alguém nos ofender, mesmo assim, devemos perdoar; Que sem perdão, é impossível agradar a Deus

APRESENTAÇÃO
Este trabalho de evangelização se destina a levar a Palavra de Deus às crianças de periferia  de diferentes credos, ou mesmo sem nenhum e que residem na localidade da Igreja que cede espaço   para a realização dos estudos que acontecem todos os sábados  pela manhã. O grupo não é numeroso e nem fixo.

Dessa forma, sempre há uma retomada do conteúdo antes de iniciar o tema proposto, para que todos possam acompanhar a história e compreendê-la. A roda de leitura é um momento acolhedor que permite uma maior proximidade do grupo.

Após esse primeiro momento, é apresentado um vídeo relacionado com o tema a fim de promover uma melhor compreensão. A música complementa e alegra o ambiente além de ensina-los sobre a importância do louvor.  Há, também um momento de expressão artística, onde por meio de desenhos e ilustrações, as crianças expressam o que aprenderam.

INTRODUÇÃO
Nas aulas anteriores, estudamos sobre a vida de um homem chamado Abraão e sua esposa Sara, que não podia ter filhos. Deus abençoou este casal com um filho quando já estavam em idade muito avançada, quando parecia já não ter mais jeito. Esse menino recebeu o nome de Isaac, que significa “riso”, porque seus pais riram mediante a notícia de sua chegada por  não crerem ser isto possível. Mas como vimos, a especialidade de Deus é esta, o impossível.

Assim, Isaac vem ao mundo, desafiando a lógica e evidenciando o poder de Deus.  Quando jovem Deus o requereu como sacrifício para testar a fé de Abraão que, mesmo sem entender, obedeceu e por isso foi ainda mais abençoado.

O tempo passou e, após a morte de Sara, quando Isaac já tinha seus quarenta anos, Abraão decidiu que já era hora dele se casar. Então, enviou um de seus escravos às terras de seus parentes, que sabia serem tementes a Deus,  para que lá encontrasse uma jovem para  ser sua esposa.

Isaac tinha já seus quarenta anos quando então se casou com Rebeca que mais tarde soube não podia ter filhos. Isaac orou muito e pediu a Deus um filho e assim como seus pais, ele também foi abençoado e tiveram gêmeos, cujos nomes eram Esaú e Jacó. A trama que envolve esses irmãos é a nossa temática dessa aula.

CONTAÇÃO DE HISTÓRIA  
  
A HISTÓRIA DE ESAÚ E JACÓ
Os gêmeos  Esaú e Jacó tinham personalidades diferentes. Esaú gostava do campo, era bom caçador e tinha a preferência de seu pai.  Seu irmão mais novo Jacó gostava de ficar em casa e isso o aproximou mais de sua mãe que o amava mais. Quando já eram adultos, tiveram um problema sério de relacionamento.

A PRIMOGENITURA POR UMA SOPA DE LENTILHA
Jacó, o mais novo, enganou seu irmão Esaú, para ficar com a primogenitura. Certo dia, quando Esaú retornava de uma caça, seu irmão estava fazendo uma sopa de lentilha, que certamente devia estar muito apetitosa, porque Esaú, por brincadeira, disse que daria tudo em troca de um prato daquela sopa.

Nesse momento, já premeditando seus interesses, Jacó lançou o desafio, daria a sopa em troca de sua primogenitura. E assim, tem início a trama dos dois irmãos que por muito pouco não termina em tragédia.


A GRANDE MENTIRA
Certo dia, aproveitando-se de uma situação, Rebeca viu a oportunidade de tirar de Esaú as bênçãos que sabia ele iria receber do pai e dá-la a Jacó. Isaac  era de idade avançada  e estava cego. Atendendo a um desejo do pai de comer um ensopado, Esaú saiu para caçar um animal.

Nesse meio tempo, Rebeca pegou um pedaço de outra carne e se antecipou em preparar o prato. Junto com seu filho mais novo Jacó, combinou a farsa. Jacó então fez passar-se pelo irmão e recebeu as bênçãos de seu pai.  Quando a trama foi descoberta, Esaú ficou possesso e desejou matar seu irmão que teve que fugir, auxiliado mais uma vez por sua mãe, para não ser morto.

O ARREPENDIMENTO DE JACÓ
Jacó saiu às pressas e sem destino certo. Pensava apenas em escapar da fúria de seu irmão. Passou por momentos difíceis de solidão e medo. Somente então, refletindo melhor sobre o ocorrido, percebeu o quanto havia errado. Arrependeu-se e pediu a Deus que o perdoasse, mas sabia que voltar, naquele momento seria praticamente impossível. Seu irmão não o entenderia. Pediu então a Deus que o conduzisse a um lugar seguro onde pudesse ficar por algum tempo até que as coisas se acalmassem.

UMA EXPERIÊNCIA REAL COM DEUS
Até aquele momento, Jacó conhecia Deus por intermédio de seus pais. Nunca tinha tido uma experiência real com Ele. Mas o medo provocado pela situação incerta em que se encontrava o levou a buscar esse Deus que ele sabia ser poderoso e misericordioso. Durante uma noite, quando estava com a cabeça recostada em uma pedra olhando as estrelas, adormeceu e teve um sonho.

Nesse sonho, Jacó via uma escada que ligava o céu e a terra e por ela os anjos do Senhor subiam e desciam. Nela ele também vê o próprio Senhor que vem ao seu encontro e lhe promete por herança toda aquelas terras onde repousava a cabeça e assim, a toda sua descendência desde que se mantivesse fiel a seus propósitos e mantivesse a aliança que firmara com seu pai Abraão.

JACÓ É ENGANADO PELO TIO
Deus conduziu  Jacó  para  um lugar próximo (Mesopotâmia), onde habitava alguns parentes. Lá permaneceu com seu tio Labão. Apaixonou-se por uma prima e pediu-a em casamento. Seu tio concordou e o fez trabalhar por sete anos como dote. Mas seu tio o enganou e no momento do casamento deu-lhe filha mais velha, Lia. 

Para ter Raquel, teria que trabalhar mais sete anos. E assim, o tempo foi passando. Jacó tinha agora uma grande família com duas esposas e doze filhos e muitos bens que havia ajuntado.  Esses filhos, mais tarde, formariam as doze tribos de Israel.

O RETORNO DE JACÓ – A LUTA COM O ANJO
Passaram-se vinte anos desde a saída de Jacó da casa de seu pai. Certo dia, o Senhor ordenou-lhe que retornasse. Embora receoso Jacó assim o fez. Quando já estava próximo do local, um homem lhe apareceu e - diz a Palavra - Jacó lutou com ele até o romper da aurora. Disse-lhe Jacó que não sairia dali sem ser abençoado.

DE JACÓ  A ISRAEL
Após uma desesperada luta que travou com o anjo até o romper do dia, Jacó foi abençoado. Após perguntar e seu nome, o anjo então disse, que pela sua coragem e determinação, não mais se chamaria Jacó (enganador)  e sim Israel (guerreiro de Deus). Abençoado, segue ao encontro de seu irmão, reconciliam-se com ele e pondo fim a um longo período de separação e conflito.

REFLEXÃO SOBRE O TEMA
Nessa linda história, aprendemos várias coisas as quais vamos refletir nesse momento. Primeiramente vamos analisar o descaso de Esaú com a sua primogenitura. Quantas vezes nós agimos semelhantemente, quando não damos a devida importância para as bênçãos recebidas gratuitamente do Senhor? Ou então, em alguns casos, enterramos os dons que nos são entregues para revertermos em trabalho na seara do Senhor por puro comodismo, falta de iniciativa ou mesmo falta de compromisso para com o autor da nossa Salvação.
O nome Jacó significa “o enganador”, e não sem motivo, porque por duas vezes, ele engana o seu irmão. Para conseguir realizar seus planos ele mente, dissimula, engana. É o pior de tudo é que a pessoa que Deus colocou por mãe, que teria obrigação de coibir seus maus instintos, era a que mais o incentivava. Mais tarde vimos Jacó ser enganado pelo seu tio, passando por momentos difíceis. Sua mãe participara da trama e pagou o preço da separação, pois ficou um longo tempo sem ver o seu filho tão amado. Esse é o resultado de quem acredita que “vale tudo” para se ter o que se quer.  Nós colhemos aquilo que semeamos. Quanto sofrimento seria poupado se tivéssemos um pouco mais de entendimento, se vivêssemos realmente os mandamentos do Senhor.
Muitas vezes, temos o privilégio de estarmos na casa do Senhor, de recebermos a  graça de nos alimentarmos de sua Palavra, seja em um lar cristão, seja na própria Igreja. O fato é que Jacó conhecia o Senhor, fora instruído nos seus mandamentos, mas não estava comprometido com Ele. Conhecia-O de ouvir falar, faltava-lhe uma experiência real, viva, com Deus. E foi somente a partir dessa experiência que veio o despertamento. A sua visão espiritual foi aberta e ele pode contemplar a “escada para o céu”, e nela, subindo e descendo, anjos e querubins, acompanhando o Senhor, que se dignou a vir ao encontro de um pecador arrependido.
Que momento lindo e glorioso, saber que o Senhor se compadece de nosso sofrimento, mesmo sabendo sermos tão pequenos e pecadores. Vimos que apesar de tantos enganos, o Senhor fez cumprir seus propósitos na vida de seus servos, porque nada e nem ninguém pode impedir que se cumpra  os planos do Senhor nas nossas vidas.
Outro ensinamento, talvez o mais importante,  diz respeito ao perdão. Jacó só recebeu as bênçãos de Deus, simbolizada na luta contra o anjo, representando ali, naquele momento, talvez a resistência em fazer a vontade do Senhor. Jacó certamente deixou falar mais alto o homem e sufocou a voz de Deus. Não queria ter que enfrentar a fúria do irmão. O passado o perseguia e ele sabia das conseqüências de seus atos. Mas chega a hora em que temos que enfrentar as nossas fraquezas, vencer as nossas limitações e nos reconciliarmos com o nosso passado para encontrarmos a paz.
Deus sabe de tudo o que se passa em nosso coração, sabe que somos pó, mas com as nossas lágrimas, ele transforma  em barro, e desse barro, o Senhor, pode fazer um lindo vaso.


                                    

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