sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Abimeleque: Ambição sem Limites


O Rei Espinheiro


“Deus julgará o justo e o ímpio;
 porque há um tempo para todo intento
e para toda obra” 
( Ec.3:17)


Reflexão sobre o Tema (Juízes 8 e 9)

Abimeleque, filho ilegítimo de Gideão,  nutria a rejeição imposta pela família de seu pai e de seus setenta irmãos. Foi criado longe de seu pai, mas acompanhava de longe a sua projeção no meio do povo que queria colocá-lo como rei de Israel. Abimeleque se tornou ambicioso e quando seu pai morreu requereu pela força ocupar o lugar que julgava ser seu por direito. Não se deteve diante dos impedimentos e conseguiu chegar onde queria. No entanto, para conseguir a sua vitória teve que eliminar todos os seus concorrentes. Nesse caso, os concorrentes eram seus irmãos, mas ele nem se importou. Utilizou de meios escusos para obter o que desejava.

Abimeleque foi fruto de uma relação proibida, não abençoada. Sofreu as consequências das atitudes erradas de seu pai. Foi rejeitado e em seu coração se desenvolveu a semente da inveja e da ambição desmedida. Tornou-se uma pessoa fria, mesquinha e má.  Por isso foi considerada, de acordo com a parábola narrada por Jotão, seu irmão mais moço - único sobrevivente da chacina  contra a vida de seus irmãos, como um espinheiro.

Dessa história se pode extrair grandes ensinamentos. Analisando sob a ótica psicológica, a parábola de Jotão nos possibilita um entendimento de que, assim como o fruto é resultado das peculiaridades da árvore da qual procede e que não há como ser diferente, assim também, no  tocante a condição humana, cada um produz conforme a motivação que há em seu coração e estas motivações são decorrentes das experiências humanas que vão ao longo de uma existência inteira dando um formato a cada indivíduo.

Quando Jotão se referiu a seu irmão Abimeleque como espinheiro, estava comparando-o a uma árvore que não produz frutos bons, mas que ao contrário, oferecia perigo aos que se achegassem a ele.  E isso ficou claro pelo que fizera a seus irmãos. Com isso ele tentava alertar o povo quanto ao erro que haviam cometido colocando-o como rei, na expectativa de que cumprisse com as promessas de campanha política que fizera para conseguir o apoio necessário para chegar onde pretendia e que de fato conseguiu.  Três anos de governo foram o suficiente para o povo percebesse o erro que haviam cometido. Que atitude se poderia esperar de alguém sem o menor escrúpulo, disposto a qualquer coisa para obter vantagens? Nenhum compromisso, certamente tinha senão consigo mesmo. Essa é a motivação, infelizmente, de muitos que estão ávidos pelo poder. Sejamos prudentes, amém queridos!

IMAGENS ESPECIAIS











 

Obrigado Senhor.






PLANO DE AULA

Tema:  Abimeleque: Ambição sem Limites
Texto-Base: Juízes 8 e 9

Versículo para Memorizar : “Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo intento e para toda obra” ( Ec.3:17)

Objetivos

Conhecer a história de Abimeleque e refletir sobre a conduta de pessoas que ocupam cargos de liderança e que deveriam servir de exemplo, no entanto, em alguns casos, motivados pelo orgulho, pela ambição,  agem sem nenhum escrúpulos, sem medir as consequências de seus atos, atropelando quem estiver pela frente para chegar ao poder.  Ao escolher um representante, há que se conhecer, primeiramente, as suas obras, o seu trabalho, aquilo que ele faz de concreto, e não apenas o que diz que vai fazer, porque muitos mentem. E quem mente, não tem compromisso com ninguém senão consigo mesmo. 
  
Introdução

Gideão foi comissionado por Deus a exercer o mandato de juiz em um período em que os Israelitas estavam sendo subjugados pelos midianitas (Jz. 6.11-40).  Exerceu o seu governo por um período de quarenta anos e nesse período teve paz. Foi um homem prudente e corajoso (Hb. 11:32) e por essa razão o povo quis colocá-lo na posição de soberano, mas ele recusou (Jz. 8:22-23). Ao final de sua trajetória como líder teve algumas atitudes contraditórias, porque embora tenha recusado as honrarias, a vaidade entrou em seu coração e começou a agir como se fosse um rei. Mandou fazer para si um manto (éfode- Ex.28:6) com mais de vinte quilos de ouro que despertou no povo a idolatria.

Esse tipo de traje era reservado às funções sacerdotais e ele não tinha a permissão de Deus para usá-las (Jz. 8:24-27).  Além disso, apesar de ter muitas esposas e com elas ter tido setenta filhos (Jz. 8:30),  envolveu-se com uma concubina de Siquém com a qual teve um outro filho de nome Abimeleque (Jz. 8:31). Com essa atitude, ele abriu precedentes para que a prostituição voltasse a fazer parte da vida de seu povo, e não apenas a prostituição física como também a prostituição espiritual (Jz. 8:27) por meio da idolatria. Além, disso, não se deu conta de que seu filho ilegítimo nutria em seu coração uma ambição desmedida que trouxe consequências  terríveis para a sua família.  Após sua morte, tem início uma briga pelo poder. Essa é a história que vamos ver nesse estudo.

Procedimentos

Durante a narrativa utilizar como recurso elementos visuais  que possibilite o  imaginário da criança. Nesse caso, o importante é dar ao movimento a idéia de uma ação, como uma encenação. A entonação na fala é muito importante para liberar a imaginação.

Contação de História

A Ambição de Abimeleque

Depois da morte de Gideão o povo sem liderança, começou a se prostituir e praticar idolatria (Jz. 8:33). Dos setenta filhos (Jz.8:30), nenhum, exceto Abimeleque, o filho ilegítimo (Jz.8:31), requereu o poder. Ele fora criado longe da família de seu pai e por isso, se sentia excluído, mas julgava-se no direito de lutar pela posição que fora de seu pai. Sabia que não teria apoio para colocar em prática o seu plano de ascensão ao poder senão em Siquém, onde morava a família de sua mãe. Assim, procura fazer uma aliança com esse povo.
  
O Discurso em Siquém - Lançamento da Campanha 

Em seu dicurso, Abimeleque ressaltou ao povo de Siquém, que melhor seria ele no poder do que os setenta filhos de seu pai. Fez apelo aos laços de sangue que os unia e lembrou que enquanto Gideão estivera no poder, nenhuma expressão tiveram, mas que agora, com ele na liderança, isso poderia ser mudado (Jz. 9:2). Essa eloqüente retórica os sensibilizou e decidiram apoiá-lo (Jz.9:3).

O Financiamento da Campanha

Abimeleque precisava de recursos e então conseguiu o financiamento junto ao povo, que lhe deu setenta peças de pratas  (Jz.9: 8). Esses valores eram provenientes de consagrações aos deuses pagãos, mas isso não importava a Abimeleque, homem sem o menor escrúpulo, disposto a fazer qualquer coisa pelo poder.

A Eliminação dos Adversários

Com os recursos provenientes das doações, Abimeleque contratou homens inescrupulosos (Jz. 9:4) que participaram de uma chacina que eliminou de uma só vez, seus sessenta e nove irmãos (Jz.9:5). Ou seja, eliminou a concorrência. Porém, não percebeu que seu irmão Jotão havia escapado e fugido. Após esse lamentável episódio, o povo de Siquém o elegeu rei (Jz 9:6).   

A Parábola da Árvore

Jotão subiu ao Monte Gerizim, lugar onde foram proclamadas bênçãos sobre Israel, e lá de cima, amaldiçoou Siquém e Abimeleque. Clamou ao povo que lhe desse ouvido a respeito do que iria dizer. Usou uma parábola que dizia o seguinte. Certa vez, as árvores resolveram escolher um rei. Reuniram-se e para ungir a escolhida.   

Perguntaram a oliveira se ela queria ser a escolhida, porém, ela estava muito ocupada produzindo o azeite tão usado por Deus e pelos homens. Foram então perguntar à figueira, mas esta também não quis porque estava ocupada produzindo seus frutos.  Então foram até a videira,   que também não quis porque estava muito ocupada na produção do vinho. Finalmente, todas as árvores se voltaram para o espinheiro e perguntaram se ele queria ser o rei. Ele disse que, se fosse feito rei, as convidaria para refugiarem-se debaixo de sua sombra, porém, se assim não o fizessem, lançaria fogo sobre todos os cedros do Líbano.

A  Mensagem Implícita

A mensagem que Jotão queria transmitir ao povo era que a árvore se conhece pelo fruto. Uma árvore boa produz frutos bons, porém, o que se espera de uma árvore como o espinheiro? Certamente cedo ou tarde os ferimentos causados por seus espinhos seriam notórios. Com esse recurso, queria levar o povo a refletir sobre a pessoa de Abimeleque. Se ele fora capaz de matar seus irmãos de forma tão hedionda, o que não faria com eles quando não fossem mais úteis? E quanto aos frutos de seu meio-irmão, alertava, não seriam semelhantes aos espinhos?  Lembrou-lhes de tudo o que fizera Gideão ao povo e o quanto ingratos estavam sendo aliando-se a um homem sem escrúpulos, levando apenas em conta os laços de parentesco. Lembrou-lhes de que uma aliança dessa natureza certamente traria resultados desastrosos para ambas as partes. Dito isto, fugiu para Beer, temendo as investidas de Abimeleque (Jz. 9:7-21).

A Conspiração de Gaal

Passados três anos, Deus permitiu que pairasse sobre o povo o espírito  de divisão. Logo, começaram a insurgir levantes contra o governo de Abimeleque. Gaal,  conquistou a simpatia do povo de Siquém, e começou lançar uma campanha em seu favor a fim de substituir Abimeleque no poder. A notícia dessa insurreição  chegou até  Abimeleque, deixando-o enfurecido. Pegou seus homens e partiu em direção a cidade de Siquém, cercando-a.  O povo temeroso refugiou-se  nas fortificações do templo pagão e então, Abimeleque subiu até os montes, trouxe galhos secos e  colocou-os ao redor da fortificação e ateou fogo. Todos morreram (Jz. 9:22-33).

Morte Desonrosa

Saindo de Siquém, Abimeleque e seus homens cercaram um vilarejo próximo, Tebes, e procederam de forma semelhante, pois também, lá havia rebeldes. O povo também, se refugiou nas fortificações do templo. Tal como fizera anteriormente, Abimeleque se preparava para atear fogo quando uma mulher de uma das torres lançou sobre ele uma mó (pedra) e ele teve seu crânio quebrado. Porém, embora ferido, não perdeu a consciência e, envergonhado da situação, pediu a um de seus soldados para atravessar-lhe uma espada no peito, para que se não dissesse que fora morto pelas mãos de uma mulher. Assim, se cumpre a justiça de Deus pela  morte dos filhos de Gideão (Jz.9:50-56). Os culpados foram consumidos pela própria violência que havia em seus corações.

Conclusão

Abimeleque é a personificação de políticos descompromissados com a verdade, cuja plataforma política é desprovida de compromisso com o eleitor. O eleitor nesse caso é apenas um trampolim para ele chegar ao poder. A sua política é levar vantagem sempre, não importando  os meios que tenha que usar. Usam uma retórica convincente que o coloca em lugar de evidência. O povo simples é levado a escolher seu candidato motivado pelos estereótipos criados pela mídia. Muitas das vezes, sequer sabem, na verdade, em quem estão votando. O resultado é catastrófico. É preciso haver maior conscientização política e maior comprometimento da imprensa com a verdade, para que esta triste estatística mude em nosso país.

Sonia Oliveira

7 comentários:

  1. Muito bom o estudo, Deus abençoe a todos.

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    1. Obrigado Marlon, foi um prazer ter sua visita em nosso blog de estudo, volte sempre. Amém.

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    2. Sugerimos aos irmãos blogueiros que leiam, também, as nossas últimas publicações: Saul - Um Homem Atormentado e Epístolas aos Filipenses. Fiquem na Paz!

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  2. Lurdes de Menezes14 de junho de 2015 13:14

    Muito bom este estudo,para todas as idades,muito esclarecedor.Deus possa continuar vos usando.

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    1. Obrigada irmã Lurdes pela sua visita. Somos gratos a Deus por nos permitir deixar aqui uma pequena contribuição para meditação dos irmãos. Seja bem vinda sempre e muito obrigada por suas palavras de incentivo. Deus a abençoe.

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  3. Amei muito esclarecedor.
    Deus abençoe essa obra mais e mais
    shalom

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    1. Shalon Adonai! Obrigada pela visita ao blog, continue nos prestigiando. Há sempre novas publicações à sua disposição, para a glória de Deus

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