terça-feira, 23 de julho de 2013

SAUL - Um Homem Atormentado



“Obedecer é Melhor  do que o sacrificar” (1Sm.15:22b)
Reflexão sobre o Tema
O episódio de Saul relata a ascensão e a queda de um homem que, embora escolhido por Deus, preferiu seguir o caminho da desobediência e com isso, determinou a própria ruína. 
A desobediência de Saul ficou caracterizada, principalmente quando ele ofereceu sacrifício ao Senhor, assumindo a posição sacerdotal que não lhe pertencia (1Sm.13:8-14), por desobedecer a ordem expressa de exterminar os amalequitas, poupando a vida do rei Agague (1Sm.15:3;7-8), por consultar uma feiticeira (1Sm.28:11-20).
Samuel recusa-se a continuar ao lado de Saul, porque fora ele desobediente ao Senhor e comunica-lhe o desagrado de Deus a seu respeito (1Sm.15:11;26), dizendo-lhe que o Senhor iria colocar outro rei em seu lugar, alguém, segundo o seu próprio coração (1Sm.13:14b). 
Saul teve todas as oportunidades que um homem pode desejar alcançar na vida. Obteve sucesso, riquezas e colecionou muitas vitórias. Mas, enganou-se crendo que o seu sucesso era procedente de sua própria capacidade. A sua queda teve início justamente quando o orgulho e a vaidade entraram em seu coração  corrompendo-o. 
Não há nesse mundo nenhuma autoridade constituída que não esteja subordinada ao Senhor, soberano e eterno criador. Ele está no controle de todas as coisas e qualquer motivação humana que esteja em desacordo com os seus designos esta fadada ao fracasso, porque nada e nem ninguém podem frustrar os seus planos, haja vista o caso dos amalequitas. 
Deus pode colocar quem ele quer onde ele quiser, no entanto, a permanência ou não no posto, depende do desempenho de cada um. Saul foi substituído por Davi porque Davi tinha um coração inclinado à obediência e porque era um adorador.

IMAGENS DAS AULAS


  
PLANO DE AULA

Tema: Saul -  Um Homem Atormentado 
Texto Base: 1Samuel 10.1 
Versículo para Memorizar: “Obedecer é Melhor do o que sacrificar” (1Sm.15:22b)

Introdução 
O povo de Israel pediu um rei e Deus levantou Saul. A sua escolha foi recebida com festa pelo povo (1Samuel 10:20-24). Ele foi devidamente ungido pelo sacerdote Samuel e começou muito bem o seu governo, mas acabou muito mal, isso porque ele desobedeceu a Deus. Este estudo  relata, justamente, a trajetória desse homem que embora escolhido por Deus para uma grande missão, como homem, incorre em erros gravíssimos diante do Senhor, erros estes que o leva à ruína espiritual e a perda de seu reinado. Vamos abordar aqui nesse estudo os principais erros de Saul. 

Objetivos 
Levar os pequeninos a compreenderem que Deus não escolhe o homem porque este tenha qualidades especiais e sim para que, pela obediência possa executar os seus planos que são perfeitos. Enfatizar que sem fé e sem obediência é impossível agradar a Deus.

Procedimento (Contação de História)
Período Teocrático em Israel 
Antes da instauração da monarquia como sistema de governo, não havia uma nação, propriamente dita,  em Israel. Havia sim, diversas tribos unidas por laços étnicos e culturais que se aliavam para as batalhas entre si  de acordo com seus próprios interesses. Depois de Josué, não houve outro líder que se colocasse à frente do povo. Devido a falta de liderança, o povo agia cada um por sua própria conta (Jz.1). Aos poucos, foram se esquecendo dos ensinamentos de  Deus e se contaminaram por crenças pagãs, tornando-se idólatra. Foi um período de grande apostasia (Ver aqui estudo sobre esse assunto). 
No entanto, quando subjugados pelos inimigos, lembravam-se do Deus de seus pais e clamavam pelo socorro divino (Jz.2:18). Deus, na sua infinita misericórdia não os desamparava, antes porém, suscitava dentre eles, líderes dotados do poder do Espírito Santo  que atuavam como juízes, os quais eram ao mesmo tempo legisladores, líderes espirituais e chefes militares. Samuel foi o último dos juízes, sendo também, profeta e sacerdote. 

Os Filisteus - Opressores de Israel 
Os filisteus eram, no período dos juízes, os maiores opressores de Israel. Era um povo composto por cinco cidades, Gaza, Asdode, Ecrom, Gate e Ascalom (1Sm 6.17). Essas cidades localizavam-se à leste da região de Judá, e possuíam uma forma independente de se governarem, mas eram extremamente articuladas quando sob ameaça de guerra e todas possuíam um “senhor” que supervisionava o cultivo das terras anexadas. Possuíam uma concorrência comercial com os fenícios. 
Os filisteus não eram numerosos, porém possuíam uma estrutura militar muito organizada e poderosa. Eles governavam sobre uma população predominantemente cananita e com isso eles formavam uma elite de guerreiros possuidores de uma longa tradição militar. Os filisteus também possuíam o domínio pleno do ferro forjado. 
Quando os filisteus dominaram Israel, estes foram proibidos de fabricar qualquer tipo de arma e de material que utilizasse o ferro, para confecção de utensílios agrícolas, era necessário descer a região dos filisteus e solicitar que os seus ferreiros as confeccionassem (1Sm.13:19-22). 

O Povo Pede Um Rei 
Samuel foi um homem talhado para uma grande missão, promover o avivamento em Israel (Ver aqui estudo sobre Samuel). Por meio dele, o povo voltou-se novamente para Deus e desejou conhecer as Escrituras. Samuel, com o propósito de disseminar o conhecimento da Palavra de Deus, criou em pontos estratégicos algumas escolas de profetas. Julgava com sabedoria as causas do povo e sob a sua liderança, houve paz em Israel. 
Quando já estava em idade avançada, colocou seus filhos Joel e Abias para ajudá-lo a julgar as causas. Porém, a conduta moral e espiritual deles em nada se assemelhava ao do pai. Os anciões israelitas, demonstrando descontentamento, aproveitando-se desse fato foram ao encontro de Samuel e pediram que lhes desse um rei (1Sm.8:1-9). Sob a constante pressão sofrida pelos ataques filisteus, chegaram a crer que só poderiam ser vitoriosos sob a liderança humana de um chefe militar forte e guerreiro, abandonando, com essa atitude a direção de Deus por intermédio do ministério profético de Samuel.
Samuel muito se entristeceu com a conduta do seu povo e tentou argumentar quanto ao equívoco de tal escolha e os males que poderiam advir de um governo meramente humano. No entanto, seus argumentos de nada adiantaram. Samuel, mesmo contrariado foi consultar o Senhor sobre o que fazer a respeito. Deus ouvindo-o e conhecendo as verdadeiras intenções que movia o coração de seu povo, disse para Samuel que lhes concedesse tal pedido. 

Saul é Escolhido Por Deus Para Ser Rei de Israel 
Deus não só concedeu a petição do povo como também, lhes deu exatamente o tipo que correspondia às suas expectativas, ou seja, o estereótipo de homem perfeito para assumir a função desejada. Saul foi o escolhido. Ele era um homem que até então, vivia no anonimato. Pertencia à tribo de Benjamim, uma das menores tribos israelitas. Seu pai se chamava Quis, filho de Abiel (1Sm.9:1). 
Saul nasceu em Gibeá, uma cidadezinha ao norte de Jerusalém. Ele era casado com uma única esposa que se chamava Ainoã, com quem tinha cinco filhos, três meninos e duas meninas (1Sm.14:49-50). Desses filhos, os que se destacaram mais foram Jônatas, pela sua atuação militar e mais tarde, como amigo e aliado de Davi, e sua filha Mical, que casou com Davi. Os três filhos morreram com ele em uma batalha (1Sm.31:2).
Segundo o relato bíblico no que diz respeito a sua aparência, ele era tão belo que entre os filhos de Israel não havia outro igual a ele. Desde os ombros para cima sobressaia a todo o povo (1 Sm.9:2). Saul entra em cena no momento em que lhe fora atribuída, pelo seu pai, a missão de resgatar algumas jumentas que haviam se extraviado. Mal sabia ele a respeito dos planos de Deus a seu respeito e que seria ele, rei de  Israel.
Samuel já havia sido instruído pelo Senhor a respeito de Saul que foi conduzido à sua presença em Zufe, ocasião em que lhe reservou uma recepção especial oferecendo-lhe um banquete e colocando-o em lugar de destaque à mesa junto aos demais. Recebeu orientações para ungi-lo e assim o fez em secreto (1Sm.10:1), sendo posteriormente esse fato confirmado publicamente, em cerimônia pública em Mispa (1 Sm.10:17-25).
Saul era um homem simples e muito tímido, tanto que, no momento em que a sua aparição pública foi solicitada, teve receio e se escondeu (1 Sm.10:22). Esse gesto de humildade provocou o desprezo de um pequeno grupo contrário a sua escolha como rei (1Sm.10:26-27). Porém, com o passar dos tempos, demonstrou possuir um temperamento muito instável. Não tardou para  que essa característica começasse a se manifestar. Passou a agir com impulsividade e fora da direção de Deus, fato que o levou à ruína.

Consolidação da Liderança de Saul 
O episódio em Jabes de Gileade, concede credibilidade a Saul que se fortalece diante do povo e consolida a sua liderança sobre Israel, conforme a vontade do Senhor. A cidade de Jabes, fora sitiada pelos amonitas. Vendo-se ameaçados, os moradores daquele lugar tentaram um acordo. Porém, Naás, disse-lhes que somente faria acordo depois de arrancar-lhes os olhos para que isso servisse de humilhação aos israelitas. Assustados, o povo pediu  trégua de uma semana até que fosse enviada mensagem ao restante da nação e lhes viesse socorro. Caso não viesse ajuda nenhuma, se renderiam. 
A notícia chegou a Gibeá, onde morava Saul. Os habitantes daquele lugar entraram em desespero. Mediante o relato do mensageiro, Saul teve uma reação surpreendente, tomado pelo Espírito do Senhor, abateu uma junta de bois e os enviou por toda a terra, ameaçando fazer o mesmo aos bois de qualquer um que se recusasse a defender seus irmãos. O temor tomou conta do povo que, rapidamente, se aliou a Saul, formando um exército de 330 mil homens tanto de Judá quanto de Israel. Sob a liderança de Saul que demonstrou ser excelente estrategista militar, o seu exército saiu vitorioso (1Sm.11:6-7).

Despedida de Samuel Enquanto Juiz de Israel 
Ao final da batalha, Samuel convidou a todos para retornarem com ele à Gilgal onde confirmaria   Saul como rei de Israel. Na ocasião, o sacerdote anunciou a sua despedida enquanto juiz do povo, delegando essa tarefa a Saul, agora rei, dizendo que continuaria, enquanto sacerdote, intercedendo em favor de seu povo. No seu discurso de despedida, aproveitou para exortar o povo a manter-se fiel a Deus. Lembrou-lhes que a vitória que obtiveram veio, não pela ação humana, mas pela vontade do Senhor (1Sm.12:14-15) e assim seria enquanto permanecessem na obediência. 

O Primeiro Grande Erro de Saul – O Holocausto
Saul estava no início de seu reinado quando se viu ameaçado pelo ataque dos filisteus. Tomou para si três mil homens a fim de formar o seu exército, os quais dividiu em duas tropas. Dois mil ficaram com ele em Micmás e nas montanhas de Betel e mil ficaram sob o comando de Jônatas, seu filho, em Gibeá. Na ocasião, Jônatas, sem consultar o seu pai, feriu a guarnição dos filisteus despertando a fúria dos mesmos contra Israel (1.Sm.13.3).
A resposta a esse ataque não tardou. Os filisteus organizaram o seu exército e avançaram em direção ao local onde se encontrava Saul. E os filisteus se ajuntaram para pelejar contra Israel, munidos de trinta mil carros, seis mil cavaleiros e um número tão grande de soldados que comparava-se a quantidade de areia na praia.
O povo de Israel atravessou o rio Jordão e avançou rapidamente em direção a Gade e Gileade. Sabendo estar Saul em Gilgal, vieram até ele apavorados relatar os acontecimentos (1Sm.13:4-7). Saul havia recebido orientações para permanecer naquele local até o retorno de Samuel, que ficaria ausente por sete dias e somente então faria o sacrifício pacífico para que Deus se manifestasse em relação aos acontecimentos (1Sm.10:8).
Diante do ocorrido,  Saul temendo que Samuel não chegasse a tempo, decidiu ele mesmo realizar o sacrifício. Segundo Lei, os únicos que poderiam oferecer sacrifícios eram os da tribo de Levi, que possuía linhagem sacerdotal. Portanto, Saul estava assumindo uma posição que não lhe cabia, usurpando a posição que era de Samuel (1Sm.13:8-14).
Samuel retornou a tempo de ver o que estava acontecendo e repreendeu veementemente a Saul o qual procurou justificar a sua atitude, dizendo que a situação em si era tão desesperadora que ele não teve outra escolha senão tomar a frente da situação.
O profeta comunicou-lhe então a indignação do Senhor dizendo que o seu reinado teria sido confirmado para sempre se não fosse pela sua atitude que denotava total falta de confiança naquEle que havia lhe confiado a função de líder de seu povo. Concluiu ainda afirmando que, por conta dessa desobediência o Senhor levantaria outro homem, que ao contrário dele, seria segundo o seu coração e este o substituíria como rei de Israel.

O Caso do Amalequita 
Saul firmou seus direitos ganhando a confiança do povo durante as campanhas militares vitoriosas contra os inimigos de Israel que transcorreram posteriormente (1Sm.14:47-52). Porém, entrou em decadência ao cometer alguns atos de desobediência a Deus, conforme já descrito. O segundo grande erro de Saul se deu na batalha contra Amaleque. Vamos retroceder na história Bíblica a fim de compreendermos melhor esse episódio. Amém, queridos!

Origem do Povo Amalequita 
A princípio parece estranho que Deus tenha ordenado o extermínio desse povo. Porém, ao analisarmos as Escrituras Sagradas, fica mais fácil de compreender a situação. Amaleque era neto de Esaú (Gn.36:12,16; 1Cr.1:36). No passado, seus antecendentes foram amaldiçoados,  por tentarem impedir os planos de Deus, praticando o mal contra Israel (Êx.17:7-16, Dt.25:17-19). 
Eles viviam em bandos e costumavam atacar e destruir outros povos. Saqueavam as plantações  levavam tudo o que podiam com eles, além de escravisarem os habitantes desses lugares. A perseguição ao povo de Deus tornou-se uma constante.  A única alternativa para restaurar a paz seria eliminá-los, juntamente com seus ídolos – eram um povo idólatra e de costume pagão.

A Missão Confiada a Saul 
Coube a Saul essa tarefa, muitas gerações depois do que houve no deserto (Êx.17:16). Disse o Senhor à Samuel  que incumbisse Saul de destruir totalmente a Amaleque, não poupando nada e nem ninguém (1Sm.15:2-3). Em obediência, “Saul convocou o povo, e em Telaim, contou duzentos mil homens de pé e dez mil homens de Judá” (v.4). Seguiu com seu exército até a cidade de Amaleque e armou uma emboscada no vale para impedir que houvesse fuga. Em seguida, recomedou Saul aos queneus, povo nômade midianitas, amigo de Israel, que saíssem do meio dos amalequitas, para não serem destruídos, juntamente com eles. Saul justificou sua atitude lembrando que os quenitas eram descendentes de Jetro, o sogro de Moisés, e tinham usado de misericórdia para com os israelitas quando saíram do Egito (Jz.1:16; 4:11-17). Esperou a saída dos mesmos e, somente então, investiu com seu exército contra os amalequitas, destruindo-os desde Havilá, até Sur. Moisés havia registrado o fato de que em Havilá havia ouro de qualidade e pedras preciosas (Gn.2:12). Quanto a Sur, o que se sabe é que se tratava de uma área extensa e semi-desética, onde  Ismael fora morar. Foi nesse local, exatamente, onde o anjo do Senhor havia se encontrado com sua mãe (Gn.16:7;25:16-18).

Segundo Grande Erro de Saul – A Desobediência No Caso Amalequita 
Contrariando as recomendações expressa de Deus para destruir tudo, em cumprimento do seu julgamento em relação à perversidade desse povo, Saul resolve agir por sua própria vontade e poupa a vida de Agague, rei dos amalequitas. Também, toma para si os melhores animais do rebanho, que segundo ele, seriam para sacrificar ao Senhor (1Sm.15:10) que lhe pareciam agradáveis aos olhos, deixando para trás somente o que não  estava dentro de seus critérios de qualidade. Nessa questão, comete erro gravissimo, em nada diferindo da conduta de seus adversários.

Samuel Reprova a Atitude de Saul 
Deus comunica a  Samuel o seu desagrado em relação à conduta de Saul, demonstrando profunda tristeza pelo que ele fizera (1Sm.15:11). Ao ver-se  descoberto, Saul atribuiu a culpa ao povo que, segundo ele, estavam levando os despojos a Gilgal para ofertar ao Senhor. Essa situação revelou um desvio irreversível no caráter do rei. Samuel reprova-o dizendo que sem obediência, de nada adianta sacrifício. Disse-lhe, o profeta do Senhor: “obedecer é melhor do que sacrificar” (1Sm.15:22b). 
Embora Saul tenha demonstrado arrependimento, Samuel estava tão indignado com a situação que se recusou a seguir viagem junto a ele (v.26). Percebendo a gravidade do fato, o rei  tentou impedí-lo de se afastar, segurando-lhe pela orla da capa que acabou rasgando.
Virando-se para ele, disse Samuel: “O Senhor tem rasgado hoje de ti o reino de Israel, e o tem dado ao teu próximo, melhor do que tu” (1Sm.15:28). Em seguida acrescentou: “Aquele que é a força de Israel, não mente e nem se arrepende; porquanto não é filho do homem para que se arrependa” (1Sm.15:29).

Samuel Executa a Agague 
Pensando apenas na possibilidade de ser  envergonhado diante dos anciões, Saul insistiu ainda com Samuel para que não o abandonasse e voltasse com ele para que pudesse adorar ao Senhor.
Samuel reconsiderando sua atitude, voltou e seguiu com Saul, no entanto, mandou chamar Agague, rei dos amalequitas (v.32) e, ele próprio o executou.
Nesse caso, a atitude agressiva de Samuel era absolutamente necessária. Os amalequitas representavam uma grande ameaça para o povo de Deus. Eiminá-lo, portanto, era uma atitude absolutamente necessária. Esse episódio  nos ensina que, em relação ao pecado, devemos agir da mesma forma, extirpando-os por completo para impedir a nossa morte espiritual.

O Terceiro Grande Erro de Saul – O Caso da Adivinha 
Saul crendo-se poderoso, trilhou o caminho da autosuficiência e com isso, o Espirito do Senhor o deixou. Em uma das muitas batalhas contra os filisteus, vendo-se em desvantagem, Saul se desesperou (1Sm.28:5). Já não tinha mais a Samuel para consultar pois este já havia morrido (1Sm. 25:1) e Deus não lhe respondia às orações (1Sm.28:6), decidiu então consultar uma feiticeira (1Sm.28:7). Saul tomou uma decisão que bem sabia, contrariava os mandamentos de Deus (Dt.18:10-12).
Talvez até por conta disso ele se dirigiu disfarçado a En-Dor (1Sm.28:8), ao encontro de uma feiticeira que sabia, por intermédio de seus funcionários, que morava ali. A mulher estando diante dele foi logo justificando o medo de retalhações (1Sm.28:9-10), considerando o fato de que o rei havia iniciado uma perseguição contra os adivinhos e encantadores. Saul, sem nenhum escrúpulos jurou pelo Senhor que nada iria lhe acontecer (v.10). E assim, inicia uma longa e tenebrosa conversa onde supostamente, a feiticeira permeia uma comunicação entre Samuel e Saul. 
Claramente, nessa situação, Satanás se aproveita das péssimas condições espirituais de Saul e o seduz com muitas palavras que vão de encontro ao que ele desejava, afinal, ele é o pai da mentira (Jo.8:44). Diz o adágio popular que ‘quem procura encontra’ e Saul sem medir as consequências de seus atos perdeu a sua alma.

O Trágico Fim de Saul 
A decadência espiritual de Saul determinou o seu fracasso e pôs fim ao seu reinado. Depois de ter cometido tantos erros, teve um fim trágico. Morreu em um campo de batalha, onde, temendo ser capturado pelos inimigos, cometeu suicídio jogando-se sobre a sua própria espada (1Sm.31:4b). Seus filhos também foram mortos na mesma batalha. A Bíblia relata que a principal  causa da morte de Saul se deu por três motivos, primeiro, devido às suas transgressões contra o Senhor; segundo, por não ter guardado os seus mandamentos; terceiro, por ter consultado adivinhadora (1Cr. 10:13-14). E assim termina mais um episódio da triste realidade de quem decide caminhar por si só, em desobediência ao Senhor.

Conclusão
Nesse estudo vimos a ascensão e queda de Saul, o primeiro rei de Israel. No início de seu governo, obteve grandes vitórias porque estava cheio do Espírito do Senhor. Já no final, a sua decadência espiritual era notória. O poder havia corrompido a alma de Saul, ele já não buscava  mais fazer a vontade do Senhor e passou a agir por conta própria. No decorrer do seu governo,  comete erros gravíssimos que comprometem não somente o seu reinado, como também, a sua vida espiritual e familiar. Assim também ocorre na vida de quem decide ser o seu próprio deus.

Sonia Oliveira


 Veja aqui alguns dos Estudos disponíveis no Arquivo do blog:
  1. Samuel - Resposta ao chamado de Deus
  2. Juizes - Período Teocrático 
  3. Sansão - Exemplo de Imaturidade 
  4. Gideão - Um Homem Revestido de Poder 
  5. Abimeleque - Ambição Sem Limites 
  6. José do Egito 
  7. Josué e Calebe - Enfrentando o Gigante do Medo 
  8. Josué - A Derrota de Ai 
  9. Palavra de Deus - Uma Mensagem Transformadora 
  10. Evangelizar é Preciso! 
  11. A Vontade Soberana de Deus 
  12. O Espírito Santo a Terceira Pessoa da Trindade 
  13. Páscoa Cristã 
  14. Dons Espirituais 
  15. Missões com Excelência - A boa semente 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Samuel: A Resposta ao Chamado de Deus

"Ebenézer: Até aqui nos ajudou o Senhor" (I Sm.7:12)

Reflexão do Tema
Samuel é um grande exemplo do que se pode considerar ‘um homem de Deus’. Sua vida foi marcada por circunstâncias que denotam um estreito relacionamento com o Senhor. A natureza do chamado de Deus para a sua vida exigiu dele dedicação exclusiva e uma vida separada do pecado.
Devido às circunstâncias do seu nascimento que se deu de forma miraculosa, Samuel foi consagrado ao Senhor e entregue no templo sob a tutela de Eli, onde passou a viver, aprendendo os ofícios sacerdotais e familiarizando-se com as Escrituras. 
Samuel viveu em um momento extremamente conturbado, tanto no que diz respeito a vida religiosa quanto política do povo de Israel. Nasceu com a missão de promover um grande avivamento entre o povo, o que se deu após um longo período de sofrimento ao qual os israelitas foram submetidos.
 
Exerceu dentro do seu ministério, três funções distintas. Foi juiz, sacerdote e profeta. Foi um homem íntegro, e julgou com sabedoria as causas do povo. Enquanto sacerdote e profeta de Deus, conduziu o povo à restauração da aliança e promoveu a disseminação do conhecimento das Escrituras Sagradas. Criou as escolas de profetas em pontos estratégicos onde acompanhava a formação de novos disseminadores da Palavra e futuros profetas.

Ao final de sua jornada em idade já bastante avançada, colocou seus filhos como juízes, porém, os mesmos não tinham as mesmas características morais e espirituais do pai, portanto, não foram bem sucedidos no desempenho de suas atribuições. Esse foi um dos motivos que levou o povo a reivindicar um rei para ser o seu líder.

O povo sabia que por detrás da liderança de Samuel estava o Senhor, o Deus dos Exércitos, que o conduzia, orientando quanto as decisões que deveria tomar. A atitude de optar por uma liderança humana, significava uma negação à Deus. Mas, mesmo diante da indignação de Samuel, Deus deu ao povo o que eles haviam pedido.

Um novo cenário desponta em Israel que vive um momento de transição. Embora não fosse esta a vontade de Deus. (Ver aqui estudo sobre a Vontade de Deus) Ele mesmo escolheu aquele que seria o primeiro rei e o conduziu à presença do profeta para que este o ungisse, seguindo o protocolo. O primeiro reinado esteve sob a liderança de Saul que por desobediência a Deus foi substituido por Davi, um homem segundo o coração de Deus. A partir de então, segue-se a linhagem a qual nasceria o nosso Redentor (Ver aqui estudo sobre o Nascimento de Jesus).

Como vimos, amados em Cristo Jesus, embora considerando as falhas humanas, o Plano de Deus seguiu o curso normal e atingiu os seus propósitos, porque nada pode impedir o Seu agir. A humanidade tem sofrido devido as consequências dos seus próprios enganos. Quanto mais nos afastamos de Deus, mais nos deparamos com as nossas impossibilidades e a ruina espiritual é certa. Sozinhos nada somos e nada podemos.

Fica aqui uma mensagem para os irmãos que sentem o chamado de Deus em seus corações. Sigam o exemplo de Samuel. Muitas pessoas almejam ocupar lugares de destaque, não para atender aos propósitos de Deus, mas para a satisfação de suas tolas vaidades. Esses, certamente não irão muito longe, assim, como aconteceu com Saul. Deus não se deixa enganar pelas aparências, Ele conhece o que vai em nossos corações.

Portanto, amados, prostrem-se diante de Deus e busquem-nO de todo o seu coração e de todo o seu entendimento. Estreitem o relacionamento com Ele, acima de tudo, busquem conhecer a Sua vontade, meditem na Palavra dia e noite conforme Ele mesmo orientou e façam a obra. Não importa a posição que você ocupa na Igreja de Cristo, busquem fazer o melhor. Se você for fiel no pouco, certamente no muito, Deus te abençoará ainda mais. Amém, queridos!


 IMAGENS DAS AULAS

Obrigado Senhor!

PLANO DE AULA
Tema: Samuel: A Resposta ao Chamado de Deus
Texto base: I Samuel Cap.1 ao 10; 12; 15; 16 e 25:1
 Versículo para memorizar: "Ebenézer: Até aqui nos ajudou o Senhor" (I Sm.7:12).


Objetivos
Apresentar um estudo sobre a vida de Samuel, considerando desde as circunstâncias miraculosas que envolveram o seu nascimento, quanto o triplo aspecto de seu ministério, sabendo que ele, enquanto líder de Israel foi juíz sacerdote e profeta. 

Introdução
Samuel nasceu em circunstâncias miraculosas em que a presença de Deus é manifesta. Deus o escolheu para ser um grande líder do seu povo. Foi consagrado pela sua mãe a uma vida totalmente dedicada ao Senhor. Cresceu no templo onde recebeu uma formação religiosa compatível com os encargos que haveria de, mais tarde assumir. Foi ao mesmo tempo  profeta, sacerdote e juiz.

Período de Transição
O livro de Samuel descreve situações que marcam a transição entre o período teocrático (Ver estudo sobre Juízes - Período Teocrático) para  monárquico. No passado, Deus havia escolhido Moisés para liderar o seu povo. Ao morrer, Moisés deixou Josué, que por sua vez, não deixou ninguém em seu lugar. Desde então, Israel passou um longo período de turbulência espiritual, onde a apostasia se instaurou de forma generalizada (Jz.17:6;21:25).

A direção de Deus se fazia, nessa época,  através de homens escolhidos para liderar o seu povo, denominados juízes. Samuel foi o último dos juízes. A escolha do povo por um regime monárquico tirou de Samuel essa responsabilidade e a transferiu para  as mãos do rei.

Siló – Centro Religioso de Israel
Conforme a lei ordenava, todos os anos, o povo de Israel se deslocava à Siló, para sacrificar cordeiros a Deus e levar presentes ao Tabernáculo. Tratava-se de momentos alegres e festivos, onde o povo se reunia para comer a carne sacrificada (I Sm.1:5) com seus familiares. Eli  aproveitava a ocasião para falar ao povo acerca de Deus.
“Nas tuas cidades, não poderás comer o dízimo do teu cereal, nem do teu vinho, nem do teu azeite, nem os primogênitos das tuas vacas, nem das tuas ovelhas, nem nenhuma das tuas ofertas votivas, que houveres prometido, nem as tuas ofertas voluntárias, nem as ofertas das tuas mãos; mas o comerás perante o SENHOR, teu Deus, no lugar que o SENHOR, teu Deus, escolher, tu, e teu filho, e tua filha, e teu servo, e tua serva, e o levita que mora na tua cidade; e perante o SENHOR, teu Deus, te alegrarás em tudo o que fizeres.” (Dt. 12:17-18)
Siló ficava em lugar montanhoso, a uma distância aproximada de 38 quilômetros ao norte de Jerusalém, no território Efraim. Ficava no principal caminho que levava à Betel e Siquém. No passado, logo após a conquista de Canaã, por Josué, fora este o lugar escolhido para estabelecer a Arca da Aliança e o Tabernáculo - tenda provisória, onde o Senhor falava a seu povo (Ex. 33.7-10). Nesse lugar ficavam as "tábuas da lei".

Durante o período em que a Arca da Aliança esteve ali, o lugar se converteu em um importante centro de peregrinação, e transformou-se em centro religioso de Israel por mais de um século (I Sm. 1:3).

Na ocasião mencionada, o santuário de Siló atendia a família sacerdotal de Eli. No texto, há indicativo de que o Tabernáculo fazia parte de um complexo muito maior do que as simples "tendas" da época de Moisés (Ex.25:8-9). No mesmo livro, são utilizados termos como "Casa do Senhor" (I Sm.3:15) ou "Tenda da Congregação" (I Sm.2:22), para se referir ao templo. Há também, referência a pilares (I Sm.1:9) e lugares para dormir (I Sm.3:2-3), o implica em estrutura maior e mais organizada.

Circunstâncias do Nascimento de Samuel

Elcana e Suas Duas Esposas
A Bíblia conta que no período dos juízes, havia um homem cujo nome era Elcana, da tribo de Levi (I Cr.6:33-38) que tinha duas esposas, Ana e Penina. Embora não seja essa a vontade de Deus (Ver estudo sobre o Temor a Deus), naquela época a bigamia não só era praticada, como também tolerada, pela lei de Moisés (Dt.21:15-17; 25:5-10). Essa situação tinha os aspectos positivos e negativos.

Por um lado servia para aumentar o número de filhos e assegurar a  descendência, como também, um meio para obter mão-de-obra para o trabalho aumentando as riquezas da família. Por outro lado, havia muitas contendas e divisão no núcleo familiar, como é o caso ocorrido com as esposas de Elcana,  Ana e Penina. Penina tinha filhos, porém, Ana, não os tinha (I Sm.1:2) porque era estéril (v.6). Todos os anos Elcana se dirigia a Siló, com suas esposas,  a fim de celebrar as festividades (Ex.23:14-17; Dt.16:16) e entregar os seus dízimos, conforme era previsto na  Lei (Dt.12:17-18).

Havia um clima hostil entre Ana e Penina. Era evidente a predileção de Elcana por Ana, apesar desta não ter filhos e isso provocava ciúmes em Penina que não perdia oportunidade para provocar (I Sm.1:4-7) a sua concorrente, usando como pretexto o fato dela não ser mãe. Isso muito  entristecia Ana. Naquela época, a esterilidade feminina era considerada como uma deficiência e a mulher, nessas condições era geralmente desprezada e isso as fazia sentir-se inferior às demais.  

Ana Pede a Deus um Filho Varão
Numa dessas ocasiões, cansada e humilhada, Ana se dirigiu ao templo para chorar aos pés do Senhor. Alheia a tudo à sua volta, chorava copiosamente (v.10), porém, em silêncio enquanto clamava ao Senhor que lhe desse um filho varão. Enquanto orava e suplicava, Ana fez um voto com Deus, dizendo que se Ele lhe desse um filho, ela o consagraria ao Senhor por toda a sua vida para viver separado para a sua obra, como um nazireu (v.11; Nm. 6:1-21; Jz.13:2-7).

A uma certa distância Eli o sacerdote a observava. De longe, vendo-a naquele estado,  julgou erradamente que ela estivesse  embriagada, pois nada ouvia, apenas notava seus lábios se movendo. Assim crendo, aproximou-se e a repreendeu (v.13-14). Ana, obviamente envergonhada se justificou esclarecendo a situação (v.15). Após ouvi-la, Eli sensibilizado a abençoou dizendo que certamente o Senhor lhe  concederia o desejo de seu coração (v.17).

O Cumprimento dos Votos de Ana
Conforme havia dito o profeta, passado algum tempo, eis que Ana engravida e dá a luz a um menino a quem chama de Samuel, cujo significado é “ouvido por Deus”. Sabendo tratar-se da resposta de Deus ((v.20) às suas súplicas, ela se alegra muito. Porém, tão logo o menino é desmamado (v.24) e, chegando a época de retornar a Siló, compreende que é chegada a hora de entregá-lo aos cuidados de Eli, mas não antes de comunicar isso ao seu esposo que ouvindo-a, não apenas acatou a sua decisão, como também, reforçou a importância do cumprimento do voto (v.23).

O Cântico Profético de Ana
Após entregar o menino, Ana agradece ao Senhor com um cântico profético,  no qual declara a sua gratidão e submissão à Sua vontade. Nesse salmo, ela  reconhece a soberania,  magestade e santidade do Senhor, exaltando-O, pelos cuidados dispensados não somente a ela, mas a todos os que O temem e esperam nEle.  
Exulta o meu coração no Senhor, pois Ele me deu a salvação. Ninguém é Santo como o Senhor. Não existe outro Deus além de vós, nem rocha semelhante ao nosso Deus. Não multiplique palavras orgulhosas e arrogantes, porque o Senhor tudo sabe, é ele quem pesa as ações. Ele dirige os passos dos fiéis, e os ímpios perecem nas trevas, porque ninguém vence pela força. Ele quebra o arco do forte, assalaria os abastados, empobrece e enriquece, humilha e exalta, levanta o mendigo e o indigente, e os faz sentar entre os nobres” (I Sm.2:1-10).
Nesse cântico, Ana, movida pelo Espírito Santo, fala profeticamente sobre acontecimentos futuros, já predizendo o advento de Cristo. Percebe-se nesse cântico algo semelhante ao louvor entoado por Maria ao saber que seria mãe do grande Messias (Lc.1:46:55). Ana louva ao Senhor em profundo agradecimento e adoração, não só pela benção que recebeu, mas pelo reconhecimento da soberania de Deus sobre todas as coisas.
Agradece, primeiramente, pela sua salvação (v.1) exaltando a Sua santidade (v.2),  conhecimento (v.3), poder (v. 4-8) e Seu juízo (v. 9-10). Ressalta que Deus freqüentemente reverte as situações humanas, humilhando os orgulhosos e exaltando os humildes (Provérbios 16:18; 18:12). Compara Deus a uma "Rocha" (v.2), analogia esta também empregada  no último cântico de Moisés (Dt.32:30-31). Esta referência também, é encontrada no Novo Testamento em relação a  Cristo (Rm. 9:33, I Co.10:4, I Pe.2:8).

Deus Levanta Samuel como Profeta 
Diz a Bíblia que “Samuel servia ao Senhor perante Eli” (I Sm.3:1). Ou seja, desde pequeno já trabalhava no templo e era instruido pelo profeta acerca da realização de seus sagrados deveres e sobre os mandamentos de Deus. Os olhos do Senhor estavam sobre Samuel e, certa noite, tendo o menino já se recolhido em seus aposentos, antes de dormir (I Sm.3:3), ouviu por três vezes seguidas uma voz que lhe chamava (v.4-8) e, crendo tratar-se de Eli, a ele correu prontamente. Porém, diante da situação inusitada, Samuel, homem mais experiênte, percebeu que Deus queria falar ao menino e o orientou a dizer: “fala Senhor que teu servo ouve”. E assim Samuel o fez.
Até aquele momento, o menino conhecia o Senhor apenas de ouvir falar, mas agora estava tendo a oportunidade de falar com Ele, de ter experiência real com Ele (v.7). Por muitas vezes Deus confirmou a sua palavra na vida de Samuel para que o povo o reconhecesse como profeta.

Deus havia manifestado a Samuel a sua indignação contra a casa de Eli declarando a aplicação da sua justiça sobre seus filhos estendendo-se a toda a sua descendência. Segundo o que fora dito, os dois irmãos Hofni e Finéias morreriam no mesmo dia. Samuel quando inquerido por Eli a respeito do que o Senhor lhe havia dito, mesmo temendo a reação do seu tutor,  falou a verdade.

O Contraste Entre Samuel e os Filhos de Eli 
O  comportamento de Samuel era em tudo, exemplar, contrastando-se com o dos filhos de Eli (I Sm.2:12-18), Hofni e Finéias, os quais receberam as mesmas oportunidades de conhecimento da Palavra, porém, não agiam de conformidade com a mesma.
O agravante de toda essa situação é que ambos eram sacerdotes do templo e, não obstante a esta posição, pecavam gravemente contra o Senhor. Manifestavam desvios de conduta moral  dentro e fora do  templo e em tudo eram levianos. Os fatos eram notórios e Eli os sabia.

No entanto, preferiu omitir-se a tomar atitudes severas em relação ao caso, deixando-os livres para fazer o que bem queriam e isso incorreu no julgamento de Deus (I Sm.2:29-33).  Devido a essa situação, há muito, Deus não se manifestava a Eli e Suas palavras se tornaram escassas naquele tempo para ele (I Sm.3:1).

Consequencias da Desobediência
Por ocasião do confronto com os filisteus, o povo de Israel foi derrotado (I Sm.4:1-11). Como agravante da situação, a Arca da Aliança fora levada indevidamente para o campo de batalha, pois Deus não havia sido consultado. Houve, em consequência da desobediência, muitas perdas humanas. Morreram em combate, trinta mil soldados, incluindo-se os filhos de Eli.

A Arca da Aliança nas Mãos dos Filisteus e a Punição Divina
Após os filisteus terem se apropriado da Arca, a colocaram-na como troféu diante do seu deus Dagon, em agradecimento pela vitória. No dia seguinte, ao retornarem no local, a estátua de Dagon estava caída de bruços no chão.

Levantaram a estátua e a recolocaram no lugar, porém, quando, novamente retornaram no dia seguinte, encontraram-na caída diante da Arca, com as mãos e cabeça cortadas (I Sm. 5:4). Descobriram o quanto é terrível enfrentar a ira do Deus vivo (Sm.5:1-12; 6:10-18).

A partir de então, uma sequência de fatos ocorreram, pessoas foram acometidas de tumores (hemorróidas) e outras enfermidades a ponto de ninguém mais suportar tanto sofrimento. A Arca foi levada para vários outros lugares e cidades, porém, onde se achava ocorria esse fenômeno. Depois de sete meses, concluiram que o melhor seria devolver a Arca do Senhor aos israelitas e assim o fizeram (I Sm.6:1; 7:1).

O Retorno da Arca à Israel
Deus não havia se agradado da falta de cuidado do povo em relação à  Arca, o que caracterizava total falta de temor e os puniu por isso (I Sm.7:19). Ocorreu que a Arca não voltou de imediato para Siló, lugar de origem, mas permaneceu por cerca de 20 anos em Quiriate-jearim sob os cuidados de Eleazar, como uma forma de ensinar o povo a ter mais respeito e a desejar mais a presença do Senhor (I Sm.7:2-9).

Samuel Conclama um Grande Avivamento em Israel
A atuação enérgica de Samuel, enquanto juiz e líder religioso, depois do episódio do retorno misterioso da Arca da Aliança, levou o povo a reconsiderar o seu relacionamento com Deus. 

Ele os exortou a abandonar a idolatria, levando-os ao arrependimento demonstrando a importânciada busca da purificação. Isso só aconteceu devido ao longo período de sofrimento ao qual o povo foi submetido.

O povo estava agora ciente do poder de Deus e sabiam que se não andassem em obediência, sofreriam as consequências. O temor a Deus (Ver estudo sobre Temor a Deus) os levou a desejar conhecer mais as Escrituras Sagradas, ou porque tinham se esquecido ou porque não tinham aprendido devido ao longo período de distanciamento de Deus. Nesse sentido, pode se afirmar que houve, depois disso, um grande avivamento em Israel.

Somente após feita a nova aliança é que veio a vitória sobre os filisteus (I Sm.4:1). Com a ajuda de Deus, foi que subjugou os filisteus em Mispa, e ali ergueu uma pedra; e deu-lhe o nome "Ebenézer", dizendo: "Até aqui nos ajudou o Senhor (I Sm.7:11-17). Depois disso, enquanto Samuel liderou, houve paz.

O Ministério de Samuel
Samuel exerceu as funções de profeta, sacerdote e juiz em Israel. Como profeta ele conduziu a vida espiritual do seu povo. Esse ministério teve início ainda quando criança e foi se confirmando (I Sm.4:7:17) à medida que ele assumiu esse compromisso com responsabilidade e compromisso com Deus.

O primeiro desafio que teve como profeta, ainda menino, foi relatar a Eli o que Deus havia dito a respeito do julgamento reservado para ele, sua casa e seus filhos (I Sm.3:12-18), Hofni e Finéias.

Como profeta e sacerdote, preocupado com a disseminação do conhecimento acerca do Senhor,  criou a escola de profeta, cujo propósito era  instruir jovens tementes a Deus acerca da lei de Moisés. Tinha ainda o propósito de ensina-los a ter intimidade com o  Espírito do Senhor a fim de aprenderem a se colocar diante dEle em reverência e adoração para então se tornarem profetas de Deus (I Sm.19:20). Para atender as necessidades foram criadas escolas em Ramá (I Sm.19:18-24), Betel ( II Rs.2:3), Jericó (II Rs.2:5,7,15), Gilgal (II Rs.4:38; 2:1).

Como juiz, exerceu o seu mandato até o fim de sua vida (I Sm.7:15). Samuel conduziu com prudência e sabedoria todas as causas do povo de Israel, conforme era a vontade de Deus. Sua autoridade espiritual o fazia reconhecido e admirado por todos, tanto no que diz respeito às suas decisões religiosa, política e militar. Estando porém, já em idade avançada, constituiu seus filhos como juízes, porém, eles não foram bem aceito pelo povo porque não tinham o mesmo padrão moral e espiritual de Samuel, e por conta disso, se corromperam (I Sm.8:1-3). 

Essa foi a motivação do povo para requerer mudanças. Pediam um rei para se tornarem como as outras nações. Samuel ficou contrariado, porém, quando levou a  questão a Deus, o Senhor disse para lhes dar o que pediam e assim foi. O primeiro rei ungido por Samuel foi Saul e o segundo foi Davi.

Conclusão

O estudo sobre o livro de I Samuel trás em si grandes ensinamentos. Vimos no decorrer da narrativa emergir o poder de Deus sobre o seu povo usando homens que, como Samuel, atendeu ao chamado do Senhor e se colocou em prontidão para fazer a sua obra. Deus colocou nas mãos de Samuel a liderança sobre o seu povo a fim de conduzi-los a um verdadeiro avivamento pelo conhecimento das Escrituras Sagradas. Mas o povo era rebelde e precisou passar por algumas experiências de sofrimento para aprender que melhor é “obedecer do que sacrificar” (I Sm.15:22). Samuel teve uma vida separada do pecado e dedicou-se ao seu ministério com afinco. Deus esteve com ele em todas as circunstâncias.