quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Temor a Deus: Um Ato de Reverência



   Pelo temor do Senhor os homens se desviam do mal” (Pv.16:6b)

Reflexão Sobre o Tema

De acordo com o dicionário, o termo ‘temor’ é o ato ou efeito de temer; receio, susto, medo, pavor, terror. Já o temor à Deus nada tem a ver com esse sentido. Trata-se de um sentimento de respeito e reverência da parte de quem tem conhecimento da grandeza e soberania do criador. Viver no temor à Deus, significa compreender que Deus é o SENHOR e nós, apenas criaturas, totalmente dependentes e carentes do Seu direcionamento.

Somos imperfeitos e sujeitos a todo tipo de tentação. Por isso é grande a luta entre a carne e o espírito (Gl.5:17). Necessitamos da intervenção constante do Espírito Santo para aniquilar a “velha criatura” e fazer prevalecer o “homem novo” em Cristo Jesus (2Co.5:17). Isso só será possível a partir de uma vida santificada (2Co.7:1), onde a natureza humana seja mortificada para emergir a natureza de Cristo, conforme o apóstolo Paulo mesmo diz: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl.2:20).

Esse processo é gradual, não  acontece da noite para o dia. Para viver a vontade de Deus  temos que renunciar ao nosso ‘eu’, ser obedientes e praticantes da Sua Palavra (Tg.1:22-23). Isso exige de nós, disciplina nos estudos das Escrituras Sagradas para conhecermos qual é a perfeita vontade de Deus (Rm.12:2b; Jó 42:2),  e também, a disposição para serví-Lo. Pois quem ama, se doa. Não há como dizer-se cristão e viver alienado, preso às convenções do mundo e distante do projeto de Deus. Ou seja, o nosso sim a Jesus, implica em entrega total. Ou tudo ou nada. Simples assim.

Não é raro ouvir as pessoas dizerem que  creem em Deus, no entanto, a maioria vive uma vida desregrada e descompromissada com o Senhor. Dentre essas pessoas, há dois grupos, os quais se distingue pelo fato de uns terem conhecimento da Palavra e outros não. No primeiro caso, são em geral nascidos em lar cristãos, e não raros, transitam entre a Igreja e o mundo, porque suas consciências estão cauterizadas (1Tm.4:2) e já não sentem o temor a Deus, ou nunca o sentiram.

São pessoas que, embora tendo o conhecimento da Palavra, não a pratica, vivem na rebeldia, tentando fazer prevalecer a sua vontade a qualquer custo, sem medir as consequências. Um exemplo bíblico a esse respeito é o caso dos filhos de Eli, o profeta (1Sm.2:12), que também eram sacerdotes e, mesmo vivendo no templo e conhecendo as Escrituras,  pecaram gravemente contra Deus, vindo sobre eles a destruição (1Sm.2:34).

Há também, muitos que conhecem Deus de ouvirem falar, ou seja, têm informações a respeito dEle, mas não conhecem os Seus ensinamentos e, portando, vivem alheios à Sua vontade, sem o menor compromisso com a verdade. Conhecer a Deus, não significa apenas ter informações a Seu respeito, mas sim, ter um relacionamento e compromisso com Ele, pautado na vivência da do Evangelho. Esses são o  público alvo dos missionários. É necessário que haja pessoas dispostas a levar a Palavra até eles.

As Escrituras nos ensina que “o temor do Senhor é fonte de vida para evitar os laços da morte” (Pv.14:27). Esse temor nos coloca em posição de reverência ao Senhor e submissão à Sua vontade e  Ele nos instrui nos caminhos que devemos escolher (Sl.25:12), nos preservando de todo o mal. Por isso que o sábio Salomão nos ensina que “o princípio da sabedoria é o temor do Senhor” (Pv.9:10) . Amém, queridos!




Imagens da Aula




Obrigado Senhor!


PLANO DE AULA

Tema: Temor a Deus: Um Ato de Reverência
Texto Base: Pv.9:10
Versiculo para Memorizar:Pelo temor do Senhor os homens se desviam do mal” (Pv.16:6b).

Objetivos

Ensinar às crianças que o temor à Deus é:
·         Um ato de reverência e obediência e não de medo;
·         Submeter-se à Sua vontade  e cumprir os seus mandamentos;
·         Reverencia-Lo, expressando o mais profundo amor que sentimos por Ele, exaltando e glorificando o Seu Santo nome; 
·         Dar a Ele um lugar de destaque em nossas vidas.

Introdução

O Temor à Deus é motivado pelo reconhecimento de quem é Deus e emerge de um amor profundo e reverente que nos leva a  adorá-Lo e glorificá-Lo pelo que Ele é e pelo que Ele representa em nossas vidas. Esse temor nos leva a prostrar-nos diante de Sua Majestade. Deus deseja um lugar de destaque em nossas vidas porque simplesmente nos ama e quer nos ajudar. Temê-Lo, não significa ter medo, mas reconhecer a Sua soberania e submeter-se à  Sua vontade  justa e guardar os seus mandamentos (Ec.12:13) e nisso consiste a verdadeira sabedoria (Pv.9:10) nos diz Salomão.

Contextualização Bíblica

Desvia-te do Mal  e Preserve a Tua Alma

Palavra de Deus nos diz que o mundo jaz no maligno (1Jo.5:19). Isso significando que o mundo está sob o domínio  de Satanás. Por esta razão Jesus nos recomenda “não ameis o mundo, nem o que no mundo há” (1Jo.2:15a). A sabedoria de Salomão aponta um caminho para os retos de coração que é o ‘desviar-se do mal’, porque assim o fazendo, preservam a própria alma (Pv.16:17).

Nesse tocante, vale lembrar que a bíblia nos relata o fato de que Jó era um homem temente a Deus que se desviava do mal” (Jó.1:1). Isso se refere ao fato de que ele tinha uma conduta irrepreensível diante do Senhor, tanto que o próprio Deus deu testemunho a seu respeito (Jó.1:8). 

Exortação à Obediência ao Senhor

Deus, assim como foi com o povo de Israel, requer de nós a observância de Sua lei. Ele deseja,  muito mais do que o cumprimento de meras formalidades religiosas, deseja a verdadeira adoração, conforme diz o texto de Deuteronômio:  

“12 Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus requer de ti, senão que temas o Senhor teu Deus,e que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, que  ames, e sirvas ao Senhor teu Deus com  todo o teu coração e com toda a tua alma,- 13 para guardares os mandamentos do Senhor e os Seus estatutos, que hoje te ordeno, para o teu bem?” (Dt.10:12). 

Temor e amor juntos, resulta na verdadeira adoração. A principal característica de um adorador consiste em prestar serviço, em servir.  O  salmista recomenda que o serviço prestado a Deus deve ser feito com alegria (Sl.100:2) e com canticos, portanto, “vós que temeis ao Senhor, louvai-O” (Sl.22:23a). Desta forma, o trabalho na obra do Senhor não deve ser encarado como um fardo e sim como um privilégio ímpar.

O Significado do Temor à Deus

O ímpio não teme ao Senhor porque não O conhece, não sabe quem de fato Ele é. Tem uma vaga idéia a Seu respeito pelo que ouve falar, ou imagina que sabe. Por essa razão que, frequentemente se ouve dizer “eu acredito em Deus do meu jeito”. O problema é justamente esse, do jeito errado.

O crente, no entanto, deve ter uma fé racional, baseada no conhecimento de Deus através das Escrituras Sagradas. O conhecimento é o alicerce da fé (Rm.10:17), por esta razão, devemos buscar diligentemente conhecer a Palavra do Senhor, conforme nos orienta o texto a seguir: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão para que estejam por testeiras entre os vossos olhos”  (Dt.11:18).

A Comunhão com Deus
Diz ainda a Palavra do Senhor: “ao homem que teme ao Senhor, Ele o instruirá no caminho que deve escolher” (Salmos 25.12b). A principal característica do homem  temente a Deus se revela no alinhamento entre a sua vontade e a vontade soberana de Deus. Isso se dá mediante a comunhão constante através da oração e meditação na Palavra.
Por meio da oração Deus nos concede uma visão ampliada, clara e objetiva que nos permite  um entendimento mais apurado acerca das escolhas que devemos fazer ou dos caminhos que devemos seguir. Devemos, portanto, em todas as circunstâncias,  nos colocar sempre sob os cuidados do Senhor, para que nossa fragil estrutura jamais seja abalada  (Sl.55:22a) e não venhamos a nos desviar de seus caminhos.
Temor ao Senhor Produz Esperança

Quem crê em Deus confia nEle, porque  nEle reside toda a sua esperança. O salmista nos diz: “Vós que temeis ao Senhor, confiai no Senhor, ele é vosso auxílio e vosso escudo” (Sl.115:11). E diz ainda, “Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia “(Sl.33:18). As palavras de Paulo conferem consolo e segurança espiritual quando diz: “todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm.8:28).

Corroborando com os textos acima, o salmo 34 nos exorta, também,  a confiar em Deus em todas as circunstâncias. O salmista Davi diz que “muitas serão as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas” (Sl.34:19) e diz ainda, que “o anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra” (Sl.34:7). E que disso devemos fazer prova. Garante-nos que “aqueles que buscam ao Senhor, de nada  têm falta (Sl.34:9-10b).
Sabemos que Davi teve grandes experiências com Deus e que estava falando de algo real que tinha experimentado. Devemos aprender com ele a desfrutar da bondade do Senhor para todos que nEle temem. Porque o Deus que operou na vida de Davi é o mesmo que opera na minha e na sua vida.  

Conclusão

O temor a Deus ocorre à medida que tomamos conhecimento da  Sua Palavra e compreendemos a necessidade de fazer a Sua vontade soberana. Conhecer a Deus nos leva a exaltá-Lo e glorificá-Lo, não apenas com cânticos, mas com o testemunho da própria vida e com o desejo ardente de servi-Lo, na grandiosa obra redentora.

Paulo, totalmente inspirado pelo Espírito Santo declara: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis, os seus caminhos! [...] Porque dEle, e por Ele, e para Ele são todas as coisas!” (Rm.11:33,36). Como já disse o apóstolo, todas as coisas emanam da Sua vontade soberana e tudo é para que Seu nome seja glorificado. Portanto, amados, conforme já foi dito, o temor a Deus nos conduz a um caminho harmonioso com Deus que nos trará ao coração uma paz que excede a todo o entendimento humano. Amém, queridos!

Sonia Oliveira

Veja aqui alguns dos Estudos disponíveis no Arquivo do blog:
  1. Samuel - Resposta ao chamado de Deus
  2. Juizes - Período Teocrático 
  3. Sansão - Exemplo de Imaturidade 
  4. Gideão - Um Homem Revestido de Poder 
  5. Abimeleque - Ambição Sem Limites 
  6. José do Egito 
  7. Josué e Calebe - Enfrentando o Gigante do Medo 
  8. Josué - A Derrota de Ai 
  9. Palavra de Deus - Uma Mensagem Transformadora 
  10. Evangelizar é Preciso! 
  11. A Vontade Soberana de Deus 
  12. O Espírito Santo a Terceira Pessoa da Trindade 
  13. Páscoa Cristã 
  14. Dons Espirituais 
  15. Missões com Excelência - A boa semente

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Deus - O Grande Eu Sou

“Operando Eu, quem impedirá?” (Is.43:13b)


Reflexão sobre o Tema

Muitas pessoas dizem que creem em Deus, no entanto, não O conhecem e, consequentemente, não vivem em comunhão com Ele. O conhecimento que alegam ter, na maioria das vezes, provém da experiência de terceiros, não dela própria, ou simplesmente por intermédio da própria família que passa seus conhecimentos de geração à geração.

No Capítulo 4 do Livro de João, a partir do versículo 7, encontra-se uma narrativa a respeito de um diálogo entre Jesus e uma mulher samaritana. Nesse colóquio, a mulher samaritana não negou o desconhecimento a respeito de Deus. No entanto, admitiu ter recebido esse conhecimento de seus antepassados (v.20)  pois menciona ter conhecimento de um determinado lugar onde o seu povo se dirigia para adorá-Lo.

Ouvindo-a,  Jesus afirma que iria chegar um tempo onde não seria preciso um lugar específico de adoração  porque, segundo Ele: “os verdadeiros adoradores adorararão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim O adorem” (Jo.4:23).

Embora a mulher não tenha negado o conhecimento a respeito de Deus, não manifestava nenhum compromisso com Ele, e sua própria condição de vida refletia isso. Mas, a partir do encontro pessoal que teve com Jesus, recebeu a oportunidade de mudar a sua história. Não há como permanecer o mesmo depois de uma experiência como essa.
Jó ao contrário, era homem temente a Deus e praticante de Sua Palavra, no entanto, faltava um estreitamento no relacionamento com Deus para que a sua fé fosse firmada. Isso se deu quando ele teve uma experiência real com Deus e pode contemplar a sua Soberania e Grandeza. Ao final dessa experiência, Jó teve que admitir: “antes eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos” (Jó.42:5).  
O que a Bíblia nos ensina, é que não basta apenas crer na existência de Deus, porque nisso também os demônios acreditam e tremem de medo (Tg.2:19). Há uma diferença muito grande entre a simples crença e a fé. A crença não está vinculada com a verdade, por isso dispensa investigação rigorosa, ela baseia-se apenas na disposição ou convicção de forum íntimo em relação à possibilidade de acreditar que algo possa ser verídico (Fonte: Dicionário Online).
A verdadeira fé é dinâmica, e por esta razão se consolida mediante  três circunstâncias, primeiro, pelo conhecimento da Palavra de Deus  (Rm.10:17), e em segundo, pela experiência real com Ele, conforme o relato de Jó e a Samaritana e, posteriormente, pelas atitudes de segui-Lo em obediência aos seus mandamentos (Jo.14:15; Dt.5:29; Tg.1:22). Portanto, amados, não basta crer é preciso que haja compromisso com Ele, para que a sua vontade seja absoluta em nossas vidas, amém!



IMAGENS ESPECIAIS


   
Obrigado Senhor!



PLANO DE AULA

Tema: Deus – O Grande Eu Sou

Texto Base: Isaías 44:6b

Versículo para Memorizar:  Operando Eu, quem impedirá?” (Is.43:13b).

Objetivos

Ensinar às crianças sobre a identidade de  Deus; Seu papel na  criação; A manifestação do Seu grande amor; Seus atributos e Seu  papel no plano de salvação;  

Introdução

A Bíblia é a Palavra de Deus revelada a nós por meio da atuação do Espírito Santo que inspirou homens especialmente escolhidos para esta missão,  de nos transmitir a  mensagem de Deus e nos revelar o verdadeiro objetivo da criação. Nesse estudo,  conheceremos um pouco sobre a identidade do autor dessa tão grandiosa obra,  Deus, por meio do qual todas as coisas foram criadas e tudo se fez. A Bíblia O revela como criador e não como criatura e, portanto, auto-existente. Ele governa e tem domínio sobre tudo (Dt.4:39; Gn.1:1; Ne.9:6; Sl.72:18; 89:11; Os.13:4). Apesar de Sua grandeza, Ele se manifesta a nós como um pai amoroso que se preocupa com nossos sofrimentos e nos alcança com sua infinita misericórdia.  

Procedimento

Iniciar a aula com dinâmica para integrar o grupo e despertar os sonolentos ou distraídos . Entoar, pelo menos um cântico de louvor relacionado à temática da aula.  Em seguida, apresentar o tema por meio de imagens que podem ser slides ou outros recursos similares. Suscitar questionamentos sobre a existência de Deus, ouvir as colocações e, em seguida, esclarecer os pontos levantados, tendo em mãos um roteiro previamente elaborado para facilitar o estudo bíblico.

Contação de História – Contextualização Bíblica

Sua Identidade e Sua Forma

Em Gênese,  Deus revela a Sua identidade quando, em diálogo com Moisés,  se auto-denomina como O Grande Eu Sou, dizendo: “EU SOU O QUE SOU”,  (Ex.3:14). Essa expressão remete ao entendimento de que se trata de alguém que independe de qualquer circunstância, o que aliás, tem a ver com um dos atributos de Sua personalidade, o de ser  ABSOLUTO.

Quanto à sua forma, o evangelista João nos revela que nunca ninguém viu a Deus (Jo.1:18a), o que sabemos a Seu respeito foi porque o Seu Filho, Jesus nos fez saber (Jo.1:18b). Deus é espírito e, portanto, “importa que os que o adoram, o adorem em espírito e em verdade”  (Jo.4:24).

Antropomorfismo

Considerando a nossa incapacidade de compreendê-LO, quanto à Sua forma, Deus se revela a nós antropomorficamente, ou seja, como se fosse um homem, fisicamente.  A Bíblia nos relata que Moisés falava com Deus “face à face” (Ex.33:11) dando a entender tratar-se do Seu rosto no sentido físico, mas na verdade, trata-se de uma relação de intimidade que havia entre eles. Tanto é assim que logo adiante, no mesmo capítulo, Deus afirma a Moisés: “Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá”  (Ex.33:20).

Em oração intercessória pelos filhos de Israel, Neemias pede a Deus  que: ”Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos” (Ne.1:6), referindo-se a atenção que desejava por se tratar de um assunto extremamente sério. Numa linguagem  metafórica para se referir ao poder criador de Deus, Davi diz que “o Altíssimo levantou a sua voz” (Sl.18:13) e que “do seu nariz subiu fumaça” (Sl.18:8).

Há, também, em outras passagens, referências antropormórficas, como: olhos (Jó.28:10), pés Ex.24:10) ou ainda, demonstrando as  atividades constantes de Deus, ora assentado no trono  de glória (1Rs.22:19), voando nas asas do vento (Sl.18:10) ou em combate nas batalhas (2Cr.32:8; Is.63:1-6) em favor de seu povo.
Antropopatismo
O antropopatismo é a tentativa humana de interpretar os sentimentos de Deus, conforme as experiências que temos e não de fato. Nas Escrituras Deus manifesta sentimentos tais como: ira (Is.63:6; Na.1:3; Sl.30:5; Sl.106:40), amor (Jo.3:16,1Jo.4:8), indignação (Sl.18:7b), misericórdia (Sl.25:10), zelo (Ex.34:14), alegria (Ne.8:10), dentre outros. 

Para ilustrar melhor essa questão, no Antigo Testamento, aparecem algumas situações em que ocorre o  antropopatismo. Vejamos aqui um pequeno trecho do diálogo entre Deus e Moisés, no  tocante a missão que lhe competia realizar junto ao povo que estava cativo no Egito, mas que por insegurança, devido à sua gagueira (Ex.4:10), Moisés tentou se esquivar crendo que não conseguiria ser bem sucedido nessa  tarefa.  Essa postura provocou a ira do Senhor, que mandou Moisés chamar Arão, seu irmão, para ser seu intérprete,conforme diz o texto abaixo:

"Então se acendeu a ira do Senhor contra Moisés, e disse: Não é Arão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele falará muito bem..." (Ex.4:14-16).

Habitação do Altíssimo

Não há como dimensionar a grandeza de Deus porque o nosso entendimento é restrito, sabemos apenas o que nos é revelado através da Bíblia Sagrada e, através do nosso relacionamento com Ele. Quanto ao lugar provável de sua habitação, a Bíblia nos diz que Ele habita, não só  em trevas densas e impenetráveis mas também, em luz inacessível (1Cr.29:11; Sl.97:2; 1Tm:6:16). Ou seja, em toda a Sua criação. Não há lugar onde Ele não tenha total domínio e não possa estar e mesmo assim, o seu olhar atento está sobre o “pobre e abatido de espírito e que treme diante...” da Sua Palavra (Is.66:1-2).

Não há Ninguém Como o Nosso Deus

Por mais sábio e inteligente que o homem seja, jamais conseguirá compreender o agir de Deus, conforme o salmista chegou a esta conclusão, porque não há como conhecê-lo completamente (Sl.139:6). A nossa visão humana é restrita e, portanto, somos incapazes de compreender os pensamentos de Deus (Rm.11:33-34). Entretanto, devemos nos esforçar em conhecê-Lo, através do estudo da Palavra, conforme nos orienta o profeta Oséias (Os.6:3), a fim de fazermos a Sua vontade.

A nossa ignorância nos leva, não raras vezes, a questionarmos a Deus, e até mesmo julgarmos que podemos "dar uma ajudinha" para que as coisas saiam de conformidade com o que imaginamos ser o certo.

Jó, embora temente a Deus e tendo com Ele um relacionamento muito próximo, teve a ousadia, vamos dizer assim, de questioná-lo sobre determinados acontecimentos. Em resposta, Deus o fêz recordar com quem ele estava falando e Jó teve que reconhecer a sua insignificância diante da Soberania de Deus. Sua obra é perfeita e Sua sabedoria excede ao nosso entendimento humano. Vejamos um trecho desse diálogo que se encontra no Capítulo 38 do livro de Jó.


2. As suas palavras só mostram a sua ignorância, quem é você para por em dúvida a minha sabedoria?
"4.Onde é que você estava quando criei o mundo? Se você é tão inteligente, explique isso". Continua questionando:
12. “Jó, Alguma vez na sua vida você ordenou que viesse a madrugada e assim começasse um novo dia? 13. Você alguma vez mandou que a luz se espalhasse sobre a terra, sacudindo os perversos e os expulsando dos seus esconderijos?  16. Você já visitou as nascentes do mar? Já passou pelo fundo do oceano?  18. Você tem alguma idéia da largura da terra? Responda, se é que você sabe tudo isso! 19. De onde vem a luz, e qual é a origem da escuridão? 20. Você sabe mostrar a elas até onde devem chegar e depois fazer com que voltem outra vez ao ponto de partida? 21.-  Sim, você deve saber, pois é bem idoso e ja havia nascido quando o mundo foi criado” (Jó.38:12-21 NTLH).

Esse discurso prossegue no capítulo 39 e 40 quando então Deus desafia Jó a uma resposta definitiva. 

“1.Então o Senhor disse: 2.Jó, você desafiou a mim, o Deus Todo-Poderoso. Vai dessistir ou vai me dar uma resposta? 3. Então, em resposta ao Senhor  Jó disse: 4. Eu não valho nada: que posso responder? Prefiro ficar calado. 5. Já falei mais do que devia e agora não tenho nada para dizer” (Jó 40:1-5 - NTLH)

Finalmente Jó reconhece que a sabedoria humana não é capaz de compreender as coisas de Deus e que eram infundados os seus questionamentos. Muitas vezes também, somos presunçosos e agimos de forma semelhante. Jeremias nos ensina o que Deus pensa a esse respeito.

                                             “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR” (Jr.9:23,24)

Cometemos muitos enganos porque o nosso campo de visão é restrito e não nos permite ter clareza das coisas. Por esta razão, os nossos caminhos nos levam muitas vezes à morte espiritual  (Pv.14:12; 16:25).  Mas,  os caminhos do Senhor são perfeitos, porque Ele é onisciente. E assim sendo, sabe como e porque deve agir dessa ou daquela forma, mesmo que isso nos deixe confundidos em algumas situações, conforme diz o texto de Isaías:
                          “Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaías 55: 8-9)

Atributos Incomensuráveis a Deus – Não podem ser transferidos ao homem

Deus é uma pessoa e, como tal, possui características que Lhe são inerentes. Embora as palavras sejam insuficientes para defini-LO, teológicamente são enumerados alguns atributos os quais, embora não esgote a Sua essência, nos permite ter uma idéia a respeito de Sua  majestade.


Trindade: Deus é Uno e Trino, porque sendo um, subsiste em três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo), sendo Ele, mesmo a primeira pessoa, o Pai. Todos os atributos divinos aplicam-se a cada pessoa da Trindade que estão em perfeita harmonia e comunhão entre si, formando apenas uma (Mt.3:16,17; Mt.28:19; I Jo.5:7).

Perfeição: É o atributo pelo qual Deus é isento de toda e qualquer limitação em seu Ser e em seus atributos (Jó.11:7-10; Mt.5:48).

Eternidade: Deus não tem princípio nem fim, conforme a noção de tempo cronológico - chronos que conhecemos, porque Ele mesmo criou o tempo - Kairós (Ex.3:14; Gn.21:22; 2Pe.3:8). O Salmista diz que Ele é “de eternidade em eternidade” (Sl.90:2) e João nos informa que “Ele tem vida em si mesmo” (Jo.5:26). Lucas esclarece que a própria vida é um dom de Deus (Atos 17:25). Tudo isso nos leva a crer na Sua auto-existência.

Criador: “Todas as coisas foram feitas por Ele e sem Ele, nada do que foi feito se fez” (Jo.1:3; Sl.135:6). A Bíblia nos informa que “no princípio criou Deus o céu e a terra” (Gn.1:1) e que  “o firmamento anuncia as obras de Suas mãos” (Sl.19:1) e o louvam, porque “tudo foi criado por Ele e para Ele” (Col.1:16), para que pudéssemos glorificá-LO.

Soberania: Não somente criou todas as coisas, mas também exerce controle absoluto sobre a criação (Sl.135:6) as quais rege e governa , conforme a Sua vontade e perfeição (Sl.115:3) .  O Seu poder é supremo no universo (Ex.17:16; 1Cr.29:11-12; Dn.2:21-22), por esta razão, quando Ele decide alguma coisa, não há nada  que possa impedi-LO (Is.43:13b). “E Tua é, ó Senhor, a grandeza, e o poder, e a glória, e a vitória, e a majestade, porque Teu é tudo quanto há no céu e na terra; Teu é, ó Senhor, o reino” (1Cr.29:11).

Onipotência: Este atributo revela o poder de Deus na Sua criação e é expresso no nome hebraico El-Shaddai, que  traduzido significa Todo-Poderoso, indicando que para Ele, nada é impossível (Gn.17:1;18:14; Ex.6:3; 2Co.6:18; Jó.37:23; Ap.1:8, Is.43:11-13; Sl,115:3).  A onipotência de Deus abrange todas as coisas  (ICr.29:12),  o domínio sobre a natureza (Sl.107:25-29; Na.1:5,6; Sl.33:6-9; Is.40:26; Mt.8:27; Jr.32:17; Rm.1:20), o domínio sobre a experiência humana (Sl.91:1; Dn.4:19-37; Ex.7:1-5; Tg.4:12-15; Pv.21:1; Jó.9:12; Mt.19:26; Lc.1:37) e o domínio sobre as regiões celestiais (Dn.4:35; Hb.1:13,14; Jó.1:12; Jó 2:6). 

Onipresença:
 É a capacidade de Deus estar em todos os lugares ao mesmo tempo (Sl.139:7-10). “Acaso, sou Deus apenas de perto, diz o Senhor, e não também de longe? Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? Porventura, não encho eu os céus e a terra? “ (Jr 23.23-24). Na língua hebraica a expressão “o céu e a terra” significa o universo inteiro. Este universo segundo a própria declaração de Deus, está cheio de sua presença.

O salmista disse: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Salmo 139:7-10). Conclui-se, portanto, que não há nada que esteja oculto aos olhos de Deus.
Onisciência: É um dos atributos de Deus que Lhe permite conhecer e saber todas as coisas (1Jo.3:20), sejam passadas, presentes ou futuras. Para Ele, não há mistério porque  nada está oculto e, sendo assim, seus juizos são perfeitos (Ap.20:12). Se “o além e o abismo estão descobertos perante o Senhor; quanto mais o coração dos filhos dos homens!” (Pv 15. 11). “Os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e Ele vê todos os seus passos” (Jó.34:21). “Ele esquadrinha os nossos corações” (1Cr.28:9) e sem que haja palavras, Ele nos conhece (Sl.139:1-4).

Imutabilidade: Deus é imutável (Ap.22.13; Is.44.6). Esta característica é condizente com todos os demais atributos de Deus, que sendo a perfeição absoluta, não requer mudança (Hb.1:10-12). “Porque eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3.6). Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre, sem nenhuma variação ou necessidade de mudança (Tg.1:17).

Atributos  Comunicáveis – Que se estendem ao homem
Amor: João afirma que Deus é amor (1Jo.4:8). A prova cabal desse amor se resume no calvário (Jo.3:16). Paulo afirma que esse amor foi derramado no coração do cristão (Rm.5:5) pela graça (Ef.2:4-8) que é manifestada no sacrifício de Jesus Cristo pela nossa salvação.
Misericórdia: É a capacidade de sentir compaixão daqueles que sofrem. É uma forte expressão do amor de Deus. “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos” (Lm. 3.22). Assim, podemos compreender que a  misericórdia é a extenção da graça de Deus. (2Sm 24.14; Mt 9.27; 2Co 1.3; Hb 4.16; 2.17; Tg 5.11). “E depois de tudo o que nos tem sucedido por causa das nossas más obras, e da nossa grande culpa, ainda assim tu, ó nosso Deus, nos tens castigado menos do que merecem as nossas iniquidades, e ainda nos deixaste este remanescente (Ed 9.13).

Sabedoria:  "O Senhor, com sabedoria fundou a terra" (Pv. 3:19). NEle "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Col.2:3). Por essa razão seus caminhos são perfeitos (Sl. 104:24) e Ele jamais se engana. Diante de tamanha perfeição, Paulo o exalta dizendo: "Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus" (Rm.11:33). Nisto reconhecemos que “Com Ele está a sabedoria e a força” (Jó 12:13), que se manifesta não somente na  criação (Rm.4:17; Is.44:24), mas também, nas obras da providência  (1Cr.29:11-12) e na redenção (Rm.1:16; 1Co.1:24).

Santidade: Deus é puro, perfeito e santo (ISm.2.2; Sl.99; Is.40.25; Ap.15.4). Estas características O colocam acima de qualquer ser por Ele criado. A Sua majestade reina absoluta porque nEle não há imperfeição. Podemos distinguir a santidade de Deus em dois aspectos: transcendência e pureza moral. A transcendência mostra um Ser que está acima de qualquer situação e não depende das circunstâncias  para ser o que é (Is.57.15). A pureza moral mostra como Deus está separado de tudo o que é pecaminoso (Lv.20.26; I Pe.1.15,16). Por esta razão, há  uma condição expressa para nos relacionarmos com Ele, no qual Ele mesmo diz: “Sereis santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”(Lv.19.2; 1Pe.1:16) e o autor de  Hebreus reforça: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14).
Justiça: Todos os atributos de Deus convergem para  uma justiça infinitamente perfeita. Nele mesmo estão todos os parâmetros de justiça  (Dt.32:4; Gn.18:25; Is.30:18; Jr.9:24; At.17:31). Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são justos (Ed 9.15; Ne 9.8; Sl 119.137; 145.17; Jr 12.1; Lm 2.29; 3.4; Ap 16.5; Dt 32.4; Rm 3.25-26; Jó 40.2,8; Rm 9.20,21).

Sua santidade é a causa da sua justiça que vem, justamente corrigir a transgressão à Sua lei (Rm.3:21a), levando o pecador a reconhecer a Sua condição pecaminosa, oferecendo-lhe, pela graça a possibilidade de não ser condenado e sim justificado por meio da salvação em Cristo Jesus. Uma vez liberto da condenação, se viermos a pecar, temos um advogado que nos defende do acusador.

A justiça humana é falha, mas a de Deus é perfeita. Ele jamais se engana na aplicação da Sua justiça que ocorre nas seguintes situações:  De forma geral quando o pecador  transgride Suas leis (Sl.3:5;11:4-7; Dt.32:4; Dn.9:12;14; Ex.9:23-27;34:7); Como correção a seus filhos desobedientes (Hb.12:6-7; Jr.10:24;30:11;46:28; Sl.89:30-33; ICr.21:13); Como Juiz severo para os que não O temem ((Rm.11:22; Hb.10:31) ou derramando Suas bençãos, como recompensa aos que permanecem na obediência de Suas leis  (Hb.6:10; IITm.4:8; ICo.4:5;3:11-15; Rm.2:6-10; IIJo.8).  

Fidelidade: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?” (Nm 23:19).Tudo o que Deus prometeu vai acontecer porque Ele é fiel...“Ele vela pela Sua Palavra para que se cumpra” (Jr.1:12).


Conclusão
Atributos são as qualidades inerentes a Deus, próprias dEle. Esses atributos podem ser divididos de duas formas. Primeiro, os atributos que Lhe são inerentes, ou seja, não podem ser transferidos a nós que são tidos como atributos incomunicáveis, são eles: Onipresença, Onisciência, Onipotência, Infinitude, Perfeição e Imutabilidade e Poder Criador. Segundo, abrange uma relação de atributos que podem ser  transferidos ao homem , assim chamados de atributos  comunicáveis, que são:  Amor, Santidade, Justiça, Verdade, Fidelidade, Misericórdia, Sabedoria (Êx 3.14; Pv 5.21; 15.3; At 15.17-18; Tg 1 17; Sl 139.1-12; 147.13-18).

Sonia Oliveira

Veja aqui alguns dos Estudos disponíveis no Arquivo do blog:
  1. Samuel - Resposta ao chamado de Deus
  2. Juizes - Período Teocrático 
  3. Sansão - Exemplo de Imaturidade 
  4. Gideão - Um Homem Revestido de Poder 
  5. Abimeleque - Ambição Sem Limites 
  6. José do Egito 
  7. Josué e Calebe - Enfrentando o Gigante do Medo 
  8. Josué - A Derrota de Ai 
  9. Palavra de Deus - Uma Mensagem Transformadora 
  10. Evangelizar é Preciso! 
  11. A Vontade Soberana de Deus 
  12. O Espírito Santo a Terceira Pessoa da Trindade 
  13. Páscoa Cristã 
  14. Dons Espirituais 
  15. Missões com Excelência - A boa semente