sexta-feira, 22 de março de 2013

A Vontade Soberana de Deus

“As Misericórdias Do Senhor São a Causa de Não Sermos Consumidos” (Lm. 3:22:23)

Reflexão Sobre o Tema

Jesus deixou bem claro que, não obstante ao chamado concernente a cada um, nem todos entrarão no Seu Reino (Mt.7:21; 22:1-14). Entre o chamado e o nosso destino, existe um caminho a ser percorrido. O peso dos nossos pecados dificultam a caminhada, por isso, passo à passo, temos que esvaziar essa bagagem, para que o cansaço e o desânimo não nos impeça de prosseguir.

Ninguém pode ser aprovado se não for provado. Por isso, durante a nossa permanência aqui nesse mundo, passamos por muitas aflições (Jo.16:33). Porém, não podemos esquecer da soberania de Deus sobre nossas vidas. A Sua vontade é sempre boa, perfeita e agradável (Rm.12:2), embora muitas vezes, difícil de compreender.

As provações fazem parte do nosso crescimento. O conhecimento da Palavra de Deus e a atuação do Espírito Santo em nós, nos ajuda a vencer o nosso pior inimigo que somos nós mesmos. Temos dificuldade em abandonar o nosso ‘eu’, porque a carne milita contra o Espírito constantemente (Gl.5:17). Se não fosse pelas misericórdias do Senhor, jamais conseguiríamos vencer essa batalha.

Á medida que aprendemos a obedecer e colocamos em prática os seus ensinamentos, somos aperfeiçoados, assim prosseguindo, até atingirmos a maturidade cristã, passaporte para a vitória em Cristo Jesus. Amados, sejam perseverantes na fé, não desanimem, permaneçam fiéis ao Senhor e Ele vos recompensará. Amém, queridos!



IMAGENS DA AULA 
 
Presença do Pastor Vander, responsável por esta Igreja Evangélica Assembleia de Deus Anápolis

 Obrigado Senhor.
 
PLANO DE AULA

Tema:  A Vontade Soberana de  Deus 

Texto Base:  Mt.6:10

Versículo para Memorizar: “As Misericórdias Do Senhor São a  Causa de Não Sermos Consumidos” (Lm. 3:22:23)

Introdução

Deus nos deu o livre arbítrio para que pudéssemos, espontaneamente, demonstrar toda a reverência que lhE é devida. Porém, não é bem isso que acontece. Normalmente, somos inclinados a agir de conformidade com os nossos interesses pessoais e usamos essa liberdade para seguirmos em direção contrária aos propósitos divinos. Fazer a vontade de Deus, implica em primeiro lugar no conhecimento de Sua Palavra (Rm.2:17-18), em segundo, na submissão à Sua vontade e  anulação do nosso ‘eu’,  para que a luz gloriosa de Cristo resplandeça através de nossas vidas e ilumine o mundo.  Esse estudo se propõe, justamente, a refletir sobre essa questão.

Objetivos

Conhecer qual a perfeita vontade de Deus para as nossas vidas e aprender como  colocar em prática os seus ensinamentos.

A Postura do Homem Natural diante de Deus

O homem natural, (Clique Aqui e veja estudo especial no blog sobre os tres tipos de homem)  não “compreende as coisas do Espírito de Deus porque lhe parecem loucuras e não pode compreende-las porque elas se discernem espiritualmete” (1Co.2:14). O homem natural é aquele que ainda não foi regenerado (Jo.3:3), não recebeu a graça de Deus (Rm.8:1-14) e não tem em si mesmo a presença do Espírito Santo (Rm.8:9), portanto, não concebe as coisas espirituais. Tem uma vaga idéia sobre Deus, mas o seu racionalismo coloca em ‘cheque’ essa verdade, porque ele não aceita nada que não passe pelo crivo do seu intelecto. Como criaturas carnais, não se submetem à Lei de Deus e, portanto, não O agradam (Rm.8:.7-8; Is.59:2).

A Morte Espiritual

Segundo o que diz o adágio popular: “para quem não sabe para onde vai qualquer caminho serve”. Assim, essas pessoas seguem o curso de suas vidas sem direção porque não conhecem o verdadeiro caminho. Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo.14:6). Aqueles que O negam, estão mortos espiritualmente, mas é para estes que Ele veio (Jo.11:25-26), porque é vontade de Deus que todos se salvem (1Tm.2:4) e tenham conhecimento da verdade (Jo.17:17). Ele é paciente, segundo o que diz Pedro (2Pe.3:9), porque conhece as nossas limitações e nos ama (Jo.3:16).

O Homem Espiritual Diante de Deus

O homem espiritual é aquele que recebeu o dom da vida através da salvação (Jo.12,13). Nele, habita o Espírito Santo que atua diretamente para que as obras da carne não prevaleçam sobre as do espírito (Gl.5:17). Há uma luta constante que exige perseverança e separação do pecado (Lv.11:44-45; Dt.7:6).

O apóstolo Paulo ressalta que uma vez o Espírito de Deus habitando nesse corpo, ele se torna um santuário, um templo que deve ser preservado  (1Co.3:16,17). Diz ainda que o verdadeiro cristão deve crucificar suas paixões para que Cristo seja revelado através de suas ações (Gl.5:24).

Essa separação é para que não se perca a salvação (1Tm.4:16; Ap.2:14-17) e haja perseverança na fé (1Tm.1:19; 6:10:20-21) e na santidade (Jo.17:14-21; 2Co.7:1) e se tenha uma vida exclusiva para Deus. Na prática, implica em uma vida de entrega, de renúncia para que prevaleça a soberana vontade de Deus em detrimento de quaisquer outros interesses, o que significa, obediência.

A obediência vem do temor, resultante do conhecimento da Palavra de Deus, através do estudo sistemático das Escrituras Sagradas (Sl.1:6; Js.1:8;). Através da meditação da Palavra, se tem o entendimento da perfeita  vontade de Deus (Ef.5:17).  Por isso Deus recomendou  a Josué para que meditasse nos Seus mandamentos dia e noite, para não se desviar de seus caminhos (Js.1:8).

Nem Só de Pão Viverá o Homem

A Palavra de Deus é o alimento espiritual (Mt.4:4, Jr.15:16; 1Pe.2:22)) que nos fortalece e nos ajuda a crescer na vida cristã para que venhamos a produzir bons frutos na obra do Senhor (2Tm.2:15). Ela tem poder para transformar nossas vidas (Hb.4:12) e nos fazer refletir a luz de  Deus nesse mundo (Mt.5:14).

A partir desse entendimento, acerca da vontade de Deus, temos que ter a sabedoria de fazermos conforme o fez o salmista Davi, que pediu ao Senhor para que lhe ensinasse a fazer a Sua vontade ( Sl.143:10). Não é uma tarefa fácil, mas deve ser um exercício contínuo.

A Eficácia da Oração

A oração é o canal que nos liga a Deus e temos que lançar mão desse recurso sempre, para que Ele esteja no centro de nossas vidas. Essa atitude requer o reconhecimento da nossa condição de necessitados (Sl.40:17). Sem Ele nada somos e nada podemos.    

A oração que Jesus nos ensinou diz: “que seja feita a Sua vontade assim na terra como no céu” (Mt.6:9). Essa frase encerra o reconhecimento da Sua soberania, “porque dEle por Ele e para Ele, são todas as coisas” (Rm.11:36). A Ele seja toda a glória.

Mais adiante continua “Venha o Teu Reino, seja feita a Tua vontade” (v.10). O ensinamento contido nessas palavras é muito profundo. Significa que estamos dando plena liberdade ao Senhor para que Ele reine absoluto em nossas vidas, considerando que o seu reino está dentro de nós (Lc.17:21).    

É uma declaração de entrega, de submissão á sua vontade. Isso tudo, na prática, implica que em todas as situações de nossas vidas, temos que ter um compromisso com esse reino, tanto no sentido ético quanto moral. Para tornar mais claro, implica que a nossa vida tem que ser um testemulho dEle aqui na terra. Todas as nossas ações, seja no trabalho secular ou na obra, seja em nossos relacionamentos interpessoais, temos que agir conforme nos orienta a Palavra de Deus.


Conclusão

Fazer a vontade de Deus não é tarefa fácil porque implica em renúncia e submissão aos seus ensinamentos. Porém, é dever de todo cristão, tendo em vista que, embora vivamos neste mundo, já não mais pertencemos a ele. Portanto, a nossa conduta deve refletir o Reino de Deus em todas as situações para que sejamos testemunhas vivas do poder e do amor  Deus e, através de nós, muitos sejam alcançados. 

Sonia Oliveira

Veja aqui alguns dos Estudos disponíveis no Arquivo do blog:
  1. Samuel - Resposta ao chamado de Deus
  2. Juizes - Período Teocrático 
  3. Sansão - Exemplo de Imaturidade 
  4. Gideão - Um Homem Revestido de Poder 
  5. Abimeleque - Ambição Sem Limites 
  6. José do Egito 
  7. Josué e Calebe - Enfrentando o Gigante do Medo 
  8. Josué - A Derrota de Ai 
  9. Palavra de Deus - Uma Mensagem Transformadora 
  10. Evangelizar é Preciso! 
  11. A Vontade Soberana de Deus 
  12. O Espírito Santo a Terceira Pessoa da Trindade 
  13. Páscoa Cristã 
  14. Dons Espirituais 
  15. Missões com Excelência - A boa semente

terça-feira, 12 de março de 2013

Rute - Uma Mulher Altruísta

O teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt.1:16b)


Reflexão sobre o Tema

O livro de Rute é uma narrativa de um povo, que mesmo diante da apostasia generalizada  que imperava, se manteve fiél ao Senhor. Destaca-se na história, uma mulher, de nome Noemi, que pelo testemunho de sua fé, consegue a conversão de uma de suas noras de nome Rute,  jovem de costumes pagão, habitante de Moabe, que decide abandonar idolatria e se entregar ao  Senhor e seguir com a sogra um caminho de sacrifício, luta e também de vitória, pois o Senhor se agradou de sua decisão. 

Essa decisão muda completamente não só a história da jovem, mas também de Noemi. O desfecho da história nos ensina que Deus não faz acepção de pessoas. A sua graça e a sua misericórdia (Mt.9:38; Ef.2:1-10) supre as nossas fraquezas e nos concede novas oportunidades para recomeçar. 

Rute, enquanto moabita,  representa um grupo de pessoas que vive sem Deus, entregue a todo tipo de imoralidade e idolatria. Porém, o amor de Deus a alcançou, assim como tem alcançado a todos nós que hoje desfrutamos de um relacionamento com Ele e vivemos pela sua graça.

As duas mulheres foram para Belém sem saber o que as esperava, mas a providência de Deus não lhes deixou faltar nada, porque assim procede com todos que nEle confiam.  O altruísmo de Rute em relação a sua sogra nos recorda os ensinamentos de Jesus para com os pequeninos, os desvalidos de toda sorte (Mt.25:35-37). A atitude dela chamou a atenção não só de Boáz, mas de Deus que a abençoou grandemente.


IMAGENS DA AULA

 
Obrigado Senhor!

PLANO DE AULA

Tema: Rute – Uma Mulher Altruísta

Texto Base: Rute.1 a 4

Texto para Memorizar:O teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt.1:16b).

Objetivos

Ensinar às crianças que a soberania de Deus se sobrepõe a qualquer situação, interesse ou convenções humanas. Quando Ele decide, não há circunstâncias que possa impedi-Lo. Perceber que a providência divina acompanha os que nEle esperam e cofiam; Aprender com o altruísmo de Rute, o verdadeiro sentido do amor; Compreender o paralelismo exposto entre Boáz, como remidor e Jesus o Salvador.

Introdução

O livro de Rute possui apenas quatro capítulos e transcorre, basicamente,  sobre  três temas  relevantes os quais iremos abordar nesse estudo. No primeiro caso, narra a trajetória de uma família Israelita que, movidos pela escassez de alimentos em seu país, se desloca para Moabe,  território pagão – contrariando a  recomendação expressa de Deus para que isso não ocorresse - e lá permanecem por uma década, tendo seus filhos constituído casamento com mulheres daquela nação estrangeira.

No segundo caso, descreve a situação difícil da viuvez naquele período através da história de  Noemi que perde o esposo e seus dois filhos, seguidamente, e decide voltar para Belém. Nesse contexto, sobressai o amor abnegado de Rute, uma de suas noras que toma uma importante decisão de, não somente seguir com a sogra, mas também, de aceitar o seu Deus e os costumes de seu povo, deixando um passado de idolatria e enganos para tras.

O terceiro momento da narrativa descreve a providência de Deus para com as duas mulheres e o desenrolar de uma situação que coloca  Rute como uma das protagonistas do plano de redenção da humanidade.

Contexto do  Livro de Rute

A história transcorre no período dos juízes (Jz.21:25), onde a apostasia atingira um  índice alarmante e a depravação moral reinava em Israel. Em meio a esse contexto, havia remanecentes fiéis e tementes a Deus que eram escolhidos para assumir a liderança não só espiritual, mas também, como chefes militares com propósitos de defesa da nação. (Clique aqui e veja estudo detalhado a esse respeito) 

O motivo da fome não é descrita no texto (Rt.1:1), mas  possivelmente, como  os fatos ocorreram no período de juízes, pode ser decorrente de situações como as descritas em Gideão (Jz.6:1-6), onde havia constantes invasões dos midianitas, amalequitas e outros povos que atacavam e destruiam as plantações, provocando o empobrecimento e a fome ao povo hebreu. Porém, não há informações precisas que comprovem tratar-se do mesmo caso, há apenas especulações a respeito

As discussões teológicas a respeito da cronologia dos fatos narrados não são conclusivas. Há um grupo que defende a tese de um período entre Jefté e Sansão e outro, entre  Eúde e Débora. Não há consenso a respeito dessas conjecturas.

O que se sabe de fato, é que, embora a história tenha ocorrido durante o período dos juízes, somente foi escrita posteriormente, possivelmente durante a monarquia. Embora não haja fonte segura que aponte a autoria,  a tradição judaica (Talmute) atribui a Samuel.
  
Uma Família em  Fuga

O livro de Rute inicia com o relato sobre um casal eufrate - local próximo à Belém de Judá, Elimeleque e Noemi, que decidiram, por conta da situação de fome em seu país,  emigrar, juntamente com seus dois filhos, Malom e Quiliom para os campos de Moabe, cerca de 80 quilômentros de distância ao sul de Israel, em busca de condições de sobrevivencia até que cessasse aquela crise. Durante a estadia em terras estrangeiras, seus filhos constituíram matrimônio com as moabitas, Rute e Órfã, situação esta que contrariava a proibição do Senhor (Dt.23:3; Ed.9:1-2; Ne.13:23-30).

Elimeleque

O nome ‘Elimeleque’ significa ‘Deus é meu Rei’. Considerando o contexto de Israel no período de Juízes, onde havia se perdido o temor à Deus, esse nome vem demonstrar a atitude ousada dos pais em declarar, publicamente, que em sua família havia um Rei e que seus filhos seriam um testemunho dessa verdade. 

A Soberania de Deus Sobre As Nações

Talvez haja questionamentos acerca da atitude desse homem, conhecedor dos mandamentos de Deus, em contrariar a Lei (Lv.20;23), expondo sua família às influências de uma cultura pagã. Porém, no decorrer da história, veremos que em meio a tantas situações contraditórias, Deus estava conduzindo e preservando essa família porque havia um propósito divino reservado para a sua descendência, assim como foi o caso de José e Maria que tiveram que se refugiar por uns tempos no Egito até que se extinguisse o perigo para a vida do menino Jesus nos tempos de Herodes (Mt.2:13-140). Também no caso de Elias, o profeta tisbita, a fim de dar testemunho da providência divina,  foi conduzido  por Deus a um  território pagão, à casa de uma viúva pobre que vivia em Serepta com seu único filho (1Rs.17;8-24).

Essas situações todas nos levam a meditar sobre a soberania de Deus sobre as nações. Ele está no controle de todas as situações e acima de qualquer interesse. Quando Ele quer agir, usa quem quer,  não importa a origem, a  nacionalidade, a cultura ou a classe social. Ele observa em meio à multidão, as batidas do coração de cada  indivíduo, e se for preciso, move céus e terra para resgatar uma única alma e trazê-la para Si.

No caso da ida da família de Elimeleque à Moabe, foi providencial, havia naquele lugar uma jovem que despertara a atenção de Deus e para quem Ele já tinha planos elevados, apenas precisava que ela dissesse sim e isso aconteceu.  Essa situação nos remete ao entendimento de que tudo o que Deus faz é perfeito e nada acontece sem que haja um propósito elevado.

Moabe

Os moabitas e amonitas eram povos descendentes de Ló, por meio de relações incestuosas com suas duas filhas (Gn.19:37,38). Dessa geração nasceu povos idólatras e de baixa conduta moral. Estabeleceram-se na Transjordânia, território localizado à leste do mar Morto,  e próximo ao deserto da Arábia.  A Bíblia narra episódios onde esse povo tentou desarticular o povo de Deus, primeiramente, infiltrando suas crenças através de relações mistas entre os israelitas e as moças moabitas (Nm.25:1-2).

Mais tarde, manifestando franca hostilidade como no caso  ocorrido na época do Rei Josafá, quando, unidos entre si e com outros povos, se organizaram e promoveram um levante contra o Reino de Judá (2Cr.20:1). Durante o período dos juízes, eles subjugaram o povo de Israel e mantiveram um domínio que durou dezoito anos (Jz. 3:12-30). Suas incursões predatórias contra Israel eram frequentes (2Rs.13:20). Pelas razões expostas, por muito tempo não havia um bom relacioamento entre os Israelitas e os moabitas  (Dt.23:3).

Porém, o livro de Rute relata que Elimeleque foi procurar abrigo nos campos de Moabe em momentos de crise. Isso sugere que havia entre esses povos uma relativa paz. Esse fato nos leva a supor que talvez o episódio seja o mesmo descrito acima, durante o período de domínio que Moabe exercera sobre Israel, esse fato justifica o trânsito livre dos dois povos.

A Trágica Situação da Viuvez de Noemi

A tragédia parecia acompanhar aquela família porque tão logo se instalaram em Moabe, Elimeleque morreu, deixando noemi viúva. Ela permaneceu  naquele  terras  estrangeiras por mais dez anos com seus filhos e suas noras. Porém, seus filhos também morreram. Não havia mais motivos para continuar vivendo naquele lugar.

 A situação de viuvez agora atingira não somente ela, mas as noras. A viuvez naquela época era extremamente delicada, porque, se não houvesse filhos para arcar com os cuidados, a viuva ficava totalmente exposta ao opróbio.

Havia no entanto, a possibilidade de retornar à sua parentela e se sujeitar a lei do levirato, que determinava o casamento da viúva com o parente mais próximo a fim de lhe dar um filho e remir sua herança (Dt.25:5-9).  Essa lei tinha por objetivo preservar o nome de um israelita, caso ele morresse sem ter tido filhos.

A Decisão de Retornar à Belém

Noemi fica sabendo que a situação em Belém havia se estabilizado (Rt.1:6) e então decide retornar. Reúne-se com suas noras e despede-as para seguirem suas vidas e, quem sabe contrair outro casamento (v.8,9). Porém, o tempo de convivência entre elas havia gerado uma  afeição profunda. As noras não queriam de forma alguma abandoná-la e insistiram para seguir viagem com ela.

Noemi, embora estivesse sofrendo muito, não escondeu a gravidade da sua situação. Sabia que era incerto o seu futuro, pois já não tinha idade para contrair um novo matrimônio, conforme a lei determinava que se fizesse. Acreditava-se abandonada por Deus, tamanha as adversidades de sua vida.

O Sim de Rute ao Senhor – A Decisão que Muda Sua História

Órfã e Rute choravam enquanto ouviam a sogra Noemi argumentar. Ao final, Órfã se deixa convencer e se despede da sogra com um beijo. Rute, no entanto, permanece firme ao seu lado (v.14). Manifesta o desejo abenegado de segui-la por onde quer que fosse. Despe-se de todo e qualque interesse e abandona a si mesma e a todas as crenças para unir-se com Noemi pela fé, a um Deus Único, abraçando uma cultura totalmente diferente, mas sem se importar com essas questões, numa expressão de amor totalmente altruísta. 

A atitude de Rute foi muito corajosa, porque agora não era apenas uma viúva que retornaria, mas duas. E no caso dela, poderia se dizer que era pior, por se tratar de uma estrangeira. Estavam, ambas, em busca apenas da  sobrevivência. Sequer imaginavam as bençãos que o Senhor havia reservado para elas em resposta à fidelidade  e testemunho de fé no Deus único e verdadeiro. 


A Chegada em Belém

Tão logo chegaram à Belém, o povo veio-lhes ao encontro para saber se era mesmo Noemi que estava retornando. Ela, porém, muito triste com a sua condição de pobreza e abandono, desabafa dizendo:

20 “Não me chamem de Noemi a feliz, chamem-me Mara, a amargurada, porque o Deus Todo-Poderoso me deu muita amargura. 21 Quando  saí daqui, eu tinha tudo, mas o Senhor me fez voltar sem nada” (Rt.1:20-21).


O Trabalho de Rute no Campo

Quando Noemi e Rute chegaram, a colheita de cevada estava iniciando. Rute pediu permissão à sogra para ir catar os grãos que caíam ao chão, durante o trabalho de colheita (Rt.2:1,2). Na Lei de Moisés, havia uma exigência para o povo de Israel que tinha plantações para que permitisse aos pobres e necessitados  colher os grãos que caiam durante a colheita, a fim de se alimentá-los (Lv.19:9;23:22; Dt.24:19).

Boáz o Senhor do Campo

Sem se dar conta, a moça adentra à  propriedade de um homem chamado Boás que era parente do marido de Noemi, Elimeleque (Rt.2:3). Vendo-a, ele quis saber informações a seu respeito ao que lhe disseram tratar-se da nora de Noemi que viera juntamente com ela de Moabe (Rt.2:5,6). Essa atitude de Rute despertou no homem um profundo Respeito pela jovem.

Ele veio-lhe ao encontro cumprimentar e dizer que ela não precisaria mais procurar outro campo porque ali teria tudo o que precisasse, gozando inclusive, da proteção de seus trabalhadores. Ofereceu-lhe água quando tivesse sede e convidou-a a sentar-se à mesa durante as refeições de seus empregados (Rt.2:8,9).  

Rute ajoelhou-se diante do homem em agradecimento e perguntou o que teria feito para merecer tamanha consideração (v.10), ao que ele respondeu que ficara sabendo o que ela estava fazendo em favor de Noemi. Que abandonara tudo para segui-la e estava se desdobrando no trabalho para sustentá-la ali, em suas propriedades (v.11) e, segundo ele, esse gesto era muito nobre.

Boás deu ordens a seus empregados para que não a importunassem e facilitassem as coisas para ela, deixando cair mais espigas para que ela pudesse ter o que fosse necessário para suprir suas necessidades (v.15,16). E assim, após um dia inteiro de trabalho, Rute voltou feliz para sua casa e contou o que havia acontecido à sua sogra (v.17-19).

Paralelismo entre Boáz e Jesus Cristo

A recomendação de Boáz para que Rute permanecesse nos campos de sua propriedade era pelo fato de que ele desejava dar-lhe maior proteção. Estando ela distante ou em outras terras, isso seria difícil. Assim também, Deus nos cerca de cuidados (Sl.139:5) para que não sejamos expostos ao perigo. E quanto aos que estão em outros campos, Jesus veio para resgatá-los  (Lc.19:10) e trazê-los, como um pastor o faz com suas ovelhas (Jo.10:14), porque o inimigo ronda ao derredor como leão que ruge (1Pe.5:8). A nossa proteção vem de Deus, o Senhor dos Céus e da Terra, a quem tudo pertence.

Boáz ofereceu  o alimento físico, Jesus nos concede o alimento espiritual. Ele mesmo diz: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim, nunca mais terá sede” (Jo.6:35-NTLH). Ele nos convida a todos, a sentarmos à sua mesa, como uma família e cearmos com Ele, num momento de comunhão profunda, onde nos fortalecemos nEle, para enfrentarmos os embates da vida.  

Boáz foi  o remidor de Rute. Porém, Jesus é o remidor da humanidade. Ele veio ao mundo para nos resgatar do pecado. Pagou um alto preço, vertendo o seu sangue na cruz para nos conceder a vida abundante (Rm.5:8). 

O Remidor  

Noemi conta para Rute que Boás, era um remidor, ou seja, um parente próximo que tinha responsabilidade para com elas (Rt.2:21). Como remidor, ele poderia desposá-la, mas era necessário agir de maneira que ele entendesse que também Rute estava interessada nessa união. Noemi orienta Rute a proceder conforme era de costume na época a se aproximar de Boáz, deixando claro a sua intenção, e assim ela o fez (Rt.3:2-9).

Boaz entendeu perfeitamente o significado da sua aproximação, mas foi extremamente correto ao afirmar que havia, antes dele, outro parente que tinha prioridade para desposá-la (v10).  Porém, deixou claro que se não houvesse interesse da parte do mesmo, por algum motivo, ele a aceitaria como esposa (v.13).

Assim, Boáz vai atrás do parente mencionado e se reúne às portas da cidade, com alguns anciões, como testemunha da conversa que teria, conforme era  costume na época. Expõe a situação de Noemi e de sua nora. Diz que a viúva de Elimeleque desejava vender suas propriedades, mas que estas terras deveriam permanecer em família, portanto, somente um remidor poderia comprá-la.

O parente demonstrou interesse, porém, quando Boáz esclareceu que para isso ele teria que desposar Rute, o moço a isso ouvindo, se recusou, porque segundo a lei da época, se tivesse filhos com Rute, na verdade, não seriam seus, mas considerados como de Malon, o falecido (Dt.25:5-6), e a herança iria, automaticamente, para os filhos considerados legítimos.

Assim, para não comprometer a sua própria herança, o moço abre mão dessa prerrogativa, passando-a para Boáz que manifestara de antemão, interesse. Em sinal de desistência, o legítimo remidor passa para  Boáz esse direito e em sinal do acordo, dá a ele, como era de costume, suas sandálias. Esse gesto tinha o mesmo significado de uma assinatura, conforme é exigência em qualquer documento para que tenha validade, hoje em dia.

O Casamento de Rute

Mediante a desistência formal do primeiro remidor, Boáz anuncia a todos o seu direito adiquirido e afirma  que compraria todas as propriedades de Elimeleque e que casaria com Rute. Recebe por aclamação o apoio de todos (Rt.4:9:10).

Depois de fazer tudo conforme era costume, Boáz  desposa Rute e com ela tem um filho que recebe o nome Obede.  Noemi, feliz da vida tomou os cuidados do menino para si, sabendo-o como o filho que necessitava na sua velhice. Obede veio a ser o pai de Jessé que por sua vez fora pai do Rei Davi, de cuja linhagem nasceu Jesus, o Messias.


Conclusão

O livro de Rute é uma belíssima história que descreve a situação de uma família  que, mesmo diante da apostasia generalizada que se instalara em Israel, nos tempos dos juízes, prosseguem, como remanescentes fiéis dando o seu testemunho de fé e esperança.

O texto retrata a triste realidade da fome e da viuvez , mas também, da ousadia de duas mulheres que juntas decidem trilhar o caminho da vitória enfrentando grandes desafios para irem ao encontro de um lugar seguro, onde sabiam, havia  um Deus-Todo Poderoso a quem desejavam servir.

Rute, jovem de costume pagão se rendeu ao Senhor mediante o testemunho da sogra, a quem nutria profundo amor e respeito. Estava disposta a seguir com ela por caminhos desconhecidos, porém na certeza de que havia nesse lugar uma esperança porque sabia que somente Deus poderia mudar a sua história. Tomou a decisão de largar tudo e se entregar aos cuidados do Senhor, Deus de Israel, a quem aprendera a temer. Estava disposta a pagar  o preço para segui-Lo. Deus honrou a sua fidelidade e a colocou como protagonista do plano de redenção da humanidade. 

Sonia Oliveira

Veja aqui alguns dos Estudos disponíveis no Arquivo do blog:
  1. Samuel - Resposta ao chamado de Deus
  2. Juizes - Período Teocrático 
  3. Sansão - Exemplo de Imaturidade 
  4. Gideão - Um Homem Revestido de Poder 
  5. Abimeleque - Ambição Sem Limites 
  6. José do Egito 
  7. Josué e Calebe - Enfrentando o Gigante do Medo 
  8. Josué - A Derrota de Ai 
  9. Palavra de Deus - Uma Mensagem Transformadora 
  10. Evangelizar é Preciso! 
  11. A Vontade Soberana de Deus 
  12. O Espírito Santo a Terceira Pessoa da Trindade 
  13. Páscoa Cristã 
  14. Dons Espirituais 
  15. Missões com Excelência - A boa semente