domingo, 14 de setembro de 2014

A Oração de Habacuque

Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?
  
Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão?
Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita. 

Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida. (Texto Bíblico: Hc. 1.2-4)

Introdução

Habacuque tinha a noção exata da dimensão da iniquidade que se abatia sobre Judá. Porém, diante do quadro de sofrimento que pairava sobre a nação ele se compadece questiona o porquê de Deus permitir que seu povo fosse oprimido daquele jeito. Em resposta, Deus lhe mostra que o que estava ruim iria ficar pior ainda isto porque o povo seria submetido juízo divino. Mesmo ciente da situação, ele se coloca como intercessor do povo pedindo: 1) Que Deus compareça entre o seu povo com nova manifestação de poder. Isto porque ele tinha convicção, de que o povo não sobreviveria se o SENHOR não intervisse com um derramamento de sua graça e de seu Espírito. Somente assim, haveria verdadeira vida espiritual entre os fiéis. 2) Ora para que Deus se lembre da misericórdia em tempos de aflição e angústia. Pois que sem a misericórdia de Deus o povo pereceria. 

Contexto de Habacuque
Não há relatos na Bíblia sobre a genealogia de Habacuque e tampouco, referências quanto a datas específicas relativas ao período em que se deu os acontecimentos descritos nesse livro que trás o seu nome. Porém, de acordo com alguns indicativos históricos, como a menção aos caldeus (Hc 1.6) remete ao entendimento de que nesse período, a Babilônia já era uma potência mundial. Calcula-se que ele viveu entre 605 a 597 a.C.


Naqueles tempos, havia duas fortes potências que lutavam entre si pelo poder, Assíria e Egito. Numa dessas batalhas, Neco, o rei do Egito havia subido para lutar contra o rei da Assíria. Josias, rei de Judá, temendo pela segurança de seu reino, achou melhor atacar o exército egípcio, porém, foi morto na Batalha de Carquemis, em 608 (2 Rs 23.29). 


Neco , agora com todos os trunfos nas mãos, destitui a Jeoacaz, filho de Josias, que estava hà três meses no poder e o substitui pelo seu irmão, Eliaquim, mudando o seu nome para Jeoaquim, que governou por onze anos. Como rei tutelado pelo Egito, era obrigado a pagar pesados tributos (2 Rs 23.31-35). 


Jeoaquim, não obstante ser filho de Josias, homem piedoso e temente a Deus que durante seu governo procurou fazer tudo de conformidade com a Lei do Senhor, ao contrário de seu pai, governo sem o menor temor a Deus. A iniquidade e a idolatria formavam o cenário da época e muitos já haviam apostatado na fé. 


Os profetas Jeremias e Urias o advertiram sobre o seu triste fim (Jr 22.17-19; 26.20-23). Insandescido, ele rasga o rolo da Palavra de Deus que continha as mensagens do profeta Jeremias e manda prender o mensageiro (Jr 36.20-26) e da mesma forma, manda matar a Urias, que foge para o Egito. Porém, obstinado, manda sequestra-lo trazendo-o de volta à sua presença onde o mata à espada ( Jr 26.20-23).


Habacuque questiona o silêncio de Deus diante do caos em Judá


Nesse contexto, Habacuque faz graves denúncias contra as injustiças sociais, a opressão econômica, violação dos direitos humanos, a decadência religiosa, moral e espiritual e indaga o porquê do silêncio de Deus diante desses acontecimentos. Em resposta à sua oração, Deus manifesta a sua intervenção quando se refere a invasão babilônica iminente ( 1.6): diz “eis que suscito os caldeus, nação amarga e apressada, que marcha sobre a largura da terra, para possuir moradas não suas”. Com isso assinalando que Judá estava na mira da justiça de Deus que estava enviando um povo obstinado pelo poder a fim de oprimi-los.

A Justiça de Deus exercida por meio de Nabucodonosor
As constantes guerras entre Assíria e Egito acabaram por enfraquecê-los a ambos. Aproveitando-se da situação, a Babilônia agora em ascensão econômica e militar, avança contra a Assíria vencendo-a. Não satisfeitos, seguem para enfrentar o Egito. A vitória de Nabucodonosor, rei da Babilônia, sobre o Faraó Neco, consolidou a Babilônia como nova potência mundial em ascensão. Nabucodonosor, no caminho de volta, toma Jerusalém e passa a exigir para si os tributos antes pagos ao Egito.


Algum tempo depois Jeoaquim se recusa pagar os tributos aos babilônicos. Enfurecido, Nabucodonosor reage drasticamente, fazendo três incursões sobre Jerusalém. A primeira incursão deu-se por volta do ano 606 a.C, onde levou consigo o rei Jeoaquim, que rendeu-se sem resistência (2 Cr 36.6), alguns nobres (entre eles, Daniel), e os e os vasos do templo. Nesse tempo, também, foi levado cativo o profeta Ezequiel (2 Rs 24.8).


Em 586 a.C, após dezoito meses de sítio, os exércitos do rei da Babilônia na terceira incursão, saquearam a cidade de Jerusalém. Arrasaram-na totalmente, destruindo também o templo. O rei Zedequias foi capturado quando tentava fugir e levado à presença de Nabucodonosor. Seus filhos foram mortos em sua presença, seus olhos foram vazados, e ele levado cativo para a Babilônia com o seu povo (2 Rs 25).

Mensagem do livro de Habacuque
Habacuque sentia-se perplexo porque a iniquidade, as contendas e a opressão estavam impregnadas no povo de Judá. Aos seus olhos, parecia que Deus estava indiferente e por isso não tomava nenhuma atitude para solucionar o problema. Então, por duas vezes ele se ele se queixa a Deus e por duas vezes Deus lhe responde. Na terceira vez, ele entende a perfeita, boa e agradável vontade de Deus (Rm 12.2b). Esses diálogos com Deus estão divididos em três momentos. Primeiro ele clama por justiça (1.1-11), depois questiona a coerência de Deus (1.12-2.20) e finalmente, após compreender os propósitos elevados do SENHOR, ele se prostra em adoração, louvando a Deus pela sua intervenção na vida de seu povo ( 3.1-19). Ele entende, finalmente, que mesmo quando tudo parece um caos, ainda assim, Deus está no controle. 

1) Primeira Queixa de Habacuque: Justiça (v.2-4)
Ele começa a questionar a Deus: “até quando SENHOR clamarei por socorro sem que tu ouças?”(1.2). Ele se queixava, quanto tempo ainda deveria continuar buscando pelo socorro divino, clamando sem resposta. Lamenta o fato de poder ver com exatidão o que estava acontecendo, no entanto, sem poder fazer nada a respeito. O seu contexto era desolador. Jeoaquim, era um rei ímpio, cruel, ambicioso e corrupto. Durante seu governo, promoveu à idolatria, levando a nação à apostasia. Impôs sobre o povo um pesado julgo, onde predominava a injustiça social, a maldade e a violência. Os ricos donos de terras controlavam os tribunais por meio de propina e o pobre era oprimido, não tendo quem os defendesse. 


Habacuque, ora a Deus, pedindo-lhe que pusesse um fim à iniquidade que reinava entre o povo do concerto e que restabelecesse a paz e a justiça. Deus, no entanto, permanecia em silêncio, e isso parecia aos seus olhos, total indiferença, porque o quadro permanecia o mesmo. No seu entendimento, parecia que Deus estava tolerando a injustiça e destruição dos justos. Totalmente movido por esse sentimento, o profeta começa a questionar a Deus a respeito dessas coisas. 


Quantas vezes também, agimos de forma semelhante, questionamos a Deus quando não compreendemos algumas situações que permanecem sem resposta. Muitas vezes, já esgotados, desanimados e sem forças até mesmo para orar, elevamos o nosso olhar para o Alto e a única palavra que sai de nossa boca é um gemido, um lamento de dor, uma lágrima, que registra esse momento de angústia. É assim, exatamente dessa forma que o profeta se encontrava. Totalmente desalentado, crendo mesmo que o SENHOR, estava indiferente à tudo que estava acontecendo. 

A Resposta de Deus (v.5,6)
Deus, em resposta a Habacuque, diz que o seu juízo sobre Judá estava prestes a acontecer. Expôs-lhe em detalhes, que lançaria mão dos implacáveis babilônios como “vara de correção” sobre o seu povo. Essa notícia deixa o profeta atônito. 

5 Vede entre as nações, e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos, porque realizo, em vossos dias, uma obra, que vós não crereis quando vos for contada. 6 Porque eis que suscito os caldeus, nação ímpia e apressada, que marcha sobre a largura da terra, para possuir moradas não suas” (Hc 1.5,6). 

Ao tomar conhecimento de que Deus usaria uma nação ímpia como instrumento de correção para com o seu povo, o profeta fica perplexo. Agora é que ele não estava entendendo mais nada. Primeiro porque em suas orações estava pedindo socorro, segundo, porque a resposta do Senhor o surpreende, ao invés de enviar socorro, Ele diz que vai enviar uma nação inimiga para oprimir ainda mais a nação. Não era exatamente essa a resposta que ele esperava ouvir de Deus. Pareceu-lhe terrível demais saber que o sofrimento do povo escolhido, não cessaria, ao contrário, a situação ficaria ainda pior do que já estava. O propósito de Deus era extirpar toda a idolatria do meio de seu povo. Esse processo seria doloroso, porém, necessário. Somente após essa lapidação, haveria a restauração e o povo seria fiel. 

Quando pedimos a Deus uma resposta e não a obtemos, não significa que Deus não esteja trabalhando em nosso favor, pois que “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”(Rm 8.28). Muitas das vezes, Deus silencia porque, segundo os seus propósitos, a obra não está completa e pode ser que a situação ainda perdure por algum tempo ou talvez, fique pior do que está, conforme o caso acima descrito. Nesse caso, Deus se cala, porém, de forma alguma está indiferente. Ao contrário, Ele sempre age em favor dos seus, “porque o SENHOR, corrige o que ama” (Hb 12.6a). E no final, seus propósitos são sempre elevados. 

2) Segunda Queixa: Questiona a Coerência de Deus ( v. 1.12; 2.20)
Habacuque se queixa de novo. Ele não entende como é que o Santo Deus, que não tolera a maldade, poderia usar os babilônios como instrumento de sua vontade para efetuar a justiça (1.12; Jr 25.8-14). Essa ideia o incomodava porque lhe parecia incoerente com o caráter de Deus. Desta forma, continua argumentando, questionando, inclusive, a soberania de Deus, mesmo que de forma respeitosa, dizendo: “por que, pois, olhas para os que procedem aleivosamente e te calas?” (1.14b). Compara os babilônios a pescadores que pescam sem que haja necessidade, apenas pelo prazer de matar os peixes. Segundo ele, as vítimas da Babilônia eram como os peixes indefesos que entram nadando numa rede. 

Deus Responde pela Segunda vez
O profeta, inconformado, diz que iria permanecer no seu posto de sentinela aguardando a resposta de Deus (2.1). Posto de sentinela é lugar de observação, de silêncio e vigilância. É essa a posição de quem espera no SENHOR uma resposta. É preciso silenciar o nosso “eu” para que possamos ouvir a voz do SENHOR. E a resposta veio logo em seguida. Deus disse-lhe que pegasse tábuas e registrasse a visão que lhe seria concedida acerca de acontecimentos que sucederiam num futuro próximo, e que as colocasse em lugar bem alto, em destaque como nos “outdoors”, para que, todos quantos por ali passassem pudessem visualizá-las. (2.2,3). 

A visão concedida por Deus deve ocupar lugar de destaque, como uma placa que indica o caminho seguro para um caminho desconhecido de tal forma, que mesmo se saber a localização exata, seguindo as orientações da mesma, qualquer um poderá chegar ao seu destino. Da mesma forma, quando Deus revela aos homens sua vontade através da visão, Ele dá propósito existencial, torna real o que ainda está por vir. As orientações dadas ao profeta para registrar esses acontecimentos serviriam, não apenas para aquele povo ou aquele momento, mas também, para as gerações vindouras, servindo de alerta a todos quantos tiverem acesso a essa leitura. Só há um jeito de chegarmos aos Céus, que é por meio de Jesus Cristo, qualquer outro caminho nos levará à perdição e nos submeterá à justiça de Deus.

Nós como cristãos, temos também a incumbência de anunciarmos a Palavra de Deus, utilizando todos os recursos disponíveis para evangelizar, para que todos tomem conhecimento acerca dos acontecimentos futuros, para que no presente, tenham a oportunidade de reavaliar o seu relacionamento com Deus e tomar posição, antes que seja tarde.

Neste sentido, a visão proporcionada a Habacuque era um fato, algo que já estava definido, a justiça de Deus seria aplicada, Deus disciplinaria o seu povo rebelde através dos caldeus. Porém, Ele queria deixar claro isso não seria para a morte e sim para a restauração. Que haveria um fim para o sofrimento e nesse sentido, a visão dada tinha por finalidade confortar os fiéis acerca do que sucederia, dando-lhes esperança, porque “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5b). Desta forma, compreende-se o verdadeiro sentido de que: “ o justo viverá pela fé, em sua comunhão com Deu”s (2.4). Por outro lado, afirma também, que viria um tempo em que todos os ímpios seriam destruídos.

O ímpio aqui é representado pelos caldeus (1.6-11, 2.4,5), um povo arrogante, cheios de orgulho por apoiar-se na sua força, no seu arsenal militar e nas suas estratégias de guerra. Porém, O SENHOR, é soberano e o aparente sucesso dessa nação, estava atrelada a grande Obra de restauração do povo de Deus. Nabucodonosor, o rei da Babilônia, era apenas uma vara na mão de Deus para castigar o Seu povo desobediente. 

Da mesma forma, Deus também pode usar o ímpio para atuar na vida do crente que se encontra nas mesmas condições espirituais desse contexto aqui descrito, para que haja um despertamento. É nesse sentido que Deus chama ao orgulhoso rei de “meu servo” (Jr 25.9), porque na verdade, sem se dar contas, ele prestava serviços a Deus. 

Ele foi colocado sobre os homens, mas estava debaixo das potentes mãos do SENHOR. Mas o orgulho começou a crescer e ele teve a falsa ideia de que era um semideus. E Deus então, quebra a vara e leva o poderoso Nabucodonosor a passar sete anos de sua existência comendo capim (Dn. 4.32,33). Ao final dessa experiência ele dá testemunho da grandeza do poder de Deus, tanto que o capítulo quatro foi escrito por ele. Chegou à conclusão de que não era nada e nem ninguém sem Deus. Mas precisou descer à humilhante condição de loucura descrita em seus relatos para chegar ao arrependimento. Tempos mais tarde, Deus suscitou o Império Medo-Persa, sob o comando de Ciro, para destruir por completo a Babilônia (Is 14.3-23).

3) O Cântico de Adoração de Habacuque (cap.3)
Depois de ter ouvido e visto através da visão o que Deus tinha a lhe dizer, Habacuque reconhece a soberania de Deus a sua grandeza e a sua majestade. O profeta que começara o livro chorando, agora está cantando, salmodiando e glorificando o nome do SENHOR. Ciente de que o povo seria submetido à juízo e que não havia possibilidade de impedir isso, encheu-se de temor e então, fez dois últimos pedidos:

Primeiro, que Deus manifeste no meio do povo com novas manifestações de poder. “aviva ó SENHOR, a tua Obra no meio dos anos” (3.2b). Ele entendia que o povo não sobreviveria se não houvesse um mover grande da parte de Deus sobre suas vidas para que fossem despertados do sono profundo em que se encontravam, da frieza espiritual do descaso para com Deus. Por isso ele pede um derramamento de Sua graça e de Seu Espírito no decorrer dessa experiência no exílio para que eles fossem avivados. 

Segundo, Habacuque ora para que Deus se lembre da misericórdia nos dias de angústia e aflição, pois sem ela, o povo pereceria no pecado, sem nenhuma chance. A misericórdia de Deus é uma porta que se abre quando tudo parece perdido. É por meio da sua compaixão que o pecador é atraído para os seus braços e esse convite amoroso é necessário para que haja reconciliação e posterior compromisso com Deus. Por isso o profeta pede por avivamento, pois só se aviva quem está por um sopro de vida, ou seja, à beira da morte. É por meio do derramamento do Espírito Santo que sentimos, de uma forma muito intensa e pessoal a presença de Deus em nossas vidas como que a soprar em nossas narinas o fôlego da vida. 

Em meio à sua petição ele entoa um cântico ao SENHOR, em adoração, exaltando os feitos de Deus quando retirou o seu povo do Egito. A experiência profunda que tivera com Deus o fez sentir-se enfraquecido na carne, suas pernas tremeram e sentiu-se fraco (3.16). Mesmo sabendo de tudo o que sucederia, ele reconhece que Deus é Deus e sabe o que faz. Então, ao invés de murmurar ele começa a glorificar com estas palavras: “ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, todavia, exultarei no Deus da minha salvação” (3.17,18).

Conclusão
Depois dessa experiência com Deus, o profeta sentiu suas carnes fracas (3.16). Essa fraqueza denota que a carne havia enfraquecido diante da elevação espiritual que a experiência com Deus havia lhe proporcionado. Quem, senão pela fé pode afirmar que mesmo apesar de todas as tribulações ainda assim, será fiel até o fim? Mas essa foi a resposta de Habacuque após compreender os motivos que levam Deus agir dessa ou daquela maneira. A visão espiritual concedida ao profeta permitiu-lhe a compreensão exata de tudo o que estava acontecendo e o que haveria de suceder no porvir. Essa visão possibilitou-lhe o entendimento de que Deus está no controle de todas as coisas e que em tudo há um propósito elevado. Quando Deus permite algo ruim acontecer é porque desse mal, certamente, resultará algo bom em nossas vidas. É por isso que Habacuque começa o seu livro chorando e termina glorificando. Que o nome do SENHOR seja exaltado hoje e sempre.

Sonia Oliveira

Veja aqui alguns dos Estudos disponíveis no Arquivo do blog:
  1. Samuel - Resposta ao chamado de Deus
  2. Juizes - Período Teocrático 
  3. Sansão - Exemplo de Imaturidade 
  4. Gideão - Um Homem Revestido de Poder 
  5. Abimeleque - Ambição Sem Limites 
  6. José do Egito 
  7. Josué e Calebe - Enfrentando o Gigante do Medo 
  8. Josué - A Derrota de Ai 
  9. Palavra de Deus - Uma Mensagem Transformadora 
  10. Evangelizar é Preciso! 
  11. A Vontade Soberana de Deus 
  12. O Espírito Santo a Terceira Pessoa da Trindade 
  13. Páscoa Cristã 
  14. Dons Espirituais 
  15. Missões com Excelência - A boa semente
  16. É Tempo de Despertar 
  17. Epístola aos Filipenses

terça-feira, 17 de junho de 2014

Os Frutos do Espírito

“Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Gl.5:25)
Reflexão sobre o Tema

Não somos capazes, por mérito próprio a termos uma vida correta e digna. Também não conseguimos por nós mesmos, manifestarmos sentimentos nobres senão pela atuação do Espírito Santo. O homem natural não consegue gerar e manifestar frutos dignos de louvor, sem a ação divina em seus pensamentos e emoções. A natureza humana, em sua constituição, é diretamente afetada pelo pecado, e só a presença do Senhor no coração do homem pode reverter o curso normal das inclinações pecaminosas.

O Fruto do Espírito Santo é a manifestação das virtudes divinas em nosso caráter, influenciando diretamente nosso relacionamento com Deus, com o próximo e nossa vida particular. Uma pessoa alcançada pela salvação revela o poder transformador do Evangelho em ações que exaltem o Pai Celestial diante da sociedade, glorificam a pessoa de Cristo e comprovam o domínio do Espírito Santo em seu coração (Mt 5.16).

A vida Cristã é uma batalha entre as obras da natureza pecaminosa e o Fruto do Espírito Santo. Como seres mortais, ainda estamos sujeitos a um corpo que deseja coisas pecaminosas, porque a presença de Deus não aniquila a carne e suas paixões (Rm 7.14-25). Contudo, temos o Espírito Santo produzindo em nós o Seu Fruto, nos dando o poder que necessitamos para vencer as tentações produzidas pela lei do pecado que em nós habita (2 Co 5.17; Fil.4.13) até recebermos um corpo glorioso e incorruptível (1 Cor. 15:49). 

PLANO DE AULA

Tema: Os Frutos do Espírito

Texto Base:  Gálatas 5:22-25

Versículo para memorizar:  “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Gl.5:25).

Objetivos

Ensinar às crianças que da obediência a Deus nasce uma árvore que, regada pelo Espírito Santo todos os dias produz bons frutos.

Introdução

O novo nascimento garante ao crente a presença do Espírito Santo que se torna um grande amigo e conselheiro no processo de restauração. Os frutos do Espírito Santo, aos poucos, vão delineando o novo caráter do crente. Esse processo de crescimento começa  pela meditação da Palavra de Deus que nos fortalece, edifica e ensina e pela oração que nos liga ao criador.  

Procedimento

1º Momento - Utilizar a ilustração de uma árvore  e seus ramos, confome ilustração bíblica (Jo 15.1-17). Deixar claro que a árvore (videira) é Jesus (v.5) e que os galhos somos nós. Há galhos que não produzem frutos (v.2) e, por isso, são arrancados da árvore, porque o propósito da árvore é produzir frutos. Os ramos que não permanecem na árvore secam e morrem e logo, são lançados no fogo para serem queimados (v.4). Longe da árvore, o galho seca e morre. Os galhos que produzem frutos são podados e limpos. A poda, espiritualmente falando, refere-se ao processo de  santificação (2Ts 2.13) do crente. A poda espiritual desenvolve uma maior evidência da natureza de Cristo, levando-nos ao estado de maturidade cristã.

2º Momento - Colocar sobre a árvore, alternadamente, as ilustrações dos frutos do Espírito.

3º MomentoExplicar  o significado de cada um dos frutos do Espírito Santo , deixando que as crianças interajam emitindo o seu entendimento antes e após a explicação, a fim de  verificar o seu entendimento.

4º MomentoExposição do tema com roteiro de estudo bíblico, explicando as várias fases do desenvolvimento da nova criatura em Cristo Jesus.

Subsídio para o evangelizador

Novas Criaturas em Cristo Jesus – (Contação de História)

Ao aceitarmos a Jesus, começa uma nova etapa em nossas vidas. Temos que abandonar a vida de pecado e mudarmos a direção de nossas vidas, nos opondo relutantemente às obras da carne (Rm 8.6-8; Gl 5.17,21).

Esse processo não é  tarefa fácil e por isso, Deus nos concedeu o Espírito Santo que nos auxilia em nossas fraquezas (Gl 5:18) e derrama sobre nós os seus frutos (Gl 5.22-23), a fim de assimilarmos a mente de Cristo (1 Co 2.15-16) e nos tornarmos, verdadeiramente, novas Criaturas (2 Co.5:17).

O Pão que Alimenta a Alma e Fortalece o Espírito

Para resistirmos às investidas de Satanás (Ef 6.10-17), que vai tentar o tempo todo nos tirar da presença do Senhor, temos que estar inseridos, primeiramente,  no corpo de Cristo (1 Co 12.12-31), nos alimentando da Palavra de Deus (Mt 4.4) e meditando nela, dia e noite, (Js 6.8-9) - conforme o Senhor orientou a Josué . A fim de  nos fortalecermos e não tropeçarmos no engano (Ef 4.14). A oração e o cumprimento dos mandamentos de Deus resultam numa estreita comunhão (Jo 14.15) com o nosso Criador e esses ingredientes favorecem o crescimento e desenvolvimento da maturidade cristã.

Condições para Produzir Frutos

Há pelo menos três condições, conforme vimos, para que ocorra uma colheita abundante de frutos espirituais:

  • Sermos podados pelo Pai – “ Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.5,6) . Passar pela poda, portanto, é  nos submetermos à ação do Espírito Santo e permitirmos a correção necessária que nos purificará e nos levará à santificação (1 Ts 5.23; Hb 12.10-14).

  • Permanecer em Cristo – “...permanecei em mim e eu permanecerei em vós” (Jo 15.4). Permanecer refere-se a posição em relação à Cristo, ou seja, à comunhão com Ele (Ef 2.6). Precisamos estar em Cristo da mesa forma que o ramo deve estar na videira. “Se alguém está enxertado em Cristo, nova criatura é” (2 Co5.17). A idéia de estar “enxertado” indica uma ligação muito profunda. Esta, portanto deve ser a ligação do crente com Cristo para que possa se tornar frutífero.

  • Cristo em nós – “...e eu permanecerei em vós (Jo.15.4). Diz respeito à nossa frutificação, ou semelhança com Cristo. Isso somente se dará quando atingirmos a maturidade cristã e o caráter de Cristo estiver refletido em nós. Quem permanece em Cristo deve andar como Ele andou e isso só é possível através do Espírito Santo. Cristo é a seiva que mantém os ramos vivos e os torna frutíferos.

A Carne Milita Contra o Espírito

Paulo, nesta epístola descreve quais são os frutos da carne (Gl 5.19-21) e quais os do espírito (v.22). Adverte que uma milita contra a outra, se opondo entre si (v.17). Reforça o entendimento  a todos que são nascidos em Cristo, que todas as paixões que nos escravizavam foram  crucificadas com Ele (v.24).

Frutos da Carne

Paulo nos oferece uma lista enorme do que considera frutos da carne as quais  “são: prostituição, impurezas, lascívia,  idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias (Gl 5.19,20)

Frutos do Espírito

Somos inclinados para o pecado e, portanto, embora libertos por Cristo, encontramos grandes dificuldades para nos libertar das vicissitudes e dos atavismos que entulhamos em nossos corações. A presença do Espírito Santo é a água purificadora que nos lava e purifica dia após dia de toda imundície  (Is 4.4a).

As mudanças, efetivamente só ocorrem mediante intervenção do Espírito Santo que atua diretamente em nossos corações. É ele quem nos ensina a compreender a mensagem de Deus e jorra em nossos  corações a água viva que faz brotar a seu turno os seus  frutos.

Os frutos do Espírito Santo são: “Caridade (amor), Alegria, Paz, Longanimidade (paciência), Benignidade (amabilidade), Bondade, Fidelidade (fé), Mansidão (humildade), Temperança e Domínio Próprio” (vv. 22).

·          Caridade -  “Caridade é a manifestação do amor. O amor é paciente , é bondoso, não tem inveja, não é orgulhoso, não busca seus próprios interesses, não guarda rancor [...], tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta; não suspeita mal.” ( 1Co. 13:4-7). O amor é a dimensão mais importante do fruto espiritual, tanto que Jesus disse: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros. E nisso conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo.13.34,35)

·       Alegria -  “A alegria do Senhor é a nossa força.” (Ne.8:10). Trata-se nesse caso, de uma alegria que independe de circunstância ou sentimentos, é um dom de Deus. A palavra alegria, nesse caso deriva do grego chara que significa uma alegria que não depende de circunstâncias, mas sim do relacionamento com Deus:”...o meus espírito se alegrou em Deus, meu Salvador (Lc.1.47). Assim, podemos experimentar a alegria em meio às adversidades, porque a Palavra nos consola: “os que semeiam em lágrimas, colherão com alegria” (Sl,126:5) e completa ainda dizendo que  “a vossa tristeza se converterá em  alegria (Jo.16:20b).

·     PazTrata-se de uma paz que excede todo entendimento humano porque vai além das circunstâncias. É uma paz que só Jesus pode dar: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá”. (Jo 14.27a). A paz, outorgada pelo Espírito Santo é um estado de extrema tranquilidade ou quietude porque sabemos que Deus é o autor da Paz e nEle colocamos todas as nossas aflições  e podemos encontrar nEle a perfeita paz e descanso: “Tu és o meu refúgio e fortaleza...” (Sl.91). Temos a certeza de que Ele suprirá todas as nossas necessidades (Fp.4.19) e por isso descansamos.

·       Longanimidade - É a qualidade dada por Deus que faz o homem ser paciente até na provação, é a perseverança. No livro de Provérbios encontramos a seguinte citação que nos diz: "Melhor é o longânimo do que o valente, e o que governa o seu espírito do que o toma uma cidade" (Pv.16.32). Esse termo sugere tolerância que suporta injurias e aceita situações de irritação ou dor. Nisso, cabe bem a orientação de Tiago que nos diz: "Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. (Tg.1.19,20).

·    Benignidade - É a disposição em ser bondoso com o próximo. Significa excelência de caráter, pensar bem a respeito das pessoas (daí o fato de estar ligada com o julgar). Ser benigno significa também ser flexível. Deus não quer que sejamos demasiadamente exigentes para com os outros, senão para conosco mesmo. Bondade é a ação de ser bom, gentil e reto  com o próximo. A benignidade é o desejo pelo bem, a ausência de más intenções, a busca pelo bem estar de nossos semelhantes. A manifestação deste sentimento nobre no interior de um cristão o impede de desejar o mal a alguém, ainda que este tenha cometido graves erros (I Co 13.4). “Quando eu disse: O meu pé vacila; a tua benignidade, SENHOR, me susteve” (Sl 94.18).

·         Bondade A bondade e a benignidade se distinguem por uma linha tão tênue que quase não dá para se perceber a diferença ou complementação uma da outra já que existe, senão, não seriam denominadas diferentemente. Se por um lado a benignidade é a manifestação de um caráter cordial que atraí o ser humano, por outro lado, a bondade, põe em prática, coloca em ação o ato de entrega para com os outros. A palavra "bom" no entender da Escritura significa literalmente "ser como Deus", porque Ele é o único que é perfeitamente bom. Uma coisa é ter padrões éticos elevados, outra coisa é a bondade que o Espírito Santo produz, que tem suas raízes em Deus. É fazer o bem a partir de um coração bom, é agradar a Deus sem esperar medalhas ou recompensas. Cristo quer que este tipo de bondade seja o normal em cada cristão.

·         Fé (Fidelidade) Fidelidade é a qualidade de quem possui fé. A fé que não conduz o crente à fidelidade, não tem valor nenhuma para a prática na vida cristã, portanto é uma fé morta (Tg 2.14-26). Esta virtude baseia-se no nosso crer em Deus e na confiança profunda e permanente de que Ele nos sustentará em todas as circunstâncias da vida (Mt 17.20; 23.23; Mc 9.23; Lc 17.6; Romanos 1.17/ 1 Timóteo 6.12/ 2 Timóteo 4.7/ Hebreus 6.1; 10.38,39; 11.1/ 1 Jo 5.1-5).A fé viva impede-nos de sermos vencidos pelas provações (2 Co 4.13). É por meio da fé que Deus move o sobrenatural em nossas vidas, tanto é importante no relacionamento com Deus que a Bíblia diz que “Sem ela, é impossível agradar a Deus “(Hb 11.6a).

·    Mansidão - É uma virtude amorosa, pela qual nos conservamos pacíficos, com serenidade e brandura, sem alterações, quando nos confrontamos com coisas desagradáveis. É a capacidade de dominar  os próprios impulsos diante de situações adversas.  Ser manso e pacífico  é ter a capacidade de se controlar diante daquilo que nos irrita; é aquele capaz de perder uma discussão, sem se exasperar; é aquele capaz de discutir um assunto sem perder a calma; é aquele capaz de ser livre do espírito de vingança, mesmo diante da provação. Mansidão é a força sendo dominada. Moisés e Jesus eram mansos (Nm. 12.3; Mt.11.29), mas mostravam força para enfrentar as autoridades poderosas de seu tempo e condenar claramente seus pecados (Êx.32.19,20; Mt. 23.1-12). Portanto, nós cristãos temos que buscar a sabedoria de Deus para agirmos com mansidão (Tg3.13).

·      Temperança (Domínio Próprio)É a  autodisciplina, o autocontrole. É a  capacidade de ser moderado, de dominar o ego e controlar a si próprio. A temperança implica dominar as paixões sensuais e moderar os hábitos diários, ao invés de satisfazer os próprios desejos (2 Tm 1.7). O domínio próprio é o controle que o cristão exerce sobre sua vida (Tiago 3.2). É a autodisciplina sobre suas palavras e atos.

Como Desenvolver estes Frutos?

Estes frutos só podem ser desenvolvidos à medida que nos dispomos a seguir as orientações do Espírito Santo, abandonando a carne e vivendo no espírito (Gl 5.18). A esse respeito, Paulo nos exorta dizendo: “andai em Espírito” (v.16a), ou seja, trata-se nesse caso de uma luta que exige de nós uma atitude firme de renúncia ao pecado e disposição para assimilarmos as mudanças que o Espírito Santo quer operar em nós. Sozinhos não teremos vitória sobre as nossas vicissitudes, precisamos reconhecer as nossas fraquezas e nos entregarmos a doce ação do Espírito Santo. Nós nos preocupamos demasiadamente com os dons espirituais e negligenciamos os frutos do Espírito. Ambos devem caminhar juntos  

Conclusão

Nós, cristãos, devemos nos espelhar em Jesus que é o modelo perfeito de todas as virtudes. Abandonar a “velha criatura” não é tarefa fácil, precisamos da ajuda do Espírito Santo para nos conduzir por um novo e vivo caminho. Esse caminho passa pela luz do entendimento que vem através do conhecimento da Palavra de Deus. Paulo nos orienta “não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Só poderemos compreender a vontade de Deus através do estudo das Escrituras Sagradas. O nosso coração é um campo fértil onde a Palavra de Deus é semeada. À medida que o Espírito Santo vai regando, começa a brotar os frutos. A Palavra de Deus nos diz que “Toda árvore boa dá bons frutos” (Mt 7.15-20). 


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

JABEZ - A Oração que Mudou uma História

"Jabez orou ao Deus de Israel dizendo:  
Se me abençoares muitíssimo e meus termos amplificares e a tua mão for comigo, e fizeres que do mal não seja aflito!” (1Crônicas 4.10)

         INTRODUÇÃO

A Bíblia fala que Jabez era um homem marcado pela dor e pelo sofrimento. O seu nome significa sofrimento. Sua mãe deu-lhe esse nome devido às complicações de parto que lhe impôs muitas dores. Jabez carregava consigo o estigma de um nome que impunha derrota em sua vida. Mas chegou um momento em sua vida que ele teve um encontro com a Palavra de Deus e a sua sorte foi mudada.

Ele, provavelmente deve ter meditado sobre os feitos do Senhor aos patriarcas como Abraão, também na vida dos profetas e uma esperança se acendeu em seu coração. Ele creu que somente esse Deus poderia mudar a sua história e sem titubear, com ousadia, invocou sobre si as bênçãos do Senhor.

A oração de Jabez é simples e objetiva, mas de um significado profundo. Ele fez quatro pedidos a Deus e foi prontamente atendido. O que havia de especial naquela oração que rasgou o Céu e tocou o coração de Deus? Vamos analisar juntos esse texto pra compreendermos melhor.

Quem era Jabez?
É interessante observarmos que esta história está inserida em um livro muito pouco lido na Bíblia, a não ser por estudiosos, por se tratar da genealogia do povo hebreu. Em meio a uma listagem de mais de 500 nomes, o autor se detém pra fazer menção a Jabez, um nome que figurava entre os da tribo de Judá, dizendo que ele era o mais ilustre entre os seus irmãos (v 9).

Poderia tratar-se de mais um nome entre tantos, mas Jabez conseguira notoriedade e destaque no meio em que vivia. Como a luz do sol resplandece manifestando a Glória de Deus a cada dia, também, os seus escolhidos se destacam porque é manifesto o poder de Deus em suas vidas. A Palavra do Senhor nos diz: “vós sois a luz do mundo” (Mt 5.14a). Esse brilho emana do Alto e nós, povo seu, apenas refletimos esse brilho como  a Lua, que não tem luz própria, mas que reflete a luz do Sol, assim, a presença de Deus em nossas vidas nos faz visíveis por todos, como um farol na escuridão.

O Estigma de um Nome

No período do Antigo Testamento, quando se escolhia um nome para um filho, esse nome tinha um significado que revelava as circunstâncias do nascimento ou da fé dos pais. Em muitas das situações, quando Deus escolhia alguém, como no caso de Abraão, Sara e Jacó ele mesmo mudava os seus nomes. Isso nos chamando a atenção pra que possamos perceber que o Senhor nos dá uma nova identidade, apagando em nós toda culpa, todo peso proveniente da nossa vida longe de sua presença. Hoje, isso não mais acontece, mas o Deus que operou na vida de tantos no período bíblico, é o mesmo que opera em nós nos dias atuais. E ele continua transformado vidas.

Em Cristo Jesus Somos Livres

Hoje em dia, muitas crenças exotéricas, estimulam as pessoas a mudar o nome afirmando que o sucesso ou fracasso de suas vidas estão ligados a eles. E muitos, por modismo ou ignorância acabam por acatar essas sugestões em suas vidas. São pessoas supersticiosas que vivem presas na ‘rede’ do engano.

Mas Jesus veio pra nos libertar de toda escravidão. A Bíblia nos ensina que: “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Co 5.17,18). Significa que somos livres. Não há mais condenação sobre nós provenientes seja lá do que for. Não há necessidade de “quebrar maldição”, porque Cristo se fez maldição por nós na Cruz do Calvário, levando toda a nossa culpa (Gl 3.13). Conforme diz Paulo: “não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos” (Rm 8.15).

Temos a Marca da Promessa

 
a) Espiritual

Ao recebermos a Cristo somos aceito como filhos de Deus (Jo 1.12). Como filhos somos herdeiros de Deus, isso significa que temos a marca da promessa em nós, conforme Paulo diz aos efésios: “[...] tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa o qual é penhor da nossa herança” (Ef 1.13,14a). Temos o selo de propriedade exclusiva de Deus e a certeza da salvação. O Espírito Santo vai nos ajudar a manter a nossa mente e coração limpos até que chegue o grande dia em que nos encontraremos com o Senhor.

b) Material
Mas Deus conhece as nossas necessidades e sabe de tudo quanto necessitamos, por isso nos chama a atenção para não nos preocuparmos com coisa alguma (Mt 6.31,32), antes porém, nos adverte que, primeiramente devemos buscar o Reino dos Céus e toda a sua justiça e tudo o mais nos serão acrescentadas (Mt 6.33).

Sem Arrependimento não há Conversão
Muitas pessoas entregam-se a Jesus apenas da “boca pra fora”, não de fato. Continuam presos aos seus atavismos, às coisas do mundo porque não há arrependimento. Vão à Igreja como um ritual religioso, mas não se alegram na presença do Senhor porque não o conhecem. Jesus disse certa feita: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15.8). Por isso há tantos doentes e endemoniados dentro da própria Igreja.

As Fortalezas Erigidas
Há pessoas cuja fé não vislumbra a grandeza e o poder de Deus e, saindo da Igreja, voltam para as suas fortalezas que erigiram para se proteger contra si mesmas. São pessoas que vivem presas a traumas que as atormentam criando em si mesmas verdadeiras fortalezas que muitas das vezes impedem o agir do Espírito Santo. Dão um passo pra frente e voltam dois para trás. Não conseguem se liberar dos vícios, da prostituição, do orgulho, da vaidade. Desejam ser ajudadas, mas não ajudam a si mesmo. Vivem como que de muletas sempre pedindo oração para uns e para outros, sem, contudo buscarem, verdadeiramente, ter um relacionamento com Deus, expor suas feridas e deixar-se tratar pelo único que pode nos curar.

Aplicação: Talvez você tenha criado uma dessas fortalezas em sua vida pra se esconder do mundo, das pessoas, de Deus, porque cresceu ouvindo palavras de derrotas que acabaram destruindo a sua verdadeira identidade. As experiências negativas que você teve com algumas pessoas te machucaram a ponto de você não conseguir mais se relacionar com ninguém, nem mesmo com Deus. Foram tantas situações de sofrimento e derrota em sua vida que você já não tem esperança de que essa situação possa mudar, você se tornou pessimista em relação a tudo. Não tem fé o suficiente pra acreditar no milagre de Deus e por isso está à beira do caminho. Mas Jesus está passando por aqui e esta pode ser a tua chance de mudar a sua história.

Paulo nos diz que: " nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." Romanos 8:38-39.

Hoje, o Espírito Santo está ministrando a você uma palavra poderosa: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos Libertará”(Jo 8.32). A Verdade é a Palavra do Senhor. Jesus quer quebrar toda fortaleza que você, mesmo inconscientemente, erigiu ou permitiu que aprisionassem você. Ele quer te libertar.

Quando você tiver a convicção de Que Deus é com você porque Ele está em você, quando o teu coração tiver alinhado com o coração de Deus e teus caminhos aplainados, nada irá impedir você de ser abençoado.

A Oração de Jabez

Jabez também estava de certa forma, impedido de caminhar porque havia uma marca tão profunda de sofrimento em sua vida que só o Senhor poderia curá-lo, libertá-lo para que pudesse seguir em frente. Ele tinha tudo para ser um derrotado, um fracassado, depressivo. Mas ele tinha conhecimento de um Deus que tudo pode. Então, chegou o momento que ele se lançou na presença do Senhor e rasgou o seu coração.

A sua oração não foi apenas uma oração pessoal, mas foi uma oração espiritual onde reconheceu que precisava ser alcançado pela graça de Deus. Ele reconheceu que o mesmo Deus que fizera prodígios no meio de seu povo também poderia mudar a sua história. Ele teve ousadia e invocou sobre si as bênçãos de Deus.

Jabez, certamente colocou o seu coração no altar de Deus, não negou quem ele era, reconheceu a sua indigência espiritual e clamou o socorro divino. A Bíblia fala que a oração foi simples, mas chegou aos céus e tocou o coração de Deus. A Bíblia nos revela que Deus não despreza um coração quebrantado e contrito (Sl 51.17). Tão logo concluiu a sua oração e Deus lhe concedeu os pedidos. Da mesma forma, se clamarmos ao Senhor, seus ouvidos estão inclinados para nos ouvir e suas mãos estendidas para nos socorrer. “Clama a mim” (Jr. 33.3), diz o Senhor.


Quais as lições que podemos extrair da oração de Jabez?

1. Jabez pediu uma bênção sobre sua vida
“Se me abençoares muitíssimo...”
As partículas “se” e “tomara”, conforme aparecem em algumas traduções bíblicas, são condicionais, o que implica em uma situação de dependência. Jabez reconhecia a soberania de Deus e sabia que tudo dependeria da sua vontade. Ele compreendia que a mudança só ocorreria mediante a interferência sobrenatural de Deus. Ele não determinou o que queria, mas se submeteu à vontade de Deus.

Aplicação: Talvez o diabo já tenha dito a você: “Você não tem futuro, você é um derrotado, não adianta tentar, você é um amaldiçoado” Não acredite. A Bíblia diz que ele é o pai da mentira. Jesus diz: que o ladrão vem senão para roubar matar e destruir, mas completa dizendo também, “eu vim para que tenham vida e vida com abundância” (Jo 10.10). A sua benção Jesus já conquistou lá na Cruz do Calvário. Jesus, Ele nos deu: salvação, perdão, cura física, emocional, benção na família, no casamento, e vida eterna.

No Evangelho de Jesus segundo João diz: “Quem crê em mim ainda que esteja morto viverá”. A Bíblia relata mais de oito mil bênçãos para Seu povo. As bênçãos estão nas mãos de Deus e Ele não muda. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Hoje existem muitas pessoas correndo atrás das bênçãos, mas a Bíblia diz as bênçãos do Senhor nos seguirão, basta sermos fiéis e cumpridores da sua Palavra.

2. Jabez pediu uma Bênçãos de prosperidade 

 “Se meus termos amplificares” (alargares as fronteiras)
Alargar fronteiras indica aumentar as possibilidades, ultrapassar os limites. Prosperar, crescer, não só espiritualmente, mas também, materialmente. Quando se fala em fronteiras logo pensamos em extensão de terra, o que na verdade, está correto. Podemos entender então que Jabez, ao fazer esse pedido tinha em mente aumentar as suas posses.

Não há nada de errado em desejarmos ter bens materiais. Lógico que não devemos priorizá-la porque sabemos que não somos deste mundo e que nada poderemos levar conosco daqui. No entanto, enquanto estivermos peregrinando por esse chão, podemos desejar ter os benefícios que o dinheiro pode nos dispensar, porque não?

Todos nós precisamos de dinheiro, de trabalho, de saúde, moradia e essas coisas, e isso não é deixar de ser espiritual. Isso faz parte da nossa humanidade e das nossas necessidades. Jabez sabia disso. Ele pensava, certamente, no sustento de seus filhos e na subsistência de sua casa. Com toda a certeza, também, como todo homem fiel a Deus, ele pensava no sustento do povo e da casa de Deus.

Alargar as fronteiras é pedir mais influência, mais notoriedade e até mesmo, mais responsabilidades para Deus. É não fugir dos obstáculos da vida, é pedir a Deus mais força para vencê-los. Jabez almejava ser bem sucedido em sua vida, em todos os sentidos. Isso é normal. Jabez tinha boa intenção, tanto que não usou de modo ilícito pra conseguir realizar seus projetos, antes porém, apresentou-os diante de Deus e pediu a sua aprovação.

3. Pediu que as Mãos do Senhor Estivesse sobre Ele

Mas, o que significa esse termo tão utilizado na Bíblia, “as mãos de Deus”? Trata-se de uma expressão que para se referir a presença de Deus (Js 4.24; 50.1, Ne 2.18; Sl 37.24), proteção, cuidado, direção. Diz a Palavra: “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo, vos exalte” (I Pe 5.6). Sujeitar-se é submeter-se, o que em outras palavras significa obediência. É reconhecer que quem está no comando é Ele, e quem dá as ordens é Ele. Se quisermos ser vencedores, temos que aprender a seguir as suas ordens. Ele conhecia as histórias de Deus e Seu povo e tinha grande fé de que quando Deus age ninguém pode detê-LO. “Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força a tudo” (I Cr 29.12).

4. Jabez Pede Livramento do Mal 

 Se fizeres que do mal não seja aflito - (me preservares do mal).
Quando uma pessoa começa a se destacar, seja na vida material, seja no ministério, o inimigo se levanta pra derrubar, porque tudo o que ele deseja é ver o crente derrotado. Para cumprir seu intento ele usa pessoas “teleguiadas” para trazer tristeza, contendas, decepções, situações de perdas. Uma das piores armadilhas de satanás é utilizar-se das nossas próprias fraquezas para nos enfraquecer e nos destruir, por isso, temos que reconhecer que sem Deus nada somos e nada podemos. É sabido que o dinheiro e o poder têm corrompido muitos corações e desviado dos propósitos de Deus. Por isso, mesmo tendo tudo isso, devemos nos humilhar diante do Senhor, reconhecendo em nós a necessidade da intervenção diária do Espírito Santo a fim de não fraquejarmos e não sucumbirmos às tentações vis.
 

Conclusão
Deus concedeu tudo o que lhe havia pedido Jabez e ele é mencionado no texto como o mais ilustre dentre seus irmãos. O próprio Deus deu a dica para a eficácia de uma oração quando disse: “Se o meu povo que se chama pelo meu nome, se humilhar, se orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então Eu, ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar” (II Cr 7.14) e Tiago também, diz que “Deus resiste aos soberbos e dá, porém, graça aos humildes” (Tg 4.6). 

Veja aqui alguns dos Estudos disponíveis no Arquivo do blog:
  1. Samuel - Resposta ao chamado de Deus
  2. Juizes - Período Teocrático 
  3. Sansão - Exemplo de Imaturidade 
  4. Gideão - Um Homem Revestido de Poder 
  5. Abimeleque - Ambição Sem Limites 
  6. José do Egito 
  7. Josué e Calebe - Enfrentando o Gigante do Medo 
  8. Josué - A Derrota de Ai 
  9. Palavra de Deus - Uma Mensagem Transformadora 
  10. Evangelizar é Preciso! 
  11. A Vontade Soberana de Deus 
  12. O Espírito Santo a Terceira Pessoa da Trindade 
  13. Páscoa Cristã 
  14. Dons Espirituais 
  15. Missões com Excelência - A boa semente
  16. É Tempo de Despertar 
  17. Epístola aos Filipenses