sábado, 18 de julho de 2015

AGEU - A Reconstrução do Templo

"A glória desta última casa será maior do que a da primeira" (Ageu.2:9a-ARA)

Apresentação do Livro

Ageu é o primeiro de três livros pós-exílico no Antigo Testamento, os demais são Zacarias e Malaquias. Ele é mencionado nominalmente duas vezes em Esdras (5.1; 6.14) e nove neste livro, confirmando assim que este livro é de autoria do próprio Ageu. Ele é chamado de profeta (1.1;2.1,10; Ed 6.14) e de embaixador do Senhor (1.13). Exerceu o seu ministério no segundo reinado do rei Dário (1.1). Nesta época, os judeus haviam retornado do cativeiro babilônico por conta do decreto de Ciro (Ed 1.1-4). 

Contexto Histórico

O retorno à Jerusalém ocorreu em três etapas, compreendendo apenas os judeus de Judá. As dez tribos do norte se dispersaram, sendo mais tarde conhecidos como os judeus, da diáspora ou dispersão, os samaritanos.

Primeira etapa – Deu-se em 536 a.C., dois anos depois da ascensão de Ciro. Sob a liderança de Zorobabel os judeus voltaram para a sua terra com muita emoção e expectativas (Ed 3.8-10). A tarefa de Zorobabel era conduzir o povo a lançar os fundamentos do novo templo (Ed.1.2-4; 6.3-5; 3.8-13)), cumprindo assim, as profecias de Isaías e Jeremias (Is 45.1-3; Jr 25.11,12; 29.10-14). Essa missão demorou aproximadamente dezesseis anos para ser concluída. A demora deu-se em função, principalmente, da oposição dos samaritanos, que tiveram recusado o pedido de ajudar na construção do templo, em razão disto, tornaram-se oponentes e maquinaram junto a Artaxerxes a fim de interromper a obra, o que de fato aconteceu (Ed 3 e 4).

Segunda etapa – Depois de oitenta anos desde a subida de Zorobabel, Esdras que era sacerdote e hábil escriba da lei, recebe a incumbência de estabelecer as novas bases do judaísmo, reforçando o princípio de obediência à Lei de Deus. 

Terceiro etapa – Finalmente, a última etapa deu-se com Neemias, que, desfrutando de prestígio na corte de Artaxerxes, conseguiu não só permissão, como também, a ajuda necessária para subir à Jerusalém e construir os seus muros e tomar outras providências que a situação requeria.

Teor da Mensagem de Ageu

Ageu, como vimos foi levantado por Deus como profeta para conclamar o seu povo para à reconstrução imediata do templo. Sua mensagem se desenrola, num período de quatro meses, como um chamado para que o povo reconsiderasse os caminhos do Senhor e se colocassem em ação e em obediência a Deus. O conteúdo de sua mensagem demonstra claramente as consequências da desobediência (1.6,11; 2.16,17) e da obediência (2.7-9,19) e incluem: 1- Ordens direta de Deus (1.8), 2 - advertências e repreensão (1.9-11), 3 - exortação ( 2.4), 4 – alento mediante promessa de bênçãos futuras ( 2.6-9). 

I – DEUS ORDENA A RECONSTRUÇÃO DO TEMPLO – 1.3-11 

Deus Fala Primeiro aos Líderes -1.1

“...a palavra do Senhor veio por meio o profeta Ageu ao governador de Judá, Zorobabel, filho de Sealtiel, e ao sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque” (1.1b)

Esta primeira mensagem tinha duplo propósito, exortar Zorobabel, governador de Judá e Josué, sumo sacerdote, a mobilizarem o povo para a reedificação do templo e motivar o povo a reordenar suas vidas e prioridades para que a obra da Casa de Deus fosse recomeçada com as bênçãos do Senhor. É um forte apelo ao compromisso com a obra de Deus. 

Os judeus haviam deixado de lado o projeto de reconstrução do templo em 534 a.C. Desmotivados pelas inúmeras dificuldades, deixaram de lado a obra e foram cuidar de suas próprias vidas. A partir daí, o povo se tornou apático e houve uma letargia espiritual muito grande no meio deles. Passaram então a se dedicar exclusivamente à construção de suas próprias casas, tendo em vista apenas o seu próprio conforto. É nesse contexto que Deus levanta Ageu como profeta.

Impedimentos na Obra

A primeira leva de judeus era composta de pessoas piedosas, mais comprometidas, praticamente a grande parte sacerdotal. Eles chegam com muita alegria e cheios de esperança. Meses depois, começaram a construir o altar para fazer o sacrifício, para fazer a oferta a Deus. E pouco tempo depois, lançam as bases para a construção do templo (Ed 3.10). Mas logo depois que a obra tinha sido iniciada, os samaritanos – grupo resultante de uma miscigenação étnica que tinha florescido naquela região depois do cativeiro da Assíria em 722, fizeram uma proposta de aliança aos judeus. 

Eles ofereceram ajuda na construção do templo (Ed 4.2) porque acreditavam que o simples fato de serem descendentes do povo judeu lhes dava também o direito de participar da aliança com o Senhor e participar dos ritos de sacrifício. Por outro lado, não havia neles a menor disposição de servir ao Deus de Israel, pois haviam assimilado a cultura pagã e adoravam a outros deuses dos quais não estavam dispostos a abrir mão. 

Zorobabel, percebendo o perigo dessa aliança, pois contaminaria o culto a Deus, rechaçou essa proposta (Ed 4.3) e por conta disso, os samaritanos orquestraram contra os judeus (Ed 4.4). A tática deles era essa, primeiro fazer aliança por meio de oferta de amizade e bajulação, depois, o ataque ostensivo. Não pouparam esforços para impedir a obra de Deus. Contrataram conselheiros (Ed 4.5) pra desencorajar os judeus e escreveram cartas para o rei Artaxerxes com conteúdos maldosos (Ed 4.11), buscando aliar-se às forças políticas a fim de utilizar-se desse mecanismo para boicotar o andamento do trabalho que vinha sendo realizado. 

Diziam que os judeus poderiam tornar-se um grande problema para o seu governo porque tinham uma característica rebelde e estavam cheios de más intenções em seus corações, segundo o que disseram ao rei, a cidade de Jerusalém já havia conspirado muitas vezes e a reconstrução, tanto da cidade quanto do templo tornar-se-ia um grande problema ao império (Ed 4.12-16). Artarxerxes, não tendo conhecimento dos fatos, considerou o conteúdo da carta e baixou um edito proibindo a reconstrução da cidade e do templo (Ed 4.21,24).

Havia se passado, aproximadamente, cerca de dezesseis anos desde o ocorrido e a obra continuava parada. O povo voltou-se para a construção apenas de suas casas e da manutenção financeira de suas famílias através do trabalho agrícola que era a economia forte da época. Acabaram se esquecendo do compromisso com a casa de Deus. 

Desculpas do Povo Pela Paralização da Obra – 1.2

“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Este povo afirma: ainda não chegou o tempo de reconstruir a casa do Senhor” (1.2)

O povo bem sabia que a construção do templo era vontade de Deus, pelo menos por dois motivos: primeiro, quando eles retornaram, houve um decreto do rei Ciro dizendo que eles deveriam voltar com a expressa ordem de construir o templo (Ed 1.1-3); segundo, havia uma profecia de Isaías que dizia: “ele Ciro é o meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz. Que digo também de Jerusalém, será reedificada e do templo, será fundado” (Is 44.28). Apesar de terem voltado do cativeiro com este propósito, eles insistiam na desculpa com base em uma interpretação equivocada das profecias de Jeremias a respeito das setenta semanas (Jr 25.11,12;29.10), para alegarem que o tempo não havia chegado para a construção do templo. 

Com base nesta argumentação eles alegavam que a obra do templo não tinha prioridade e que portanto, restava-lhes a possibilidade de dedicarem mais tempo para cuidarem de seus próprios interesses. Deus, indignado com essa inversão de valores se apresenta como o “Senhor dos Exércitos” para enfatizar a sua soberania e dizer que quem está no controle é Ele e que a sua vontade deve ocupar primazia em qualquer situação. Ele se dirige aos líderes para falar da sua indignação a respeito de tal situação, referindo-se aos judeus não como seu povo, mas como “este povo”. 

Quando o povo de Deus está em desobediência ele procura argumentos que justifiquem seus enganos e não raras vezes, distorcem a verdade e assentam o alicerce de suas vidas na mentira. Mas Deus não se deixa escarnecer (Gl 6.7) e não aceitou as desculpas que eles alegavam e ordenou-lhes a retomada imediata da construção do templo (1.8).

Quantas vezes nós não incorremos em situação semelhante no que diz respeito à omissão na obra de Deus. Deixamos as coisas de Deus em segundo plano, como se não houvesse prioridade, como se não fosse urgente. Buscamos primeiro satisfazer nossos próprios interesses pessoais, afetivos e materiais e negligenciamos a nossa vida espiritual, o nosso compromisso com Deus. Mas o que Deus nos ensina neste texto é que a sua Obra deve ser prioritária em nossas vidas. Jesus nos ensinou que primeiro devemos buscar o Reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas nos serão acrescentadas (Mt 6.33). Ou seja, Ele é um Deus provedor e sabe das nossas necessidades. Ele cuida de seu povo, porém, não aceita desculpas para a omissão em relação ao compromisso que temos com Ele. 

Repensando as Prioridades - 1.4

“Acaso é tempo de vocês morarem em casas de fino acabamento enquanto a minha casa continua destruída?” (1.4 - NVI).

Ageu os repreende por estarem tão interessados em sua própria comodidade, cuidando apenas do conforto de suas casas, todas revestidas de cedro por dentro, enquanto a casa de Deus permanecia em ruínas. Em outras traduções as palavras utilizadas para referir-se ao acabamento são, ““estucada”, ou ainda “apaineladas”, ou simplesmente, “forradas”, que traduzindo, significa boa, bonita, confortável, cuidada, ornamentada, etc.

O apóstolo Paulo diz: “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (1Co 3.16 NVI). O que eu aprendo com isso, que nós muitas das vezes estamos muito mais preocupados com a nossa aparência, com o que é visível aos olhos dos outros. Queremos ter a melhor roupa, a melhor casa o melhor carro, mas nos descuidamos com a casa espiritual onde o Espírito Santo habita. Não raro esse templo está em ruínas e em total abandono. 

Qual tem sido a minha ou a sua desculpa para total descaso? A palavra do Senhor proferida através do profeta Isaías diz: “se vocês estiverem dispostos a obedecer, comerão os melhores frutos desta terra...” (Is 1.19 NVI). O profeta Ageu chama a atenção para a questão das prioridades. O que é mais importante afinal, o que estamos priorizando em nossas vidas? 

A Razão da Maldição Divina Contra seu Povo – 1.5-7, 9-11 

“Vejam aonde os seus caminhos os levaram. Vocês têm plantado muito, e colhido pouco. Vocês comem, mas não se fartam. Bebem, mas não se satisfazem. Vestem-se, mas não se aquecem. Aquele que recebe salário, recebe-o para colocá-lo numa bolsa furada". (1.6). 

Pela boca do profeta o Senhor exorta o seu povo a reconsiderar seus caminhos, revelando que a retirada das bênçãos sobre suas vidas era em razão da desobediência. Eles trabalhavam mas não viam o resultado de seu trabalho, o que recebiam como salário, escapava-lhes pelas mãos e não conseguiam reter e o que comiam e vestiam, não lhes trazia felicidade. Tudo isso porque deixaram de dar prioridade para a obra do Senhor.

Deus Retém suas Bênçãos- 1.9

“Vocês esperavam muito, mas eis que veio pouco. E o que vocês trouxeram para casa eu dissipei com um sopro. E por que fiz isso? Pergunta o Senhor dos Exércitos: “Por causa do meu templo, que ainda está destruído, enquanto cada um de vocês se ocupa com a sua própria casa”.(1.9)

O povo então, é convidado a reavaliar o seu passado diante dos resultados que estão colhendo. O passado é um grande pedagogo, quando aprendemos com ele a fim de não repetirmos os mesmos erros no futuro. Diz o Senhor: “vejam aonde os seus caminhos os levaram” em outras palavra Ele está dizendo para o povo considerar as consequências de uma vida negligente para com a obra de Deus a fim de não atrair para si o julgamento divino e assim, não terem que passar pelo mesmo sofrimento novamente. 

Deus Quer Ser Glorificado – 1.8

“Subam o monte para trazer madeira. Construam o templo, para que eu me alegre e nele seja glorificado” (1.8)

Depois de exortar o seu povo e não aceitar as suas desculpas pela omissão, Deus os comissiona ao trabalho. Veja que o verbo construir está no imperativo: “Construam o templo”, ou seja, é uma ordem. Deus requer de nós atitudes práticas. Não basta crer é preciso servir, é preciso trabalhar na obra. O apóstolo Tiago diz que “a fé sem obras é morta” (Tg 2.26b). Mas não se trata apenas de servir materialmente, mas também, de prestar adoração a Deus. Subir ao monte também remete a ideia de uma busca incessante pela presença do Senhor. O templo onde Deus quer habitar é o nosso corpo. Ele espera que através de nossas atitudes concretas Ele seja glorificado. 

Deus Chama à Responsabilidade o Seu Povo – 1.12-15

Zorobabel, filho de Sealtiel, o sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque, e todo o restante do povo obedeceram à voz do senhor, o seu Deus, por causa das palavras do profeta Ageu, a quem o Senhor o seu Deus enviara. E o povo temeu o Senhor”. 

Diante da exortação recebida pela boca do profeta, Zorobabel e Josué, juntamente com o restante do povo, reagiram positivamente, demonstrando temor e reverência à Palavra de Deus e três semanas depois, a obra foi retomada (Ed.5.2). A Palavra de Deus nos ensina que o “temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv 9.10) e que “obedecer é melhor do que sacrificar” (1Sm 15.22). Moisés disse ao povo que se fossem obedientes e guardassem a Palavra do Senhor seriam abençoados, mas se ao contrário, fossem desobedientes, acarretariam sobre si maldição (Dt 28). Portanto, se bênção é resultante da obediência e o contrário atrai maldição, a melhor estratégia é endireitar os caminhos e retomar a posição diante de Deus. E foi exatamente isso que o povo considerou ao tomarem a decisão de obedecer. A decisão é livre, mas as consequências são inevitáveis.

O Senhor Fortalece os Trabalhadores da Sua Seara – 1.13-15

Depois que o povo se colocou na posição de obediência diante de Deus o profeta lhes traz uma nova mensagem, desta vez, de fortalecimento, que dizia: “Eu estou com vocês, declarou o Senhor” (1.13). Ele nos convida a trabalhar na obra, a fazermos a nossa parte. Ele não garante que não teremos impedimentos, mas assegura que estará conosco no enfrentamento das dificuldades. Estas palavra são a garantia do sucesso na vida do crente, porque: “agindo Deus, quem o impedirá?” (Is 43.13) e “Se Deus é por nós, quem será contra nós” (Rm 8.31b). Esta certeza foi também dada a Josué, de que Deus estaria com ele por onde quer que andasse (Js 1.9c). A presença do Senhor é a certeza da vitória pois não há muralhas que fiquem em pé ou gigante que não seja derrotado pela ação do Deus Todo Poderoso. Se há promessa, há vitória, porque o Senhor vela pela sua palavra para que se cumpra (Jr 1.12). Animados com as palavras de encorajamento o povo retomou o trabalho até então interrompido.

II – MENSAGEM: A GLÓRIA DO SEGUNDO TEMPLO – 2.1-9

A obra do templo estava seguindo seu curso, porém, em dado momento, veio a Palavra do Senhor ao profeta Ageu, dizendo-lhe que perguntasse ao governador Zorobabel e ao sumo sacerdote, Josué “quem de vocês viu este templo em seu primeiro esplendor? Comparado a ele, não é como nada o que vocês veem agora? ( 2.3). 

Duras são estas palavras se não compreendidas a sua aplicação. Imagine você estando realizando uma tarefa e de repente alguém chega e tece uma comparação com alguma outra que seja da mesma natureza, apontando o seu trabalho como sendo insignificante em relação ao outro? Não é algo fácil de se ouvir, Agora vejam, foi o Senhor quem disse isso. Mas qual foi a intenção dessa comparação? 

De fato a diferença era muito grande. A nova geração de judeus, que nasceu no cativeiro e nunca tinha visto o templo anterior, quando viram o templo sendo erguido, ficaram maravilhados, porque finalmente teriam um templo para adorar a Deus. Porém, aqueles judeus mais velhos, que foram levados cativos muito jovens ainda, que conviveram com a glória do templo de Salomão, e agora estavam voltando já idoso, quando viram aquela construção simples sendo, ficaram muito triste porque nada tinha do esplendor do templo anterior. (Ed.3.8-12). Os próprios alicerces eram bem menores em extensão e os recursos eram muito limitados para que pudessem pensar em qualquer outra estrutura. 

Mensagem de ânimo e encorajamento 

Mas Ageu trouxe uma palavra de ânimo, dizendo que Deus derramaria seus recursos naquele edifício: “Minha é a prata e meu é o ouro, disse o Senhor dos Exércitos” (2.8). O que o Senhor está dizendo é que a sua obra nunca pode ser interrompida sob a alegação de falta de recursos, porque a obra de Deus não depende do homem e sim da vontade soberana de Deus. Se Ele determinar que seja feito, Ele garante os meios. E diz mais, que a sua presença estaria naquele lugar: “E encherei de glória esta casa, diz o senhor dos Exércitos (2.7). Uma construção, por mais simples que seja, se tiver nela a presença do Espírito Santo, ela tem tudo o que precisa. Nesse sentido, “a glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos” (2.9). 

No primeiro caso, nos faz lembrar, que o mais importante não está no esplendor de uma construção física. A aparência estética de uma construção é mais para agradar aos olhos humanos do que a Deus, propriamente, porque “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens” (At 17.24). Essa mensagem faz referência ao templo, no sentido espiritual, conforme diz o apóstolo Paulo:“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Co 3.16).

Deus é criador de todas as coisas e o que nós podemos lhe oferecer senão a adoração? Como está escrito: “O céu é o meu trono, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso? Porventura não fez a minha mão todas estas coisas? (Is 66 1,2; At 7.49-50). Jesus disse à samaritana, certa vez, que a hora viria em que os verdadeiros adoradores não mais precisariam de um lugar específico para adorarem a Deus pois o adorariam em espírito e em verdade (Jo 4.23).

A verdadeira adoração consiste em um estilo de vida. Não é só pelo fato de irmos à Igreja ou entoarmos alguns hinos que significa que estamos prestando adoração a Deus. A verdadeira adoração é um estado de total rendição a Deus. Podemos adorá-lo enquanto estamos em casa, no trabalho, ou em qualquer outro lugar. Portanto, a adoração pessoal independe de um lugar específico. Diferentemente do culto, que também é um ato de adoração e que envolve a Igreja, ou seja, um grupo maior de pessoas que se reúnem para prestar um culto racional a Deus. A presença de Deus se manifesta com poder e graça na Igreja quando verdadeiramente as pessoas que ali se reúnem o fazem para adorá-lo.

O templo de Salomão era suntuoso sim, porém, não havia adoração a Deus. O povo tornou-se excessivamente religioso e zeloso com a aparência externa do templo e com as liturgias, mas não buscavam mais a Deus de fato. O seu culto era apenas externo, e aos poucos, a apostasia se instaurou. Em consequência disso, perderam por completo o temor a Deus e aos poucos, foram contaminados por culturas pagãs, que resultou em idolatria e atraiu o juízo divino. E foi por isso que o Senhor os levou para o cativeiro babilônico, permitindo a destruição completa do templo e a retirada dos utensílios sagrados que foram colocados em templo pagão na Babilônia, para que o povo entendesse que a sua presença não dependia de coisas exteriores e que Ele é um Deus de aliança, o que requeria de seu povo um maior comprometimento, o que não estava acontecendo. 

III – MENSAGEM: CHAMADA À SANTIDADE – 2.10-14

Parábola do que é puro e o que é impuro

Esta mensagem salienta a importância da santidade. O profeta avisa ao povo que Deus não tolera a “imundície” e que é necessário apresentar-se puro diante dEle. No diálogo entre o profeta Ageu e os sacerdotes fica evidente a necessidade da reconstrução do templo, porque o povo precisava ser purificado. Se o povo é impuro, tudo o que eles fazem também é impuro (2.14). O profetas lança duas perguntas, conforme o que está na Lei (2.12-13) acerca das coisas limpas e imundas e da influência das mesmas sobre a pessoa. A primeira pergunta foi sobre a possibilidade de a carne santa (carne separada para o sacrifício) transferir a sua “santidade” a um outro objeto ao tocá-lo. Os sacerdotes responderam negativamente. A segunda pergunta tinha a ver com a impureza. Se alguém ficava impuro por ter tocado em corpo morto, esse passaria a sua impureza a um outro objeto, ao tocar nele. Desta vez, os sacerdotes responderam que sim, ficaria imundo.

Ageu então diz que o Senhor afirma que é exatamente isso que acontece com o seu povo, em seguida, passou a mostrar que Judá era uma nação imunda. Todos eram impuros, sem exceção e suas atitudes refletiam isso. Essa impureza era resultado de seus contatos e amizades com as nações pagãs. Por terem se misturado com os povos ímpios ao seu redor e por passar muitos anos na Babilônia, absorveram parte de sua cultura, seus costumes e práticas. Seria quase impossível não influenciar, pelo menos um pouco, a sua conduta, depois de tanto tempo em terra estranha. Portanto, o povo estava contaminado e seus trabalhos e ofertas ao Senhor, eram por Ele considerados imundos. Apesar de já ter passado muito tempo desde o seu retorno do cativeiro, os velhos costumes ainda predominavam.

Por meio da ilustração mencionada, Deus mostra ao povo que embora a santidade não possa ser transmitida mediante o contato, o contrário pode acontecer, ou seja, as influências maléficas do pecado são altamente contagiosas. Noutras palavras: morar na terra santa não tornava aquele povo santo, mas o pecado, por outro lado, que fora contraído por ocasião do contato com povos pagãos, estes contaminavam e profanavam todo ato religioso e impedia a verdadeira adoração e o Senhor não recebia. 

Trazendo isto para a nossa realidade, o simples fato de estar numa Igreja não torna uma pessoa santa porque santidade não se transmite por osmose. Por outro lado, se uma pessoa estiver em pecado, mesmo frequentando uma Igreja e realizando algum trabalho na obra, a sua conduta torna nulo qualquer ato de adoração a Deus, tornando-se apenas ativismo. O profeta Isaías já dizia que “o pecado faz separação entre Deus e o homem” (Is 59.2). Isso nos leva a compreender que para que a adoração seja aceita, é necessário que o vaso esteja purificado, e o vaso somos nós. 

Um Convite Para Reconsiderar o Passado – 2.15-17

Deus ordena ao povo que considere o motivo pelo qual não foram ainda abençoados e que remontem ao dia em que retornaram do cativeiro, antes de iniciar qualquer obra no templo. Ageu leva Judá a pensar na ocasião em que começaram a se estabelecer na sua terra outra vez. Não havia muita comida. Pestes enchiam os campo de lavoura. A vida era miserável, havia muita pobreza. Os filhos de Israel haviam retornado à sua terra de mãos praticamente vazias. Ageu mostrou-lhes que as suas orações não eram respondidas porque tinham protelado por tanto tempo o término do templo. 

As Bênçãos como Fruto da Obediência – 2.18,19

Ageu fez o povo reconsiderar sua negligência e reconsiderar suas atitudes. Tiveram que reconhecer que, por sua própria culpa haviam arruinado tudo quanto tinham feito. Mas, Deus estava disposto a abençoá-los se renovassem o seu zelo: “Há ainda semente no celeiro? Nem a videira, nem a figueira, nem a romeira, nem a oliveira têm dado os seus frutos; mas desde este dia vos abençoarei” (2.19). Três meses depois disso, os alicerces do templo estavam completos. Deus lhes prometeu que as colheitas a partir de então seriam abundantes e os celeiros ficariam cheios.

IV - MENSAGEM: UMA PROMESSA PROFÉTICA – 2.20-23

A última mensagem é de natureza profética e está repleta de promessas. O profeta Ageu encoraja Zorobabel (v 21), governador de Judá, garantindo-lhe que um dia, o Senhor destruiria o poder dos reinos e nações em toda a terra. Este dia dar-se-ia quando todas as nações estariam subjugadas pelo poder de Deus e Jesus Cristo estaria reinando sobre todos os habitantes do mundo (Ap 19.11-21) e Israel não mais sofreria nas mãos de seus inimigos. Tudo isso se daria, segundo o profeta, antes do início do reino milenar do Messias. Ageu também aborda de passagem, o Dia do Senhor, bem como a soberania do escolhido de Deus, o Messias.

As Promessas para Zorobabel - O Escolhido Anel de Selar – 2.23 

Quando chegasse o momento de abalar os céus e a terra, Ele, o Senhor, faria de Zorobabel um anel de selar que era uma marca oficial que representava a autoridade suprema. Tratava-se de um anel gravado em alto ou baixo- relevo com o nome do dono, que o guardava com cuidado extremo. Usava-se para imprimir um selo de autenticação, e tornava-se, então, símbolo de autoridade. As vezes, um monarca oriental o dava para um ministro importante como sinal de confiança e autoridade (Gn 41.42). No sentido espiritual, a liderança de Zorobabel traria a marca característica da autoridade divina. Esse anel era uma garantia do favor de Deus para com o seu povo. Zorobabel fazia parte da Casa de Davi, portanto, pertencia a linhagem humana de Cristo. Ageu nesta mensagem estaria, provavelmente, profetizando sobre Jesus Cristo que, como descendente de Zorobabel (Mt 1.12,13) seria “naquele dia”, o governador supremo cujo reino há de ser absoluto e universal.

Os termos “meu servo” e “escolhido” (2.23) tem associação direta ao conceito de Messias apresentado em outras partes do Antigo Testamento (Is 41.8; 42.1; 50.50; 52.13; 53.11). O mais importante é que, como o cetro e a coroa, o anel de selar simbolizava a autoridade real. A designação de Zorobabel como “anel de selar do Senhor” indicava que Deus cancelara a maldição pronunciada por Jeremias sobre o rei Joaquim e seus descendentes (Jr 22.24-30). A restauração da autoridade real à família de Davi atribuída a Zorobabel por Ageu representava a retomada da linhagem messiânica de Judá.

CONCLUSÃO

Esta é uma mensagem de despertamento. Deus deixa claro que requer compromisso por parte do seu povo. Há um propósito para todas as coisas e quando Deus comissiona o seu povo a realizar a obra, Ele dá condições para que isso aconteça, porque dEle provém todas as coisas. Adversidades sempre terão, porém, não são determinantes na vida cristã, porque quem está no controle é Deus e quem dá a última palavra é Ele. Por isso, é que o cristão vive pela fé. O povo de Judá havia deixado de lado de lado a obra de Deus alegando impedimentos de várias naturezas, mas Deus deixou claro que não eram os samaritanos, as proibições políticas ou a falta de recursos financeiros que estavam retardando a obra, mas a omissão do povo em relação a seus compromissos para com Ele. O discurso do profeta Ageu os levou a reconsiderar o seu passado e perceber que a razão para o juízo de Deus estar sendo aplicado em suas vidas era decorrente de suas próprias escolhas erradas, pela inversão de valores que os levava a priorizar mais a si mesmos do que a Deus. Ao final desta mensagem o povo reconheceu seu erro e se comprometeu a retomar os caminhos da obediência. Por sua vez, Deus prometeu abençoá-los novamente. Deus é um Deus de aliança. Ele corrige a quem ama e o objetivo da disciplina aplicada a seu povo tem por finalidade a retomada do caminho da salvação. Que possamos refletir sobre esta mensagem e aprendermos a lição para não incorrermos no mesmo erro.

Sonia Oliveira


Veja aqui alguns dos Estudos disponíveis no Arquivo do blog:
  1. Samuel - Resposta ao chamado de Deus
  2. Juizes - Período Teocrático 
  3. Sansão - Exemplo de Imaturidade 
  4. Gideão - Um Homem Revestido de Poder 
  5. Abimeleque - Ambição Sem Limites 
  6. José do Egito 
  7. Josué e Calebe - Enfrentando o Gigante do Medo 
  8. Josué - A Derrota de Ai 
  9. Palavra de Deus - Uma Mensagem Transformadora 
  10. Evangelizar é Preciso! 
  11. A Vontade Soberana de Deus 
  12. O Espírito Santo a Terceira Pessoa da Trindade 
  13. Páscoa Cristã 
  14. Dons Espirituais 
  15. Missões com Excelência - A boa semente
  16. É Tempo de Despertar 
  17. Epístola aos Filipenses
  18. Virando as Costas para Deus
  19. A Oração de Habacuque
  20. Os Frutos do Espirito
  21. Jabez a Oração que Mudou uma Historia
  22. Os Escolhidos de Deus
  23. Compromisso com Deus
  24. Compromisso com a Verdade
  25. A Familia sob Ataque