terça-feira, 11 de agosto de 2015

JONAS - A Misericórdia de Deus


“...sabia que tu és Deus piedoso e misericordioso, longânimo e grande em benignidade e que te arrependes do mal” (Jn 4.2b)

Introdução
Muitos conhecem apenas um aspecto do livro de Jonas, a história de um profeta desobediente e sem compaixão que tenta fugir de Deus - como se isso fosse possível -, como diz o salmista: “para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também” (Sl 139.7,8). Este é um dos atributos de Deus, a onisciência, capacidade de saber todas as coisas, portanto, não temos como nos esconder dEle. Mas o profeta Jonas tentou fugir da sua presença sem medir as consequências de seus atos. Por outro lado, o texto nos revela também, a misericórdia divina e o seu grande amor pelas nações, evidenciando que os pensamentos de Deus são diferentes dos nossos pensamentos, como diz o profeta Isaías, são mais altos (Is 55.8,9). Enquanto Jonas estava olhando para um aspecto apenas da situação, Deus estava vendo o todo, e tinha planos de salvação para a nação que era inimiga do seu povo. Jonas não compreendeu esse tão grande amor de Deus e quis fazer as coisas do seu jeito, mas Deus o fez reconsiderar suas atitudes e retomar o caminho da obediência. 

Autoria do Livro

Alguns teólogos liberais, que não acreditam na inspiração divina da Bíblia, negam a possibilidade de Jonas ser um personagem real e, portanto, negam-lhe a autoria deste livro, atribuindo-o a um autor desconhecido. Entretanto, a Bíblia que é a Palavra de Deus, faz referência a Jonas como um personagem real e histórico que atuou em um tempo determinado e isso fica confirmado no livro de 2 Reis, num período em que o rei Jeroboão II reinou em Samaria durante 41 anos, havia restabelecido os limites de Israel desde a entrada de Ramate até o mar da planície, segundo a palavra do Senhor dita através do profeta Jonas, conforme está escrito: “Foi ele que restabeleceu os termos de Israel desde a entrada de Hamate até o mar de Arabá, conforme a Palavra que o Senhor, Deus de Israel falara por intermédio de seu servo Jonas, filho do profeta Amitai de Gate-Hefer” (2 Rs 14.25). 

A Bíblia, portanto, fala de Jonas como um personagem histórico que está inserido no VIII Séc., considerando que foi nesse período que Jeroboão II governou, entre 793 a 753 a C,. Esse monarca foi um dos grandes líderes militares da história de Israel. De acordo com 2Rs 14:25-28, ele impôs sua autoridade sobre os territórios de Damasco e Hamate, restaurando assim a fronteira ao norte de Israel dentro dos limites que possuía nos tempos de Salomão (1Rs 8:65). No Evangelho segundo Mateus Jesus faz menção a Jonas, assim confirmando a veracidade dos fatos narrados no livro, dizendo: “Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra” ( Mt 12:39-40). Jesus não teria usado este texto para referir-se a uma questão tão séria, se a história de Jonas não fosse real. Fica claro, portanto a autoria de Jonas ao livro que leva o seu nome. Ele, à semelhança de Moisés, relata os acontecimentos com minúcias, procurando a glória de Deus e não a sua. 

Contexto Histórico

A cidade de Nínive era a capital do Império Assírio e, naquele tempo, seus exércitos ameaçavam Israel. Os guerreiros assírios eram considerados os mais sanguinários e brutais e gostavam de inventar novas formas de torturar os prisioneiros. Frequentemente, arrancavam a pele das pessoas ou as erguiam no ar espetadas no peito por uma grande lança. Conhecendo a crueldade dos assírios, Jonas considerou que eles não eram dignos da misericórdia de Deus e que mereciam mesmo era serem destruídos, por isso não quis ser portador da mensagem que lhe fora confiada, pois bem sabia que Deus poderia voltar atrás em sua decisão, caso viessem a se arrepender (Jn 4.2) e não era isso que o profeta desejava. 

Da mesma maneira, somos muitas vezes levados a agir como Jonas em relação a algumas pessoas que julgamos não serem dignas de salvação, por serem nossos perseguidores diretos, ou pelo nível de maldade de seus corações. O apóstolo Paulo diz que todos nós somos pecadores e que na face da terra “não há justo, nenhum sequer” (Rm 3.10), portanto, estávamos incluídos nesta lista. O apóstolo Paulo nos adverte quanto a isto quando diz: “cada um de vós não pense de si mesmo além do que convém” (Rm 12.3), ou seja, não devemos nos achar melhor do que ninguém, porque não o somos. O que nos torna justo não são as nossas obras e sim o fato de termos sido alcançados pela graça de Deus e remidos pelo sangue de Jesus.

Não estamos em condições de julgar ninguém. Jesus nos ensinou que devemos amar os nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem (Mt. 5.44). É uma tarefa difícil na prática, mas é necessário, pois as pessoas que praticam iniquidades o fazem por não discernir (Jn 4.11b). Por isso, a última oração de Jesus foi: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). O mal, portanto, é ausência do bem assim como a escuridão é ausência de luz. Uma pessoa só poderá mudar os seus caminhos se tomar como exemplo aquele que é a própria luz, Jesus. Aquele que O segue, não andará em trevas mas terá a luz da vida ( Jo 8.12). 

Vida Pessoal do Profeta Jonas
“E veio a palavra do SENHOR, a Jonas, filho de Amitai” (Jn 1.1).


A referência do texto é que o profeta Jonas era filho de Amitai, apenas. O significado do nome Jonas é pomba. Seu nome está bem de acordo com sua atitude em três aspectos: Primeiro, na Bíblia a pomba é vista como uma ave que busca a fuga na hora do perigo: "Estremece-me no peito o coração, terrores de morte me salteiam; temor e tremor me sobrevêm, e o horror se apodera de mim. Então, disse eu: quem me dera asas como de pomba Voaria e acharia pouso. Eis que fugiria para longe e ficaria em descanso" (Sl 55:4-7). Segundo, a pomba também é símbolo de alguém que chora e geme. "Todos nós [...] gememos como pombas; esperamos o juízo, e não o há; a salvação, e ela está longe de nós" (Is 59:11). Jonas fugiu e também gemeu a ponto de pedir a morte duas vezes. Terceiro, a pomba é símbolo de passividade. O caráter passivo de Jonas é contrastado com o caráter ativo de Deus. Enquanto Jonas foge de Deus, Deus o busca e não desiste até trazê-lo de volta. 

O ministério profético de Jonas teve lugar um pouco depois do de Elizeu (2 Rs 13.13-19) e coincidiu, parcialmente, com o de Amós (Am 1.1). Algumas poucas referências nos permite obter um pouco mais de informações a respeito do profeta Jonas, como o fato de ter profetizado no Reino do Norte, de ser natural de Gate-Hefer, da tribo de Zebulom (Js, 19.1), próximo a Nazaré, o que o torna um galileu. Viveu no período de Jeroboão II, cujo reinado foi muito próspero economicamente, porém, o povo se encontrava em franca rebeldia contra Deus. Havia muitas injustiças sociais, opressão econômica sobre os pobres, violação dos direitos humanos, decadência religiosa, moral e espiritual. É neste contexto que Jonas estava inserido. 

A Chamada de Jonas Para Fazer Missões – 1.2
“... Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença”.


Jonas foi chamado por Deus para levar uma mensagem de advertência ao povo de Nínive em relação ao juízo que estava prestes a se abater sobre a cidade em consequência dos muitos pecados de seu povo. O povo de Nínive eram, como vimos, perverso e imoral e representavam uma grande ameaça à sobrevivência de Israel. Mesmo assim, Deus estava disposto a dar uma última chance para que se arrependessem porque Ele não se agrada da morte do ímpio, antes, deseja que todos se convertam dos maus caminhos e vivam (Ez. 18.23). 

A Fuga ao Chamado - 1.3
“E Jonas se levantou para fugir de diante da face do SENHOR”.


A missão de levar a mensagem a este povo foi confiada a Jonas. Porém, ele se omitiu do compromisso, porque bem sabia quem era aquele povo e por julgar que não eram dignos da misericórdia divina e temendo que pudessem se arrepender e por conta disso Deus os livrasse do juízo (4.1,2), negou-se em ser o socorro de Deus a eles, preferindo a rota da fuga. No caminho, achou um navio que ia para Társis na costa sudeste da Espanha a uma distância de aproximadamente 4.000 km de Israel. Jonas pagou a passagem, entrou no navio e se acomodou (1.3b). O profeta não queria que Deus tivesse misericórdia daquele povo, antes, era seu desejo que eles fossem exterminados. Isso denota a visão espiritual bem estreita do profeta enquanto homem. Assim como Jesus comissionou seus discípulos a irem às nações e fazerem discípulos, ensinando-os o Evangelho, levando-os à conversão (Mt 28.19,20), cabe à Igreja hoje, enviar seus missionários para cumprir com esse propósito. Porém, assim como Jonas, muitos recuam diante desse desafio e não investem em missões. Desconsideram que missões é algo que está no coração de Deus e é para atender o seu chamado que fomos resgatados.

Uma Grande Tempestade Interrompe os Planos de Jonas – 1.4
“Mas o SENHOR mandou ao mar um grande vento e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava para quebrar-se”.


Jonas acomodou-se e caiu num sono profundo, sequer se deu conta do que estava acontecendo à sua volta. Deus enviou a tempestade a fim de persuadi-lo a obedecer à chamada divina. Por sua causa, todos os que estavam no barco estavam agora em perigo, mas o profeta não se apercebia de nada, pois estava dormindo. Esse é o sono despreocupado daqueles que se ausentam do SENHOR, que estão num estágio espiritual que já não percebem mais o que acontece à sua volta, veem apenas o que querem e que lhes convém, e ignoram o que precisa ser visto. Quantas famílias estão em perigo por causa da desobediência de alguém em particular que se encontra no mesmo “barco”. 

Em meio a toda a confusão por conta da tempestade, o mestre do navio foi até onde se encontrava Jonas e lá o encontrando bradou para que acordasse e pedisse a Deus ajuda (1.6). Chamou os demais tripulantes e lançaram sorte para ver qual o motivo do mal que lhes sobreveio (1.7). Não sabemos como era esse jogo da sorte, mas o Deus que controla todas as coisas, fez recair sobre Jonas, identificando-o como culpado. Então eles começaram a interrogá-lo a fim de saber qual o motivo de tudo o que estava acontecendo (1.8). 

O Despertamento de Jonas e Seu Testemunho - 1.9-13

Jonas agora desperto se dá conta de tudo e reconhece o seu erro. Identifica-se e diz quem é o Deus a quem ele servia (1.9). Embora em rebeldia contra o SENHOR, Jonas estava dando um grande testemunho de Deus aqueles marinheiros que ouvindo-o, se encheram de temor (1.10) e quiseram saber então o que deveriam fazer para que o mar se acalmasse (1.10b). Jonas reconhece a sua responsabilidade por estar colocando em risco aquelas vidas e oferece a eles a única saída viável, naquele momento a sua vida em sacrifício de todos (1.12). Os homens, temendo fazer algo contra um servo do Deus Altíssimo, ainda tentaram evitar o ato extremo, remaram até não terem mais força tentando alcançar a terra, mas o mar se agitava ainda mais contra eles (1.13).

O Grande Peixe 1.14-17

Então, clamaram a Deus, pedindo-lhes que não fosse imputado a eles a culpa de terem como única alternativa, lançarem Jonas ao mar, e assim dizendo, lançaram-no ao mar e na mesma hora, o mar se aquietou (1.14,15). O temor ao SENHOR por conta disto e Seu nome foi glorificado, ofereceram sacrifícios de gratidão e fizeram votos (1.16). Embora a atitude de Jonas em se esconder no navio fosse egoísta, Deus aproveitou-se dessa oportunidade para alcançar a vida daqueles homens que estavam com seu servo. Isso nos mostra que onde quer que estejamos, seremos sempre instrumento de Deus para alcançar a vida de outras pessoas, mesmo não tendo esse entendimento. Deus se agradou da atitude sacrificial de Jonas e quando ele pensou que era o fim, Deus enviou-lhe um grande peixe para livrá-lo da morte e o conservou por três dias e três noites (1.17). Talvez o meio que Deus está usando para nos preservar dos perigos que podem causar a morte espiritual não sejam os mais agradáveis, porém, certamente, é o meio mais eficaz.

A Oração de Jonas – 2.1-10
“E orou Jonas ao SENHOR, seu Deus, das entranhas do peixe e disse: Na minha angústia, clamei ao SENHOR, e ele me respondeu; do ventre do inferno gritei e tu ouviste a minha voz” (2.1,2)

Jonas ora a deus pedindo livramento e ele mesmo declara que foi ouvido. A Bíblia nos ensina que Deus é o nosso “socorro bem presente na angústia” (Sl 46.1). De fato, Ele é um Deus que se compadece do sofrimento de seus filhos. O profeta Isaías diz: “ Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir” (Is 59.1).

Jonas reconheceu que foi desobediente e por esta razão temia ser banido da presença de Deus (2.3,4). Relata diante de Deus os momentos difíceis de pavor que viveu sem perspectiva de sair vivo daquela situação e que no momento de desespero, buscou ao SENHOR em oração e alegrou-se por ter sido ouvido e resgatado (2.7). A oração é poder de Deus em ação e nunca fica sem resposta. A oração por ser canal de comunicação entre o homem e Deus, deve ser prioridade em qualquer situação. 

Sacrifício em Ação de Graças – 2.9

Jonas exalta ao seu Deus e se compromete com o sacrifício, dizendo que cumpriria o voto que havia feito, certamente, no momento de desespero porque bem sabia quem era o Deus da sua salvação (2.9). Vendo o arrependimento do seu servo e a disposição ao sacrifício, Deus intervém em seu favor, dá ordem ao peixe e este o vomita e o lança em terra (2.10). É bom lembrar que este grande peixe não foi uma coincidência, porque o texto diz que “preparou Deus um grande peixe” (1.17a), ou seja, Deus está no controle, e todas as coisas estão debaixo da sua autoridade. Jonas foi lançado em terra firme porque foi esta a ordem dada por Deus. O peixe foi apenas um canal que Deus usou para não só preservá-lo dos perigos do mar mas também para reconduzi-lo a lugar seguro, como meio de transporte. Essa é a maneira que Deus opera, nem sempre de forma convencional. Embora muitos discutem a veracidade deste relato, é bom lembrar que o próprio Jesus fez referência a este fato colocando-o na categoria das coisas sobrenaturais de Deus, assim como a sua morte e ressurreição, que para o homem comum, é loucura, mas é real (Mt 12.39-41). 

A Conversão dos Ninivitas -3.8,9
“E veio a palavra do SENHOR, segunda vez a Jonas dizendo: Levanta-te e vai à grande cidade de Nínive e prega contra ela a pregação que eu disser” (3.1,2)

A mensagem entregue a Jonas era de juízo, que se cumpriria no prazo de quarenta dias (3.4), caso não houvesse arrependimento. Embora Jonas tenha se disposto a cumprir a missão, ele não havia mudado a sua opinião a respeito daquele povo, tanto que seu sermão era totalmente desprovido de compaixão. Ele levou a mensagem de uma maneira impessoal, sem desejar de fato que a sua pregação surtisse o efeito desejado. Ele não mencionou o amor, o perdão e a misericórdia de Deus. Limitou-se a pregar sobre condenação. No entanto, quando Deus manda dizer alguma coisa Ele garante os resultados e Jonas não estava preparado para o que veio a seguir.

Para seu desespero, a sua mensagem produziu uma comoção muito grande. O povo creu em Deus e 120 mil almas se renderam ao SENHOR e proclamaram jejum e vestiram-se de panos, desde o maior até o menor (3.5). O próprio rei de Nínive cobriu-se de sacos e assentou-se sobre as cinzas e conclamou o povo ao arrependimento de seus pecados, para que Deus vendo a disposição de mudança voltasse atrás na sua decisão e os poupasse da destruição (3.8,9). De fato, vendo o que faziam e a forma como se arrependeram de seus maus caminhos, “Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez” (3.10). 

O termo usado para referir-se ao arrependimento de Deus é uma expressão antropomórfica, um modo de falar humano, para referir-se à misericórdia de Deus, quando não executa o castigo que sua justiça requer por compaixão. O perdão é parte do plano divino (Jr 18,7,8), Deus é imutável, quem mudou, na verdade, foi o povo quando se arrependeu. Deus quer “que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4), Não é sua vontade que alguém pereça mas que todos cheguem ao arrependimento e recebam o perdão e a vida eterna (2 Pe 3.9). Aqueles que ouvem a pregação e creem são salvos, porém os que não creem, estão condenados ( (Jo 3.18,19).

O apóstolo Paulo em sua Carta aos Romanos ressalta a importância da pregação para que haja conversão: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? (Rm 10.14). Por esta razão é imprescindível levar a mensagem salvadora a todas as criaturas em todas as nações. 

O Descontentamento de Jonas – 4.1
“Mas desgostou-se Jonas extremamente disso e ficou todo ressentido”


Qualquer pregador ficaria emocionado com o resultado que Jonas obteve com a sua pregação. Porém, o profeta sentiu-se extremamente frustrado com o impacto de sua mensagem e, principalmente, porque Deus resolveu perdoar os ninivitas. Na verdade, ele não estava disposto a perdoar e achava que a sua vontade deveria se sobressair a vontade de Deus, tanto que agiu como uma criança quando foi questionar ao SENHOR dizendo: “Ah, SENHOR, Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso me preveni, fugindo para Társis, pois sabia que tu és Deus piedoso e misericordioso, longânimo e grande em benignidade e que te arrependes do mal” (4.2).

Aqui Jonas esclarece o motivo de sua fuga. Ele sabia que Deus perdoaria aquele povo, mas não era esse o seu desejo. Ele preferia morrer do que ver o que Deus estava fazendo pelos seus arqui-inimigos. Deus questionou se era razoável o seu ressentimento (4.4). Tem muito crente que tem dificuldades em aceitar o retorno de irmãos que se encontravam desviados e retornam aos braços do PAI, da mesma forma que o irmão mais velho do filho pródigo (Lc 15.25-32). O egoísmo humano não compreende a bondade divina. 

A Misericórdia Divina

Jonas, indignado afastou-se da cidade e a uma certa altura, fez para si uma cabana e, debaixo da sua sombra ficou a observar o que aconteceria à cidade ( 4.5). Certamente ele esperava que de alguma forma o fogo do céu viesse a destruir aquela cidade. Observando suas atitudes, “Deus fez nascer uma aboboreira, que subiu por cima de Jonas para que fizesse sombra sobre a sua cabeça, a fim de o livrar de seu enfado e Jonas se alegrou em extremo por causa da aboboreira” (4.6). Porém, no dia seguinte, ao amanhecer, Deus enviou um bicho que feriu a aboboreira e a fez secar (4.7). E aconteceu que por conta do sol quente, Jonas desmaiou e desejou mais uma vez a morte (4.8). Novamente Deus o indaga: “É razoável que assim te enfades por causa da aboboreira? É justo que te enfades a ponto de desejar a morte? (4.9). Deus bem poderia deixa-lo com suas meninices, no entanto, foi compassivo e procurou ensinar-lhe o que de fato era importante. 

Deus disse a Jonas, que se ele tinha compaixão por uma planta da qual ele não tivera nenhum trabalho para que nascesse e que de um dia para o outro, nasceu e morreu, quanto maior era o seu amor e a sua compaixão pelo povo da cidade de Nínive que eram em número de 120 mil homens que não discerniam entre a sua mão direita e esquerda (4.11). A maior expressão de amor de Deus para com a humanidade consiste no fato de que “ Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (jo 3.16) ..

Conclusão

O que fica evidente nessa história é, não só a soberania de Deus que detém o controle sobre todas as coisas, mas também, a sua disposição de perdoar, de amar e de dar oportunidade para que nenhuma alma se perca, que todas tenham oportunidade de conhecer a verdade e se arrepender de seus maus caminhos. O amor de Deus não é exclusividade de ninguém. Ele não apenas ama o seu povo, mas também aqueles que ainda não o conhecem, mas que deseja salvá-los. Este livro nos revela a misericórdia de Deus, nos revela que Ele é Senhor da história, das nações e da natureza. Ele perdoou e livrou os moradores de Nínive da destruição prorrogando a sua ruína, e também no caso de Jonas, na qualidade de desertor, concedendo-lhe nova oportunidade , conduzindo-o ao arrependimento e entendimento da verdade, pois só o conhecimento da verdade pode nos libertar da ignorância. 

Sonia Oliveira



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  1. Samuel - Resposta ao chamado de Deus
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  6. José do Egito 
  7. Josué e Calebe - Enfrentando o Gigante do Medo 
  8. Josué - A Derrota de Ai 
  9. Palavra de Deus - Uma Mensagem Transformadora 
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  15. Missões com Excelência - A boa semente
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  19. A Oração de Habacuque
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  23. Compromisso com Deus
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2 comentários:

  1. Parabéns irmã muito bom e bem colacada a conclusão onde diz que "o amor de Deus não é exclusividade de ninguém" realmente nosso Deus não faz acepção de pessoas ! Aleluias !
    Paz seja contigo

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    1. Sim Pr, Deus ama a todos de igual maneira e concede as mesmas oportunidades a todos para que nenhuma alma se perca. Obrigada por deixar seu comentário. Graça e paz!

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