terça-feira, 27 de outubro de 2015

Como ser Forte nos Momentos de Fraqueza

“Porque quando sou fraco, então é que sou forte” (2 Co 12.10b)

Introdução

O apóstolo Paulo descreve uma experiência sobrenatural de arrebatamento que ele teve, provavelmente, no início de sua caminhada onde ali ouviu revelações que descreve como inefáveis e que ao homem nem é lícito saber (v 4). Essas revelações, certamente o fortaleceram espiritualmente, a ponto de ele suportar todos os sofrimentos que lhe sobrevieram no decorrer de seu ministério apostólico. Por isso, considero de suma importância meditarmos neste texto a fim de aprendermos com este grande arauto do Evangelho  algumas verdades que, certamente, irão nos ajudar a lidar melhor com o sofrimento.

I - Espinho na carne

E, para que não me exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear a fim de não me exaltar” (v 7)

Paulo fala sobre uma debilidade que ele chamou de “espinho na carne”, o que nos remete a ideia de dor, aflição, sofrimento, de humilhação ou de enfermidade, não se sabe. O fato é que ele mesmo reconhece que essa situação era para que ele não se exaltasse e se lembrasse  sempre da sua dependência de Deus. Quando ele diz: “foi me dado..” isso nos leva a crer que se tratava de uma situação permitida por Deus para que não se orgulhasse pelo  fato de ter recebido as revelações tão indescritíveis. 

Aplicação: Não importa qual seja a situação, o fato é que quando estamos em meio a uma situação de sofrimento, de angústia e aflição, nos tornamos vulneráveis. E se não estivermos alicerçados na fé, é exatamente nesses momentos que Satanás entra em ação para aniquilar com nossas forças. Talvez por isso que Paulo se refere ao “mensageiro de Satanás”, enviado para esbofeteá-lo, ou seja, tripudiando de seu sofrimento.

Quantas vezes oramos e não recebemos a resposta de Deus, e nestes momentos alguém pode dizer “onde está o teu Deus?” Este é o argumento de Satanás, dizer que não vale a pena orar porque as coisas continuam da mesma forma. Mas a bíblia nos ensina que é justamente por meio do sofrimento que nós nos achegamos a Deus e por isso, nem sempre Ele vai retirar o espinho que nos incomoda, mas vai nos ajudar a suportar a dor para que o nosso espírito se fortaleça.

II - Paulo Recorre à Oração

“...acerca do qual três vezes orei ao SENHOR, para que se desviasse de mim” (v 8)

Paulo diz que buscava em Deus o alívio para o seu sofrimento, que orava e pedia que lhe fosse tirado o espinho que lhe incomodava. Mas nem sempre as nossas orações são respondidas segundo as nossas petições. Esta é, exatamente, a situação descrita acima, se Deus não responde, não é porque está alheio a nossa situação e sim, porque, certamente, há um propósito mais elevado para que a situação não seja revertida. Não sabemos pedir como convém, por isso o Espírito Santo intercede em nosso favor com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26,27). 

Quando Deus não muda as circunstâncias que nos aflige é porque está usando essas mesmas circunstâncias para moldar o nosso caráter a fim de que venhamos a atingir “a estatura de varão perfeito” (Ef 4.11,14), ou seja, atingirmos a maturidade espiritual que é necessária a todo crente. Portanto, o sofrimento é um lapidador do nosso caráter cristão. Por isso o profeta Isaías disse que os planos de Deus são mais altos que os nossos (Is 55.8,9). O fato é que, quando Ele permite uma situação, é porque dessa situação, há de vir algo muito melhor. Deus trabalha a nosso favor sempre,  e “tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).

III - A Graça de Deus

A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza...” (v 9a).

Portanto, nem sempre Deus vai nos livrar de situações de sofrimento e o próprio Jesus nos alertou quanto a isso dizendo que no mundo teríamos aflições, contudo, não deveríamos perder o ânimo (Jo 16.33). No caso de Paulo, Ele acrescenta a esse fato, que a sua grata nos basta porque é por meio dessa graça que suportamos todas as adversidades sem perdermos a fé. Para o mundo isso parece loucura porque eles não entendem o motivo de servirmos a Deus mesmo diante da dor, da enfermidade, da situação financeira precária, muitas vezes.

Pela lógica, nenhum de nós merece nenhum favor de Deus pois que todos somos pecadores, no entanto, por nos amar tanto, Ele nos concede favores e isso é graça. Por meio dessa graça Ele nos socorre em nossas fraquezas, nos ajuda, nos dá força para suportarmos as aflições. Quando Deus permite uma situação de sofrimento em nossas vidas é para que tenhamos mais experiência com Ele na oração, para que venhamos a nos lançar em seus braços em total dependência, assim como o faz uma criança com seu pai.  É em meio às nossas fraquezas que Deus manifesta o seu poder e a sua força e seu nome é glorificado.

Aplicação: É essa graça que nos fortalece e que nos impulsiona a permanecermos firmes, mesmo quando as situações são adversas e parece que não vamos conseguir vencê-las. Ao buscarmos em Deus o socorro, através das orações, nem sempre Ele vai retirar o problema, mas certamente, vai nos restaurar o vigor e nos colocar em posição de combate para possamos vencer os “gigantes” que se levantam contra nossas vidas e vai nos dar estratégias para que possamos vencer todas as lutas e estreitarmos o nosso relacionamento com Ele.

IV - O Sofrimento nos Aperfeiçoa

“..De boa vontade pois, me gloriarei nas minhas fraquezas para que em mim habite o poder de Cristo” (v 9b).

Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo” (v 10)

As palavras de Paulo indicam uma maturidade espiritual muito grande a ponto de suportar tudo por amor a Cristo e dizer “já não vivo eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20). Ele entendia que quanto mais as suas forças eram aniquiladas, mais o poder de Deus se manifestava em sua vida e por esta razão disse: “quando estou fraco, então sou forte” (v10b).

Parece um paradoxo esta frase, mas Paulo compreendeu que o sofrimento o levava mais perto de Deus e nEle ele encontrava forças para suportar todas as aflições. Quando ele diz que “sentia prazer nas fraquezas, nas injúrias...” (v 10ª) é porque ele entendia que assim como o atleta esgota todas as suas forças na tentativa de aperfeiçoar a sua performance física e se alegra com o resultado, assim também o crente, mesmo na exaustão deve se alegrar por vencer os próprios limites em busca do aperfeiçoamento que o conduzirá a receber o galardão eterno.

O apóstolo Tiago também teve este mesmo entendimento quando disse: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” (Tg 1.2-4). Sejamos portanto, em tudo perseverantes na fé em Cristo Jesus.

Conclusão


Não é fácil lidarmos com o sofrimento e muito menos nos alegrarmos com ele. Contudo, se compreendermos que este é o mecanismo que Deus utiliza para nos curar a alma, se é necessário esse remédio amargo para nos curar as feridas, então, que possamos dizer como Jesus o disse: “Pai, se puderes, afasta este cálice, mas que não seja conforme a minha vontade, mas como tu queres” (Lc 22.42). 

Que possamos compreender qual seja a “boa, perfeita e agradável vontade de Deus” (Rm 12.2b).  Pela ótica de Paulo compreendemos que o sofrimento é um mecanismo que nos aperfeiçoa e nos leva mais perto de Deus. 

Assim sendo, sejamos firmes e prossigamos para o alvo, porque como Paulo mesmo declarou: "tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada" (Rm8.18). 

Vale a pena ser fiel. Que Deus nos abençoe ricamente.


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