sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

COLOSSENSES - Supremacia de Cristo

“Porque nEle habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9)

Introdução


A cidade de Colossos convivia com o mundo romano e, portanto, era influenciada por essa cultura, como o excesso do paganismo, o excesso de secularização que estavam distantes dos padrões de Deus. A Igreja de Colossos tinha um número considerável de novos convertidos, pessoas imaturas na fé que sofriam com as dificuldades de lidar com a influência da cultura pagã. Falsos ensinos estavam enredando aquela comunidade. Paulo escreve esta carta com o objetivo de instruir os irmãos acerca da supremacia de Cristo e alertar para o perigo de viverem um cristianismo sem Cristo. 


Saudação

Paulo se apresenta como “apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus” (1.1), dando a entender que não foi por usurpação pessoal ou escolha de homens, mas pela vontade de Deus que fora comissionado ao apostolado. Com isso ele expressa à comunidade a autoridade que lhe foi conferida no trato com os assuntos do Reino de Deus. 


Destinatários

A Carta é dirigida, primeiramente “aos santos e fiéis irmãos em Cristo que estão em Colossos” (1.2) e, posteriormente, à Igreja de Laodiceia, a qual recomenda que as Cartas dirigidas a uma seja lida também na outras, respectivamente (4.16), para que ambas fossem edificadas dentro de um mesmo proposito. 

Portador da Carta: Tíquico (4.7,8)


Contexto Histórico

Colossos ficava na região sul da antiga Frígia (oeste da Turquia moderna) no vale do rio Lico, região montanhosa, cerca de 170 Km de Éfeso e 9 Km de Laodiceia. No passado Colossos tivera grande importância do ponto de vista econômico, porém na época de Paulo, não passava de uma cidadela sem muita expressão. Sua importância econômica na época da epístola se resumia à fabricação de lã de carneiros, que eram pastoreados nos encostos do vale do Lico. O nome "colossense" era usado para designar uma cor específica (colossinus) de lã tingida.

Habitantes de Colossos


De modo geral eram pagãos. A Igreja de Colossos mesclava entre pessoas vindas do paganismo ou vinda do judaísmo. Essa mescla acabou favorecendo um sincretismo religioso compondo as heresias que ameaçava a sã doutrina daquela Igreja.

Igreja de Colossos 

Ao que tudo indica, Epafras foi, provavelmente, o fundador desta Igreja. Durante a sua estadia em Éfeso, (At 19), Paulo, pregando a Palavra de Deus, alcançou muitos que habitavam na Ásia, tanto judeus como gregos (At 19.10). É provável que Epafras estava entre os que, ouvindo a pregação do Evangelho recebeu ao Senhor Jesus e retornando à sua cidade de origem, ali implantou a Igreja. Ao que tudo indica, também pastoreava Hierápolis e Laodiceia (4.13). 

Paulo na Prisão - O apóstolo Paulo estava, provavelmente, em Roma, durante o seu primeiro encarceramento na ocasião desta carta, por volta de 60 a 61 a.C. (At 28.16,30). Ele não conhecia pessoalmente a cidade de Colossos mas tomou conhecimento do que vinha acontecendo no meio daquela comunidade por intermédio de Epafras (1.7,8) que veio ao seu encontro em busca de orientação pastoral devido a alguns problemas que estavam ocorrendo na Igreja e que vinha lhe causando preocupação.

Mensagem

Em geral nós temos muita dificuldade em lidar com os irmãos mais fracos na fé, que por falta de conhecimento, não apresentam condutas verdadeiramente cristãs. Paulo o entanto, estava acostumado a lidar com este tipo de situação. A sua postura nos ensina que o crescimento do crente depende de vários fatores e que não se dá de forma repentina, é um processo gradual e individual. E neste percurso, se faz necessário o acompanhamento de alguém mais experiente na fé e no conhecimento, para que possa instruí-los no entendimento das Escrituras e esta, por sua vez, vai produzindo uma transformação no caráter até chegar ao nível de maturidade necessária para que haja frutificação. 

Capítulo 1

I – Ação de Graças – 1.3-8

1) Ação de Graças pelo que o Evangelho já havia operado – 1.5b,6

Paulo agradece a Deus pelo que o Evangelho já havia operado na vida daqueles irmãos, fato este que era visível na composição da tríade da vida cristã que é a fé, esperança e amor entre os santos (1.4,5). Na sua Carta aos Romanos, Paulo diz que “a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus” (Rm 10.17b). Eles já haviam sido ensinados por Epafras os rudimentos da fé cristã (1.7) e por isso, nutriam a esperança a respeito do que Cristo tem reservado aos seus no porvir. A perspectiva no porvir nos faz ter a visão correta da nossa responsabilidade enquanto cidadãos do céu, peregrinos nesta terra e quais atitudes que vão agregar valores a esta nova condição. E o amor é a maior virtude que podemos conquistar. Por isso Jesus deixou um mandamento a seus discípulos, de se amarem uns aos outros, a fim de que todos vendo, soubessem, verdadeiramente, que eram seus discípulos (Jo 13.34,35). Por isso, Paulo valorizou esse amor que era a expressão da fé que nutriam em Cristo e que já era manifesto entre eles. 

2) Ação de Graças pela Vida de Epafras – 1.7

Paulo enfatiza o valor do trabalho que Epafras vinha realizando na Igreja local em Colossos. Refere-se a ele como “amado conservo”, ou seja, alguém que ele amava e que servia junto a ele, na mesma causa e “fiel ministro de Cristo” (1.7). Paulo agradece a Deus porque a Igreja tinha um servo valoroso, comprometido com o Evangelho e que batalhava em oração pela vida espiritual do rebanho que lhe fora confiado para que permanecessem firmes, agindo com maturidade segundo a vontade de Deus (1.7; 4.12,13).

II – Intercessão de Paulo – 1.8-12

Paulo declara que desde o dia em que tomou conhecimento a respeito da Igreja, não deixou de interceder por ela. Em suas orações, Paulo pedia pelo crescimento espiritual e pelo aperfeiçoamento da Igreja através do conhecimento da Palavra que produz sabedoria, entendimento espiritual e fortalecimento, levando-os a viver de forma digna e agradável a Deus, frutificando em toda boa obra, despertando-lhes o sentimento de gratidão (1.9-12) 

III – Supremacia de Cristo

1) Transporte Espiritual – 1.13

“Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor”.

Paulo percebeu que os irmãos de Colossos não haviam ainda compreendido que a obra de Jesus era suficiente para terem uma vida espiritual plena com Ele. Não sabiam lidar com sua natureza pecaminosa e buscavam alternativas que os ajudassem a se purificar, como se isso se desse num passe de mágica. Essa falta de entendimento os colocou na mira dos falsos mestres que propunham alternativas heréticas para solucionar seus problemas, anulando assim a obra de Cristo. Paulo então vem lhes trazer à lembrança que Cristo é supremo em tudo e a sua obra é perfeita não sendo necessário nada para completá-la. 

Paulo inicia dizendo que fomos “transportados” de uma condição de escravidão para a liberdade. Ganhamos nova cidadania, uma nova vida. Isso significa que não estamos mais sujeitos ao domínio que antes nos aprisionava. Jesus disse “eu sou a luz do mundo e aquele que vem a mim não andará em trevas (Jo 8.12) e ainda um pouco adiante Jesus disse: “Eu vim como a luz para o mundo a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas (Jo 12.46). Quando estávamos envoltos em trevas, não tínhamos a visão correta, não tínhamos a consciência plena, mas a luz que emana de Cristo nos permite não só ver, mas perceber uma nova dimensão da vida. 

A libertação do domínio das trevas ocorre instantaneamente, mas isso não significa que estamos livres do pecado porque este sim, é um processo gradual e requer uma nova mentalidade. Por isso Paulo disse aos Romanos “não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus “(Rm 12.2). Não se conformar com este mundo, significa, não aceitá-lo, não achar que é certo, mas isso só vai acontecer se entendermos o porquê esta forma de entendimento é equivocada.

E isso só se dará mediante ao entendimento da verdade. Quando compreendermos o que é certo, o engano será desfeito e haverá uma transformação na nossa maneira de pensarmos e só então, compreenderemos a vontade de Deus para as nossas vidas e poderemos fazer as escolhas certas. Este processo é lento, e demanda esforço pessoal e muito estudo da Palavra. A Palavra de Deus tem o poder de nos santificar ( Jo 17.17; Ef 5.26). 

2) Redenção - 1.14

“Em quem temos redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados”.

Remissão era um termo utilizado quando o preço cobrado por um escravo era quitado. Paulo faz uso desse termo para dizer que quando estávamos na condição de escravidão, Cristo pagou um alto preço “em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas de sua graça” (Ef 1.7), "sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (1Pe 1.18,19).

A questão é, a quem foi pago um preço tão alto? Foi pago ao próprio Deus porque na sua justiça Ele não poderia isentar ninguém da responsabilidade de sua culpa. Nós estávamos condenados em nossos delitos:

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual, Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos, mas no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus Cristo” (Rm 3.23-26 NVI). 

Era necessário que assim fosse feito porque o pecado faz separação entre Deus e o homem (Is 59.2) e a única forma de haver comunhão novamente foi através de Jesus em quem não havia pecado algum (1Pe 2.22). 

3) A Imagem de Deus Invisível – 1.15

O ser humano sempre teve dificuldade de se relacionar com o que não pode ver e esta é uma das razões de muitos negarem a existência de Deus. Mas Paulo em Romanos fala que Deus deixou as características de seu ser impressas na natureza e que portanto, o homem é indesculpável em afirmar que Deus não existe (Rm 1.19,20). No entanto, a essência do homem é de adorador porque foi feito para adorar a Deus e desse propósito ele não pode se ausentar. Porém, a sua rebeldia o faz virar as costas para Deus e adorar imagens que cria para si mesmo. E os gnósticos estavam ensinando os colossenses a prática de adorar anjos e construíam imagens e altares a fim de cultuá-los. 

Paulo rebate essa postura e explica que Deus nunca foi visto por ninguém (Jo 1.18) e nem por isso deixa de ser Deus. Ele é invisível (Jo 4.24) e não pode ser visto senão por meio de Jesus Cristo em quem habita “corporalmente toda a plenitude da divindade” (2.9). Jesus veio até nós para revelar-nos o Pai e anunciar o seu Reino. Jesus é o ápice da revelação de Deus. Certa vez, em diálogo com Felipe, este fez um pedido a Jesus: 

“Senhor, mostra-nos o Pai!” Em resposta Jesus disse: “você não me conhece, Felipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer, mostra-nos o Pai? ” Mais adiante Jesus indaga: “você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? (Jo 14.8-10). E completa: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). Portanto, só podemos nos relacionar com Deus por meio de Jesus Cristo, “único mediador entre Deus e os homens” ( 1Tm 2.5). Cabe a nós hoje, tornar Deus conhecido através da propagação do Evangelho. Somos chamados para a boa obra e ninguém está isento desta responsabilidade. 

4) Primazia na Criação – 1.15,16

Os gnósticos não negavam a Cristo, mas o consideravam uma simples emanação de Deus, uma espécie de demiurgo, ou seja, um deus menor, sem expressão. Consideravam a transcendência de Deus sobre a criação (soberania), mas desconsideravam a sua imanência (capacidade de relacionar-se com a criação) e por isso, julgavam que precisavam criar mecanismos para se aproximarem de Deus e se defenderem das forças malignas que atuam no mundo físico. 

Paulo então vem rebater esse entendimento equivocado falando da primazia de Cristo sobre todas as coisas. Dizendo que Ele é antes de tudo (primogênito) e está acima de tudo (preeminência/autoridade) e que nEle foram criadas todas as coisas (1.16). Ele é antes de todas as coisas e todas as coisas subsistem por Ele (preexistência 1.17). João diz que “no princípio era o verbo e o verbo estava com Deus e o verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle e sem Ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.1-3). E complementa um pouco mais adiante afirmando que “estava no mundo e o mundo foi feito por Ele e o mundo não o conheceu” (Jo.10.30). 

Paulo apresenta Cristo como Cabeça da Igreja, Aquele que está no controle de todas as coisas e que é suficiente em nossas vidas. No entanto, muitos acabam enveredando por outros caminhos por não conhece-Lo. Muitas vezes estão na Igreja, mas não O conhecem e por isso o seu entendimento é deturpado e sua fé é fraca. Esses são o alvo principal do inimigo para disseminar heresias e contendas dentro da Igreja. 

IV - Ministério de Paulo – 1.24-29, 2.1-3

No desejo de ver toda a Igreja vivendo a plenitude de Cristo, Paulo se apresenta em sacrifício vivo em favor dela e se alegra por lhe ser permitido participar do sofrimento de Cristo (1.24) como ministro (1.25). Paulo nos ensina o verdadeiro sentido do ministério que é o serviço cristocêntrico. Ele estava preso, “mas a Palavra de Deus não está algemada” (2Tm 2.9), segundo o que ele mesmo disse. Ele continuava se preocupando com a Obra. Em relação aos colossenses, também era seu anseio que Cristo e sua obra fosse por todos compreendida, pois nEle reside toda a sabedoria de entendimento para conhecimento dos mistérios de Deus, onde reside todos os tesouros da sabedoria e da ciência (2,2,3). 

O que Paulo está dizendo na verdade é que eles já tinham o entendimento suficiente acerca da pessoa de Cristo (1.27) de onde provém todo o conhecimento acerca de todas as coisas e que não precisavam de modo algum buscarem em outro lugar respostas como vinham fazendo: “e digo isto para que ninguém vos engane com palavras persuasivas” (2.4). O seu desejo era que os irmãos dessem testemunho do que Deus estava fazendo em suas vidas e que o amor e a unidade fossem marcantes em suas vidas. Em outras palavras, que fossem influenciadores e não influenciados pelo mundo. 

Capítulo 2 

V – Contrapondo o Conhecimento com os Falsos Ensinamentos 

1) - Coerência na Vida Cristã

“Portando, assim como vocês receberam Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver nEle, enraizados, e edificados nEle, firmados na fé como foram ensinados, transbordando de gratidão” (2.6,7 NVI). 

A experiência pastoral de Paulo o fez identificar qual o problema maior que estava ocorrendo na Igreja de Colossos. Eles haviam tido uma experiência de conversão genuína, mas com o passar dos tempos, na lida com as dificuldades que são próprias da caminhada, enfraqueceram na fé. Surge então os falsos mestres, apresentando propostas alternativas para solucionar alguns problemas relativos a espiritualidade. 

Paulo refuta essas heresias e exorta a Igreja a cultivar uma espiritualidade que de fato tenha a sustentabilidade na centralidade de Cristo. Aponta como necessário a construção de alguns pilares na consolidação desse processo que se baseia na perseverança, edificação, fidelidade e gratidão (2.7). 

O que Paulo estava dizendo e que a Igreja deveria viver em coerência com o que havia aprendido porque a fé não pode estar desassociada da prática. Andar nEle é muito mais profundo do que andar com Ele. O termo “enraizados” em Cristo sugere a ideia de uma árvore que recebe os nutrientes necessários para que possa se desenvolver, crescer e produzir frutos. Ele utiliza também, o termo “edificados” comparando a vida cristã como um edifício que precisa ser construído em bases sólidas e seguras, conforme “foram ensinados”, ou seja, com base nas Escrituras. Estar “em Cristo” é receber dEle o que não temos em nós mesmos, mas que precisamos para termos uma vida espiritual saudável.

2) Advertência Contra os Falsos Mestres – 2.4,8,16,18

“Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo” (2.8 NVI).

Havia em Colossos um sincretismo religioso que ameaçava a fé cristã, ou seja, uma mistura de legalismo, ascetismo e gnosticismo que comprometia a pureza do Evangelho. Paulo insiste para que permaneçam firmes na fé, tendo o cuidado para não se deixarem enganar por “vãs filosofias, segundo a tradição dos homens”, ou seja, com base em conhecimentos meramente humanos, perdendo de vista os ensinamentos que haviam recebido de Epafras acerca do Evangelho (1.7). 

Legalismo: Práticas judaizantes que propunha a retomada da Lei de Moisés como guarda do sábado, circuncisão e cumprimento de algumas festas religiosas. Consideravam que o cumprimento da Lei era meritório e que por meio de ações externas poderiam alcançar favores divinos, negando assim a suficiência de Cristo. Paulo refuta essa prática dizendo que todas essas coisas eram sombras da realidade que estava por vir, que é Cristo ( 2.17) e que Ele, “havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” ( 2.14). O que Paulo estava dizendo é que toda a Lei se cumpriu em Cristo, não havendo mais necessidade de viverem presos às regras. Ele, via o legalismo como um jugo de escravidão e asseverou: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gl 5.1).

Asceticismo: Acreditam que o corpo material é fonte de grandes males, e nele está ausente a divindade. Afirmam que a matéria e o espírito estão em oposição um ao outro. O corpo físico com suas necessidades e desejos inerentes é incompatível com o espírito e a sua natureza divina. Defendem a ideia de que uma pessoa só alcança uma condição espiritual mais elevada se renunciar à carne e ao mundo. Por isso, se privam de prazeres físicos dizendo:” Não toques, não proves, não manuseies (2.21) ou promovem a autoflagelação do corpo, como forma de elevar o padrão espiritual. Paulo se refere a atuação desse grupo ascético em Colossos ao dizer que só têm aparência de sabedoria: “As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne. (2.23). 

Gnosticismo

Nome derivado do termo grego “gnosis”, que significa conhecimento. O gnosticismo no contexto da igreja primitiva combinava elementos da filosofia grega, das religiões pagãs misteriosas, do judaísmo e do cristianismo. Afirmavam que somente por meio do conhecimento o homem seria salvo, negando assim a obra redentora de Cristo, substituindo a fé pelo intelecto. Acreditavam que Deus não se relacionava com a matéria senão por meio de emanações que chamavam de “aeons”, que faziam a intermediação entre o mundo material e espiritual e que na escala de superioridade, encontravam-se os anjos, por isso, prestavam-lhes culto de adoração. Esse ensinamento contraria o ensino de que só há um mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5). Acreditavam também que a matéria e o espírito por serem distintas não se relacionavam, portanto, o que o homem fazia na carne, não afetava o espírito. Essa concepção equivocada os levava a práticas pecaminosas. 

3) Novo Nascimento – 2.11-14

“...vocês foram sepultados com ele no batismo, e com ele foram ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.” (2.12).

No Antigo Testamento a circuncisão, que era um corte no prepúcio, representava a aliança dos judeus para com Deus. Simbolizava a remoção ou separação do pecado e de tudo quanto era ímpio. Paulo se utiliza dessa situação para se referir ao ato espiritual mediante o qual, Cristo remove nossa velha criatura irregenerada e rebelde e nos comunica a vida espiritual ou ressurreta em Cristo: “Nele também vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne” (2.11 NVI). Mediante a fé, fomos ressuscitados no poder de Deus em Cristo, não havendo mais condenação sobre nós, pois Ele riscou “a cédula que era contra nós (dívida) que consistia nas ordenanças (regras), Ele a removeu, cravando-a na Cruz” (2.14) e assim, “anulando o cerimonialismo” (2.16). 

Paulo conclui que Cristo triunfou sobre a morte e sobre as potestades do mal (2.15), nos tornando livres. E como livres, não estamos mais debaixo da Lei. Ele se refere à Lei como sendo “sombras das coisas futuras (2.17) pois apontava para Cristo em quem se cumpriu toda a Lei. Paulo encerra o discurso dizendo: “se pois, vocês já morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras?” (2.20).

O condicional “se” coloca em cheque a nova identidade, ora, se de fato haviam nascido de novo, qual o motivo de estarem ainda presos a regras que nada mais são do que fruto de orientação humana? Pois tais práticas não condizem com a nova vida em Cristo.

Capítulo 3

VI – Aplicação Prática dos Conhecimentos das Escrituras

1) Santificação - 3.1-3 

“Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto” (3.1)

Mudanças efetivas em nossas vidas só acontecem mediante uma nova perspectiva de vida. Olhar para o alto é centrar nossos esforços numa perspectiva das promessas que estão reservadas aos que permanecerem fieis a Cristo. Paulo orienta para que a nossa conduta seja direcionada neste sentido: “pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra”(3.2), isso significa não dar mais importância, além do necessário às coisas transitórias e sim para o que vai nos levar para mais perto de Deus, edificando as bases para uma vida cristã plena em Cristo. E quais seriam as bases para esta nova postura cristã? O próprio Paulo responde: “tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. Tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim, ponham-no em prática” (Fp.4.8,9).

2) Novas Atitudes em Cristo – 3.5-9

“Assim, pois, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena”

Precisamos compreender as implicações do Evangelho para uma vida santificada. O pior inimigo que temos que vencer somos nós mesmos Por isso Paulo utiliza o termo “façam morrer” ou “mortificai” tudo o pertence a natureza pecaminosa, “ as quais vocês praticaram no passado, quando costumavam viver nelas” (3.5 NVI), referindo-se ao que éramos no passado. O grande desafio é reconhecermos as nossas fraquezas e a sufocarmos até a morte ou seja, até que não mais exista. 

Pecados da primeira lista: “imoralidade sexual (prostituição), impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria”(3.5). 

Pecados externos: Paulo começa falando da imoralidade sexual, da prostituição, porque apesar de se tratar de atos externos, nem sempre são visíveis, podendo ser praticado longe de olhares, no entanto, nem por isso deixa de comprometer a vida espiritual de quem as pratica.

Pecados internos – Nesta relação, Paulo trata das motivações. São listados impureza, paixão e desejos maus. As atitudes externas são o resultado do que se passa na mente. O que nós somos expressamos em nossas atitudes concretas. Podemos até dissimular a nossa natureza, mas não vamos deixar de responder pelos nossos atos. Jesus falou que o ato de olhar para uma mulher com intenções impuras já é adultério. . 

Ganância/ Idolatria

Embora a palavra ganância ou avareza, conforme algumas traduções, normalmente esteja associada a dinheiro, neste caso, Paulo a utiliza para referir-se à cobiça, que também se inclui no rol dos pecados internos, isto porque se trata da motivação que nos leva ao encontro de situações de desejo, pensamento e ações más. Não cobiçamos só coisas, mas também pessoas. Esta palavra é também chamada de idolatria porque diz respeito a necessidade de termos algo que nos traga satisfação, que é motivado pelo nosso desejo. Porém, o desejo é algo que nunca é satisfeito, quanto mais se tem, mais se quer. Isso tanto na área financeira, material, emocional ou sexual. O ‘eu” torna-se um ídolo que precisa ser satisfeito a qualquer custo. Tudo o que fazemos é motivado por uma necessidade do “eu”. 

Em sua carta aos Romanos, Paulo diz: “se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”(Rm 8.13). O que ele está dizendo é que o pecado nos leva a morte, mas se vivermos em combate com as coisas que se referem a nossa natureza humana, o espírito será fortalecido e, certamente, viveremos. 

3) Nova Vida em Cristo – 3.8-11

“Mas agora, abandonem todas estas coisas: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar” (3.8 NVI).

Paulo agora amplia a lista, mostrando que estas coisas devem ser abandonadas, que não devem permanecer na vida do crente. A nova vida em Cristo envolve novas atitudes, um novo jeito de falar e de tratar com as pessoas. As palavras têm poder, por isso o livro de Provérbio destaca que “a língua tem poder sobre a vida e a morte” (Pv 18.21). Quando usamos mal as palavras, podemos “matar” uma pessoa, fazer com que se afaste da Igreja. Em momentos de ira, podemos ofender alguém. Toda linguagem depreciativa provém de um espírito soberbo que se coloca em posição superior ao outro. 

No entanto, Paulo fala que a transformação que Cristo opera em nós nos torna semelhantes a Ele, não havendo, portanto, ninguém melhor do que ninguém porque “Cristo é tudo em todos” (3.11). Mas quem fizer agravo (ofensa/injustiça) receberá agravo que fizer, pois não há acepção de pessoas” (3.25). Ou seja, prestaremos contas a Deus de nossos atos e na mesma medida que procedermos com os outros, assim também seremos julgados. Por isso o apóstolo os exorta a viverem em paz, “suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros” (3.13). 

Paulo também se refere a mentira: “Não mintais uns aos outros” (3.9). A mentira necessariamente nem sempre acontece por palavras, mas por meio de atitudes dissimuladas, que pretendem dar uma falsa ideia sobre uma pessoa ou situação. Falsidade é uma atitude reprovável em qualquer circunstância e não deve, de forma alguma fazer parte da vida cristã. 

4) Tudo para a Glória de Deus 3.16,17

“Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus” (3.17).

O que Paulo está dizendo é que todas as nossas atitudes e palavras devem glorificar o nome de Deus. A Palavra de Deus deve habitar em nossos corações (3.16) abundantemente, para que possamos ser orientados por ela em todas as áreas de nossas vidas. Quando a Palavra de Deus influenciar as nossas atitudes, todo o nosso ser será controlado por Cristo: "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31).

5) Deveres Domésticos – 3.18-25;4.1

“Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como convém a quem está no Senhor; Maridos, amem suas mulheres e não as tratem com amargura” (vv.18,19).

Nestes versículos Paulo vai abordar a relação familiar, no trato uns para com os outros, exortando-os a cultivarem a tolerância com base no amor. O princípio da sujeição entre marido e mulher em Cristo deve ser a base para uma vida cristã saudável. A sujeição a que Paulo se refere é em amor, mansidão, paciência e tolerância. Estas características devem permear os relacionamentos dentro de uma família, amando e sujeitando-se uns aos outros para que vivam em harmonia, embora desempenhando papeis distintos, todos são integrantes de um mesmo corpo (Ef 5.22-33; 6.1-9; 1Tm 2.13-15) e como tal, devem buscar o equilíbrio nas suas relações.

Paulo também aborda a relação entre servos e senhores, o que podemos traduzir para os nossos dias como patrões e empregados. A base desse relacionamento deve ser o respeito mútuo e a dedicação no trabalho. Do ponto de vista da ética cristã, os que exercem cargo de liderança não devem oprimir seus liderados porque na mesma medida em que procederem serão julgados no tribunal de Cristo (3.25). 

Capítulo 4 

VI - Exortação à oração e à sabedoria 

1) Perseverança na oração – 4.2-6

“Perseverai em oração, velando nela com ação de graças”

Perseverar significa continuar firme naquilo que já vinham fazendo, sem desanimar, orando com fervor não só por eles mesmos, como também para aqueles que estão na liderança, como era o caso de Paulo, que também se mostrava necessitado da graça de Deus, para que lhe fosse manifestado a sabedoria no saber falar (4.4), para que pudesse, mesmo estando preso, continuar cumprindo com o seu ministério, levando a Palavra a tantos quanto lhe era possível alcançar nas condições que se encontrava. Paulo também os orienta a dar testemunho para com os que não eram da mesma fé, tratando-os de forma “agradável, com sal (temperada), para que saibais como vos convém responder a cada um” (4.5,6).

2) Saudações Finais

Paulo apresenta Tíquico como o seu “mensageiro e fiel ministro”(4.7), a quem confiara tanto levar notícias suas, como também, informa-lo acerca dos irmãos em Colossos (4.8). Juntamente com seu mensageiro, estava Onézimo que pertencia aquela cidade e que agora retornava como um irmão em Cristo (4.9). Onézimo era um escravo fugitivo que roubara algum pertence de seu servo, Filemon, que também pertencia aquela Igreja e, por algum motivo, encontrara-se com Paulo na prisão e este, por sua vez o levou à conversão. Paulo o envia juntamente com Tíquico, com uma carta de recomendação endereçada ao seu senhor, Filemon, que dizia: “Peço-te por meu filho, Onézimo, que gerei nas minhas prisões” (Fm v 10), “e tu, torna a recebe-lo como ao meu coração” (Fm v 12) “ e se te fez algum dano ou e deve alguma coisa, põe isso na minha conta, eu o pagarei” (Fm vv 18,19). 

Paulo também faz menção aos companheiros que estavam com ele, Aristarco, Marco, sobrinho de Barnabé, a quem Paulo também faz boas recomendações para que fosse bem recebido caso viesse a estar com os irmãos. Faz menção a Lucas, o médico amado que o acompanhava em todas as situações, preocupado com a sua saúde, e Demas, além de Epafras a quem dá testemunho do quanto era preocupado com a vida espiritual da Igreja e o quanto se dedicava à oração por eles, tanto quanto pelos irmãos de Laodiceia e Hierápolis. Paulo finaliza solicitando que a carta enviada fosse lida na Igreja de Laodiceia e que a carta enviada aquela Igreja também fosse lida pelos irmãos de Colossos. Paulo subscreve de próprio punho a carta e reforça para que se lembrem da condição que ele se encontrava, ainda na prisão.

Sonia Oliveira

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2 comentários:

  1. Graça e Paz amados irmãos, ótima observação desta carta aos colossenses que com certeza vem nos amparar a vivermos o evangelho genuíno segundo as escrituras, trazendo forte refutação ao sincretismo religioso que havia na época e assim também nos dias atuais, onde vemos que, estes ventos de doutrina continua a pairar sobre muitas instituições que se dizem "igrejas", tentando obscurecer a verdade do evangelho com preceitos e filosofias humanas. Parabéns! que o Senhor Jesus Cristo continue a dar clareza de seu evangelho e possam continuar com esse grande trabalho.

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    1. Obrigada, evangelista Paulo pelo comentário e incentivo. O presente estudo é, realmente, muito oportuno para refletirmos sobre o perigo de um cristianismo sem Cristo onde as pessoas, por não acreditarem na suficiência da Obra de Cristo, acabam introduzindo nas Igrejas, práticas estranhas ao evangelho. Embora os contextos de ontem e hoje sejam diferentes, o sincretismo ainda é uma prática muito presente no meio evangélico, infelizmente. Nesse sentido, creio que o estudo de Colossenses é muito relevante e sou grata a Deus pelo privilégio de poder compartilhar esse manancial com os irmãos. Graça e paz!

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