sexta-feira, 21 de julho de 2017

JÓ - A Essência da Adoração

Texto Bíblico: Jó 1.6-12;  2.1-6

Introdução

O livro de Jó trata sobre um dos grandes questionamentos acerca do motivo pelo qual Deus, sendo justo e amoroso, permite que pessoas íntegras e justas tais como Jó (1.1,8) sofram tanto. Há alguns segmentos teológicos que defendem a ideia de que o sofrimento e  a pobreza  são incompatíveis com a vida cristã e se isso acontece, é porque há pecados ocultos envolvendo a vida da pessoa.  E esse é também o principal argumento que os amigos de Jó vão defender para justificar a tese que levantam na tentativa de encontrarem uma resposta plausível para o sofrimento de Jó. Mas, qual é a explicação real para esses fatos?  Neste breve estudo, pretendemos refletir sobre essas questões e esperamos poder contribuir para um melhor entendimento acerca de um tema tão apropriado para os nossos dias.  

Autoria: Não se tem certeza, mas há estudiosos que defendem ser Moisés

Contexto histórico de  Jó
Há quem diga que essa história é uma lenda, que serve apenas como ilustração para tratar sobre o tema em questão. Porém há indícios históricos de que Jó existiu de fato.  Além disso, a própria Bíblia traz outras referências que corroboram essa narrativa. E uma delas, no Antigo Testamento, Deus faz menção a Jó, colocando-o na mesma posição que Daniel e Noé, no que diz respeito a sua retidão (Ez 14.14,20).  Em outra passagem, no Novo Testamento,  Jó é mencionado  como  exemplo de paciência em meio à tribulação (Tg 5.11). O Apóstolo Paulo afirma que tudo o que antes fora escrito na Bíblia (A.T) serve para o nosso ensino, para que, “pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança (Rm 15.4). Se fosse lenda, que benefício essa história nos traria? Não há dúvidas, portanto, tratar-se de uma situação real.

Localização Geográfica
Com relação aos estudos feitos por historiadores, não há um consenso quanto a localização exata da região, porém, não resta dúvidas que de fato Uz, cidade mencionada na Bíblia existiu.  De acordo com as informações obtidas, Jó viveu na época dos patriarcas (Abraão, Isaque e Jacó), aproximadamente em torno de 2100-1800ª.C, na terra de Uz.  A maioria dos eruditos acreditam que  Uz ficava a sudeste da Palestina e do Mar Morto, ou ao norte da Arábia, próximo a Edom (Lm 4.21). Há, porém, outros, que acreditam que Uz ficava ao nordeste do Mar da Galileia, na direção de Damasco. 

Vida Pessoal de Jó
O autor do livro inicia a narrativa descrevendo o personagem desta história, como sendo um homem sincero, reto e temente a Deus, que se desviava do mal (1.1). Fala ainda sobre a sua vida familiar. Ele tinha sete filhos homens e três mulheres (1.2). Seus filhos promoviam grandes festas, ora na casa de um, ora na casa de outro e assim, comiam, bebiam e se alegravam (1.3). Jó era um pai zeloso e se preocupava com a vida espiritual de seus filhos, a ponto de, logo após decorridos esses períodos de banquetes, ele se levantava de madrugada e oferecia sacrifícios a Deus, segundo o número de seus filhos, porque temia que estes, de alguma forma pudessem ter cometido algum pecado contra o Senhor (1.5).

Aplicação: Os filhos de Jó representam os filhos de crentes que não têm compromisso com Deus. Levam a vida do jeito que bem entendem, sem nenhuma preocupação senão a satisfação de seus prazeres. Jó, um homem temente ao Senhor, logicamente, intercedia pela vida de seus filhos. Porém, a salvação é individual. Cada um dará conta de si mesmo diante do Senhor. Não é pelo fato de um pai ou uma mãe ser serv0(a) de Deus que seus filhos estarão isentos de responsabilidades. Por isso, além de interceder por nossos filhos, devemos sim, instruí-los nos caminhos retos do Senhor e quando se fizer necessário, repreendê-los sim, pelos seus atos para que eles tenham a oportunidade de endireitar seus caminhos enquanto ainda há tempo.  No caso dos filhos de Jó, não houve tempo, foram surpreendidos por um vento forte que interrompeu seus sonhos.

Vida Financeira de Jó
A Bíblia descreve Jó como um homem de muitas posses.  Ele tinha sete mil ovelhas, três mil camelos e quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas. Havia muitas pessoas trabalhando para ele de forma que era, na sua época, o mais rico de todo o Oriente (1.3).

A  Acusação de Satanás
O próprio Deus testifica sobre Jó dizendo que não havia ninguém na face da terra que se assemelhava a ele, pois era homem sincero, reto e temente a Deus e que se desviava do mal (1.8b). Ao ouvir tal declaração, Satanás, reagiu, como era de se esperar, dando início a um discurso de acusação. Segundo a sua teoria, havia uma relação baseada em interesse da parte de ambos. Por um lado, declarou que a adoração de Jó não era sincera pois somente se dava porque recebia certas vantagens pessoais de Deus. Por outro lado, Satanás insinua que Deus obtinha a devoção de Jó por meio de concessões de bênçãos e subornos.

10 Será que não é por interesse próprio que Jó te teme? 10Tu não deixas que nenhum mal aconteça a ele, à sua família e a tudo que ele tem.  Abençoas tudo o que Jó faz e no país inteiro, ele é o homem que tem mais cabeça de gado. 11Mas, se tirares tudo o que é dele, verás que ele te amaldiçoará sem nenhum respeito” (1.9-11 NVI).

O que Satanás estava dizendo é que Deus era ingênuo por não perceber que a Jó somente o adorava por interesse e que, se Ele retirasse tudo de Jó, ele o amaldiçoaria. O que podemos entender com essa afirmativa é que Satanás está afirmando que o amor ao dinheiro é maior do que o amor a Deus. E que as pessoas somente buscam a Deus por interesse, não pelo que Ele é, mas sim pelo que Ele pode fazer.

Satanás ao emitir seu julgamento, não considerou os atributos de Deus. Deus sonda e conhece o coração do homem e sabe o que pensa o que sente... (Sl 139). Deus sabia quem era Jó e não titubeou em deliberar autorização para que a fidelidade de Jó fosse provada. Disse o Senhor a Satanás “ Pois bem, faça o que quiser com tudo  o que Jó tem, mas não faça nenhum mal a ele mesmo” (1.12).

O Início das Aflições de Jó
Deus liberou Satanás a tocar em todas as áreas da vida de Jó, menos nele mesmo.  Com isso, Deus está impondo limites a Satanás, ou seja, ele não pode nada além do que Deus permite. Tão logo recebe permissão, Satanás parte para cima de Jó com toda a fúria possível.  Ele usou se utilizou de algumas estratégias  para levar Jó a ruína em um só dia. Enviou os Sabeus,  que atacaram a fazenda e levaram tudo, deixando rastro de mortes para trás (1.15). O “fogo de Deus”, faz referência aos raios que atingiram as ovelhas e os pastores, e só um sobreviveu para levar esta notícia a Jó (1.16). Enviou também os Caldeus que se dividiram em três bandos e atacaram  o rebanho  e levaram os camelos, matando a espada os empregados (1.17). E por fim, enviou um vento forte vindo do deserto (provavelmente um furação) que soprou sobre a casa do filho mais velho de Jó onde estavam todos festejando em um banquete, quando a casa desabou e todos morreram, provavelmente soterrados (1.18). 

Em cada um desses episódios, sobrevivia um servo de Jó que imediatamente corria para levar a notícia do ocorrido. Jó, tendo ouvido cada relato, levantou-se, rasgou suas vestes,  raspou sua cabeça e depois, ajoelhou-se no chão, encostou o rosto no chão e adorou a Deus, dizendo: “Nasci nu, sem nada, e sem nada vou morrer. O Senhor deu, o Senhor o tirou, louvado seja o seu nome!” (1.20,21). Assim, cai por terra o que Satanás havia dito, porque apesar de tudo o que aconteceu, Jó não amaldiçoou a Deus,  ao contrário, continuou adorando-o. Jó prova que ama mais a Deus do que o dinheiro e do que a família. Deus estava em primeiro lugar em seu coração.

Segunda Provação de Jó
No Capítulo 2, vemos novamente, Satanás se apresentar diante de Deus, como quem não quer nada, mas já com segundas intenções. Deus estava muito satisfeito com a atitude de Jó. O diálogo entre os dois se estabelece e novamente Deus enaltece as qualidades de Jó:

“Você viu o meu servo Jó? No mundo inteiro não há ninguém tão bom e tão honesto como ele. Ele me teme e procura não fazer nada que seja errado. No entanto, você me convenceu e eu o deixei desgraçar Jó, embora não houvesse motivo para isso. Mesmo assim, ele continua firme e sincero como sempre” (2.3 NVI).

Satanás é obstinado e começa com suas insinuações novamente. Desta vez o alvo dele é Jó. Satanás diz que quando uma pessoa tem saúde, é fácil adorar a Deus, mas Jó, certamente blasfemaria se ele o tocasse. Conhecendo o coração de Jó, Deus o autoriza a tocá-lo (2.4,5). E, imediatamente, Satanás fez com que o corpo de Jó ficasse coberto de feridas horríveis, da cabeça a planta dos pés (2.6). O corpo de Jó estava cheio de bolhas que lhe provocavam dores. Certa feita, estando ele sentado sobre um monte de cinzas, pegou um caco para estourar as bolhas e para se coçar.

Sua esposa, aproximando-se e vendo-o naquele estado ficou perplexa e disse: “Como pode ainda assim continuar mantendo a integridade? Amaldiçoa o seu Deus e morra” (2.9).  Sem que ela se desse conta, Satanás havia colocado em sua boca, exatamente o que ele pretendia que Jó fizesse. Porém, Jó respondeu-lhe: “você fala como uma doida. Se recebemos coisas boas de Deus, por que não vamos aceitar também o mal” (2.10). Assim, Jó prova que ama mais a Deus do que a si mesmo. Mais uma derrota para Satanás.

Os Amigos de Jó
Os amigos de Jó tendo ouvido sobre tudo o que havia sucedido, combinaram entre si de irem visita-lo e cada um, vindo de um lugar diferente, marcaram para se encontrar e irem juntos levar consolo ao amigo que estava sofrendo. Eram eles Eliafaz, Bildade e Zofar. Vendo Jó de longe, não o reconheceram, mas, ao se aproximarem perceberam ser ele mesmo então, começaram a gritar e a prantear. Em sinal de tristeza, rasgaram suas roupas e jogaram pó para o ar e sobre suas cabeças. Aproximaram-se, sentaram-se no chão ao lado de Jó e permaneceram em silêncio por sete dias e sete noites diante do quadro de sofrimento que estavam presenciando (2.11-13).

O  Sofrimento Visto por Ângulos Diferentes
Em dado momento, o silêncio foi interrompido por uma sequência de diálogos onde os amigos de Jó  tentavam teologizar a situação apontando possíveis fatos que justificassem o sofrimento pelo qual ele estava passando.

Argumentos dos Amigos de Jó
Os argumentos dos amigos de Jó contêm graves erros teológicos. Eles partem do pressuposto que se o justo é poupado dos revezes da vida  e que está isento do sofrimento.  E que a raiz de todo o mal que sobreveio sobre Jó seria, certamente, devido a algum pecado por ele cometido. Jó alega inocência. Reconhece-se como pecador, mas que a sua vida era pautada em retidão diante do Senhor. Mas essa justificativa não intimida os amigos que investem contra Jó as mais pesadas acusações, chamando-o de adúltero, ladrão de órfãos e viúvas,  de hipócrita e louco, por não reconhecer a própria culta e não confessar ao Senhor a fim de que Ele o restaurasse por completo. Zofar ainda alega que Deus estava sendo misericordioso com Jó, porque ele merecia coisa pior diante da gravidade de seus erros. (4.7). Elifaz adverte Jó a procurar a Deus e diz que se estivesse no lugar dele, certamente faria o mesmo (4.8-16) e que Jó, não deveria desprezar a disciplina do Todo Poderoso (4.17-27).

Aplicação: Jesus não nos enganou dizendo que viveríamos em um mar de rosas, muito pelo contrário, Ele mesmo disse que se quiséssemos segui-Lo, deveríamos tomar a Cruz - simbolizando o sofrimento,  (Mt 16.24), e que no mundo o justo teria aflições, mas nos confortou para que tivéssemos bom ânimo, pois Ele venceu o mundo (Jo 16.33) e estaria conosco até o final dos tempos (Mt 28.20). Se considerarmos a vida dos Apóstolos, todos passaram por lutas e perseguições, por privações e provaram sua fé em meio aos combates. Por que seria diferente conosco? Deus não impediu que Daniel fosse jogado na cova dos leões, mas esteve com ele na cova para manifestar a sua glória. Também, não impediu Mizaias, Azarias, Ananias de serem lançados na fornalha, mas Ele estava lá com eles, era o quarto homem ali presente. Ás vezes, Deus não nos livra dos problemas, mas através das adversidades, Deus prova a nossa fidelidade.

O Desespero de Jó Diante das Acusações
Jó estava já em desespero diante dessa avalanche de acusações infundadas. O seu estado emocional se desintegrou e ele desejou a morte. Ele não se achava perfeito, mas negava as acusações que lhe eram proferidas, porque sabia não merecê-las. Diante de Deus ele procurava ser justo e reto e por isso, não compreendia o motivo de seu sofrimento e questionava a Deus: Porque te escondes de mim? Porque me tratas como a um inimigo? (13.24). Perguntava ao Senhor “quantas faltas e pecados cometi ? De que erros e pecados estou sendo acusado?”(13.23 NVI). Por dezesseis vezes ele repetiu,  “por que, Senhor?”. Mas Deus permanecia em silêncio. Ele, em seu desespero e angústia lamentou o fato de ter nascido e desejou a morte. Levantou aos Céus cerca de trinta e quatro queixas porque considerava que Deus o estava punindo injustamente. Ele queria respostas, mas não as obteve para seu desespero.

Aplicação: Nem sempre Deus se pronuncia para nos dar satisfação sobre o que Ele está fazendo e o porquê disso ou daquilo.  Enquanto ele está em silêncio, a nossa fé é forjada. O silêncio de Deus indica que Deus está trabalhando em nosso favor e que não é hora dEle se manifestar, por razões que não nos compete saber. Mas quando a obra que Ele está realizando se completar, então saberemos que a longa espera terá valido a pena, que não foi em vão, porque o que Deus tem para nossas vidas é infinitamente maior do que almejamos. (Is 55.8,9).

Deus Rompe o Silêncio e Mostra a Jó Sua Grandeza e Sabedoria
A partir do Cap 38, Deus rompe o silêncio e se manifesta a Jó, em meio a um redemoinho (v 1). Em outras versões vai dizer que, no meio da tempestade. Ou sejam, em meio ao turbilhão de situações adversas, quando tudo parecia não fazer sentido, Deus aparece majestosamente e questiona Jó se ele sabia quem era o Deus a quem servia. Porque, muitas vezes, olhamos para o gigante que se levanta contra nós e nos esquecemos do tamanho do Deus a quem servimos

Deus inicia o diálogo mostrando que Jó estava fazendo um julgamento equivocado acerca do Deus a quem servia. Disse-lhe: “As suas palavra só mostram a sua ignorância, quem é você par pôr em dúvida a minha sabedoria?”(38.2). Muitas vezes, julgamos que Deus precisa de ajuda e nos propomos a dar solução para determinada situação, como se Ele não soubesse o que e o porquê de agir desta ou daquela forma.

Deus pede a Jó que o avalie pela extensão de suas obras. O Salmista diz que “Os Céus declaram  a glória de Deus e o firmamento proclama a obra feitas pelas suas mãos” (Sl 19.1), portanto os homens são inescusáveis em negar a glória de Deus (Rm 1.20). E nesse Capítulo, Deus se declara a Jó em toda a sua majestade dizendo: “Onde você estava quando eu lancei os fundamentos da terra? Quando eu espalhava as estrelas no céus; quando eu cercava as águas do mar para elas não invadirem a terra. Me explica Jó, onde fica o reservatório do vento; Você sabe de onde vem a luz e qual a origem da escuridão?

O profeta Isaías declara que Deus é aquele que sustenta o Universo na palma de sua mão, que conhece cada estrela pelo seu nome e quando as chama elas se apresentam diante dEle;  Que a sua sabedoria não procede de conhecimentos humanos; que todas as nações são como uma gota de água que cai do balde e todas elas não são nada diante dEle.  Que uma ilha para Ele é como um grão de areia (Is 40). Você tem noção da grandeza desse Deus a quem você serve?

A esta altura, Jó é quem estava em silêncio. Não tinha respostas e foi se encolhendo diante da grandeza, soberania e majestade de Deus. Jó reconheceu os seus limites e pode ver, com seus olhos o tamanho do Deus a quem ele conclui que só conhecia de ouvir falar, mas que agora contemplava com seus olhos a sua grandeza (Cap 42) e concluiu dizendo: “Eu reconheço que para Ti nada é impossível e que nenhum de seus planos podem ser impedidos” (42.2).  Jó fica envergonhado diante de Deus por tudo o que havia dito (v 6).

Deus Reverte a Situação de Jó
A Bíblia nos ensina que devemos orar pelos nossos inimigos e os que nos caluniam (Mt 5.44).  A sorte de Jó foi mudada a partir do momento que ele se pôs a orar pelos seus amigos (42.10). Jó se compadeceu da ignorância deles pois depois da experiência que teve com Deus, tudo ficou tão pequeno. Ele demonstrou ter um coração manso e piedoso.  Enquanto Jó orava, Deus foi visitar os amigos dele e os repreendeu duramente não só pelo julgamento errado que fizeram acerca de Jó como também, pelas inverdades teológicas que pregaram.

Na sua presunção, se arvoraram como juízes. Foram arrogantes, maldosos e não tiveram compaixão do sofrimento de Jó. Eles se julgavam sábios e profundos conhecedores das coisas de Deus, porém, estavam equivocados, e o pior de tudo é que não praticavam a verdadeira religião que é o amor ao próximo.  Eles disseram muitas inverdades sobre Jó e colocaram sobre ele um peso desnecessário quando deveriam apenas consolá-lo em sua dor. Há momentos que palavras são desnecessárias, mas as atitudes sim, fazem a diferença.

Então, Deus diz que não aceitaria a oração deles, somente as intermediadas por Jó. A Bíblia diz: “Sabemos que Deus não ouve a oração do pecador, mas ouve ao homem que o teme e pratica a sua vontade” (Jo 9.31). Por isso, se faz necessário que oremos pelos que ainda não foram alcançados pela graça salvadora do nosso Senhor Jesus Cristo. Por meio de nossas orações, Deus opera na vida dos pecadores. Jó é restituído em dobro de tudo quanto havia perdido enquanto orava pelos seus amigos. Pessoas vinham de longe, parentes, amigos, para visita-lo e contemplar o que Deus havia feito em sua vida.

Levavam consigo presentes, dinheiro e ouro, e “assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro, porque teve catorze mil ovelhas e seis mil camelos e mil juntas de bois e mil jumentas” (42.12). Também a vida familiar de Jó foi abençoada, o casamento restaurado e ele teve sete filhos e três filhas e não havia em toda a terra moças mais belas que suas filhas (42.15).  Talvez você esteja se perguntando, como Deus devolveu em dobro, se ele teve apenas dez filhos ao todo porque os outros haviam morrido. A resposta é simples. O Pastor Hernandez Dias Lopes disse acertadamente, que filhos não se perdem, porque sabemos onde estão e com quem estão. Portanto, filhos se acrescentam, e não diminuem.

Conclusão 
Jó nem de longe imaginava o real motivo de seu sofrimento. Ele foi provado como ouro, para depois ser aprovado. Havia um propósito de Deus em todo o sofrimento que passou. Deus é um Deus de propósitos. Caiu por terra todas as teses de Satanás que no início do livro insinuou que o homem seria incapaz de ter um relacionamento com Deus sem nenhum interesse. Que toda adoração a Deus é decorrente de uma relação de troca benefício.  Insinuou que Jó amava mais o dinheiro do que a Deus; que amava mais a família do que a Deus; e que amava mais a si mesmo do que a Deus. Sem saber que estava em cheque uma questão tão relevante, Jó demonstrou que o verdadeiro adorador adora Deus não pelo que Ele faz, mas pelo que Ele é.  Deus está à procura de verdadeiros adoradores, daqueles que o adoram em espírito e em verdade (Jo 4.23). Que esta mensagem possa despertar em nós a essência da adoração. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

Aprendendo a ser Dependente de Deus

Assim, como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formou os ossos no ventre da que está grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que fez todas as coisas” (Eclesiastes 11:5)

Introdução

Uma das maiores inquietações do homem é perceber que não está no controle de sua própria vida. É saber que é impotente diante de algumas situações. Ele tenta, por todos os meios ser autossuficiente. Se assim o fosse, ele certamente, não precisaria de ninguém, seria o deus de si mesmo. Porém, por mais que relute em admitir, existe um ser maior que está no controle de todas as coisas, que rege e governa soberanamente todas as coisas. Enquanto não nos submetermos a Ele, estaremos nos assemelhando as ondas de um mar revolto que se agita de um lado para o outro até se chocar em um penhasco e perder as suas forças. É nesses momentos que o homem entra em um conflito existencial muito grande e se desespera. Refletir sobre essas questões se faz necessário e este texto nos fornece elementos riquíssimos para repensarmos a nossa vida e nos posicionarmos diante do criador.

Síntese da Mensagem do Livro de Eclesiastes

O livro e Eclesiastes mostra as várias nuances da vida do homem que tenta viver sem Deus. Por um lado, ele acredita que pode ser feliz por si mesmo. Busca, desenfreadamente satisfazer os seus desejos de muitas formas, através do poder, do conhecimento, das riquezas, do sexo, dos vícios, etc.  Por outro lado, descobre também, o engano, porque nenhuma dessas coisas podem preencher o vazio existencial que sente. Porque há em nós um vazio do tamanho de Deus, e nada e ninguém é capaz de preenche-lo senão o próprio Deus.

E foi essa a trajetória de Salomão, um homem que recebeu da parte de Deus muita sabedoria e riquezas, mas que preferiu conduzir sua vida segundo o seu próprio entendimento, de forma extravagante e fútil.  Embrenhou-se pelo caminho do engano e tornou-se um homem infeliz. Como consequência, houve um declínio espiritual acentuado em sua vida.

Teve tudo o que um ser humano poderia desejar, fama, honras, riquezas, prazeres, porém, distanciou-se dos caminhos do Senhor e, somente na sua velhice, reconheceu que desperdiçou a sua vida com futilidades pois, admitiu que todas essas coisas eram apenas “vaidades” (Ec 1.2). Considerou que o mais importante de tudo é o tempo que dedicamos ao Senhor (Ec 12.1), o temor e obediência aos seus mandamentos (Ec 12.13,14). Conclui afirmando que esse é o único caminho que dá sentido à vida.  Restou-lhe o arrependimento.  

11 “E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando tinha feito; e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito e que proveito nenhum havia debaixo do sol” (Ec 2.11)

Nível de Dependência de Deus

Salomão considerou que a melhor coisa é estar com Deus, estar debaixo da obediência e do temor a Ele. Porém, ter uma vida com Deus implica em relacionamento. Esse relacionamento é baseado em uma estreita relação de obediência e dependência. Não podemos estar com Deus, de braços dados com o mundo ou querendo conduzir as coisas à nossa maneira. Deus exige de nós exclusividade e obediência. Portanto, cabe a nós a decisão de optarmos em estar por inteiro nesse relacionamento.

9 Mas vós, sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido [...] 10 Em outro tempo, não éreis povo, mas agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora, alcançaste misericórdia”.(1Pe 2.9,10)

Somos um povo separado, adquirido por um alto preço (1 Co 6.20), fomos resgatados pelo precioso sangue de Jesus Cristo (1 Pe.1.19). Ele nos transportou do Reino das trevas para a Reino do Filho do seu amor em quem temos a redenção (Cl 1.13,14). Temos agora uma nova vida em Cristo e essa nova caminhada com Cristo, não é fácil. O exercício de nos despojarmos da velha natureza, onde o centro de tudo era sempre o “eu”, para agora, abrirmos mão da nossa própria vontade para que a vontade soberana de Deus se realize em nossas vidas. O apóstolo Paulo diz que “a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável” (Rm 12.2) e suas bênçãos nos enriquece e não acrescenta dores (Pv 10.22). Ou seja, o que Deus nos concede, por acréscimo de suas misericórdias é sempre bom.

O Exercício da Fé

A Bíblia diz que o justo viverá pela fé (Hc 2.4c). Essa fé, não é algo que adquirimos por nós mesmo, mas nos é concedido como um dom de Deus (Ef 2.8b). Essa fé é forjada mediante as circunstâncias que nos conduzem a um nível profundo de confiança em Deus, alicerçada na Palavra ( Rm 10.17). De acordo com a Bíblia, fé “é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). Ou seja, é dar existência a algo que ainda não aconteceu, mas que se tem a plena convicção que vai acontecer.  A fé é condição essencial para que o mover de Deus aconteça em nossas vidas, conforme o autor das Cartas aos hebreus diz: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). Deus usa as circunstâncias para forjar a nossa maturidade cristã.

A Dinâmica do Agir de Deus                                                         

“Assim como tu não sabes qual o caminho do vento...” (Ec 11.5a)

Assisti outro dia uma ministração do Pr Luciano Subira, cujo título é “O Agir Invisível de Deus”, onde ele traz uma interpretação muito interessante acerca deste versículo. E vou tomar a liberdade de aqui fazer um rascunho da sua fala para ilustrar melhor esta tão rica mensagem.  Tomando a sua própria fala ele diz “que Deus, não é apenas um  Deus que age, mas que tem o controle de tudo o que faz”, fazendo  menção do Cap 11 de Eclesiastes no v 5c. Sim, Deus age em todas as circunstâncias e de forma nem sempre tão clara para o nosso entendimento. Muitas vezes, consideramos que Deus não está vendo o nosso problema e não está agindo em nosso favor pelo simples fato de que não temos evidências palpáveis para avaliar essa situação. Este versículo, nos oferece a possibilidade de dimensionar o agir de Deus mesmo quando estamos diante de um fenômeno do qual não conseguimos compreender.

O texto foi escrito em uma época que não se tinha os conhecimentos meteorológicos para afirmar com certeza como se dá as mudanças do vento. As correntes de ar se movimentam o tempo todo e mudam a direção constantemente. A olhos nus não temos como compreender o fenômeno em si, mas podemos percebê-lo pelo movimento que faz em torno de si por onde passa, movimentando as plantas e podemos senti-lo pelo tato. Mas não o compreendemos. Assim é também em relação a Deus. Embora não desconsiderando a sua existência, por falta de conhecimento, não entendemos a sua maneira de agir e até mesmo o seu silêncio, muitas vezes.

Há um Tempo para Todas as Coisas

...nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida...” (Ec 11.b)

Estamos acostumados a um imediatismo, onde tudo tem que ser para ontem. No entanto, no que diz respeito as coisas de Deus, não funciona desse jeito, pois “tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Ec 3.1). Deus tem propósitos bem definidos para as nossas vidas. O silêncio de Deus não significa indiferença para conosco e sim, que não nos compete saber o que Ele está fazendo no momento. Assim como o processo de formação da criança no ventre de sua mãe está oculto aos nossos olhos o seu desenvolvimento ocorre lentamente, e no tempo oportuno, podemos contemplar os resultados pelas evidências claras e óbvias. Desta forma também, Deus trabalha por nós.

O Agir de Deus é um Ato de Soberania

“... assim como também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas” (Ec 11.b).

Nem sempre podemos compreender o agir de Deus. Mas uma coisa é certa, Ele não está indiferente à nossa situação. Ele sabe cada detalha de nossa vida, sabe as nossas necessidades, as nossas angústias e tristezas. Nem sempre Ele revela os seus propósitos e só vamos compreendê-lo mais adiante. O silêncio de Deus nos deixam inseguros e inquietos. Mas o silêncio de Deus significa também, que Ele está trabalhando e não quer ser interrompido.  Deus está no controle de todas as coisas.  A decisão de nos revelar ou não as coisas, pertencem a Ele. Isto é um ato de soberania divina. Ele não tem por obrigação nos dar satisfação de seus atos. Mas uma coisa é certa, ele sempre trabalha em favor do seu povo.

Esse tempo de espera, embora seja angustiante, é necessário. Pois, é justamente nesse período mais difícil que devemos exercitar a nossa fé e aprender a esperar no Senhor. O profeta Isaías diz que “aqueles que esperam no Senhor, renovarão as suas forças e subirão com asas, como águias; correrão e não se cansarão, caminharão e não se fatigarão” (Is  40. 31), isto porque, segundo diz o salmista Davi, “O Senhor é a minha força e o meu escudo, nEle confia o meu coração” (Sl 28.7). Se, verdadeiramente, cremos que Deus é Deus, então temos que aprender a confiar nEle e descansar o nosso coração porque no tempo oportuno, a vitória vai chegar.

Deus tem Propósitos em Tudo o que Faz

Muitas vezes nos questionamos sobre as razões que levam Deus se manifestar de forma clara em algumas situações e em outras se manter em silêncio. Podemos cogitar, pelo menos duas razões pelas quais isso ocorre, conforme veremos a seguir.

1- Fortalecer a nossa fé

Conforme já, mencionamos neste texto, toda a nossa relação com Deus é baseada na fé, “visto que andamos por fé e não por vista” ( 2 Co 5.7), ou seja, é pela fé que nos movemos e não por aquilo que podemos ver. A nossa relação com Deus, necessariamente não precisa estar pautada no que vemos mas no que sabemos. E o que sabemos é o que Ele mesmo disse, de que sempre estaria conosco em todas as circunstâncias: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28.20). É uma afirmativa de que Ele se faz presente o tempo todo em nossas vidas. E disse mais, “Nunca te deixarei nem te desampararei ” (Hb 13.5b). Assim, não nos resta dúvidas de que, apesar de todas as circunstâncias, muitas vezes adversas,  Deus está presente em nossas vidas e não há porque duvidar que tudo o que Ele faz é para o nosso bem. Como diz a canção, “Se Ele fizer Ele é Deus, senão fizer, continua sendo Deus”. A Ele a glória para todo o sempre, amém!

2- Nos Preservar dos Ardis do Maligno

O apóstolo Paulo fala que o Evangelho era um mistério oculto de Deus e que só foi revelado depois da obra concluída para que o inimigo não tentasse interferir em seus planos (Ef 3.3-9). Esse mistério só foi revelado pelo Espírito aos santos (Cl 1.26). Não tendo conhecimento pleno dos planos de Deus, o diabo, muitas vezes, na tentativa de impedir que os propósitos de Deus se cumpram, ele acaba corroborando para que a vitória seja alcançada, como foi no caso de Jesus, pois, acreditando que conduzindo Jesus a morte seria o fim, ele fez de tudo para que isso acontecesse. No entanto, era justamente a morte na cruz que levaria Jesus a cumprir os planos de redenção da humanidade, onde ali cravou na cruz, toda condenação que pesava sobre nós (Cl 2.14.) E a sua ressurreição é a vitória que nos enche de esperança e nos move para irmos ao encontro do mestre.

Da mesma forma, o inimigo não pode saber de tudo, ele observa, colhe informações, espreita, mas não sabe o que Deus tem para nossas vidas. Sabe que somos escolhidos e isso já é motivo o suficiente para tentar nos barrar. Porém, ele não tem permissão para fazer o que quer. Só pode agir até onde Deus permite. E por qual razão Deus permite o mal? Para que o mal resulte em um bem maior. No caso de Pedro, Jesus disse: “Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo” (Lc 22.31). Mas por que haveria necessidade de Pedro ser tentado? Ele não tinha uma vida íntima com o mestre? Não havia largado tudo para seguir Jesus? Sim. Tudo isso é verdade.

Mas havia ainda necessidade desse mesmo homem ser aperfeiçoado para a grande obra que Deus tinha para realizar através de sua vida. Ele era ainda muito carnal, muito impetuoso. Precisava alicerçar a sua fé e amadurecer. Depois desse episódio, Pedro nunca mais foi o mesmo. Estava agora pronto para se tornar pescador de homens (Jo 21.17).  Mas mesmo na prova, Deus é o quarto homem na fornalha como no caso de Mizael, Ananias e Azarias ( Dn 1-30). Depois de avisar Pedro a respeito da provação que o aguardava, Jesus disse: “Mas, eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça...”” (Lc 22.32). O diabo também tentou contra a vida de Daniel, e usou de astúcia para lança-lo na cova dos leões. Deus não impediu a ação do inimigo, mas esteve com Daniel na cova, impedindo que os leões o devorasse.  Com isso a glória de Deus foi manifesta e Daniel foi colocado entre os principais do reino. Ou seja, o que era para ser a destruição, acabou servindo de alavanca para Daniel alcançar a vitória que Deus havia projetado em sua vida.


Conclusão

Como vimos, Deus é Deus e tem um jeito que é só dEle. Não nos cabe questionar o seu modo de agir “porque dEle e por Ele e para Ele são todas as coisas” (Rm 11.36). A Ele seja a honra, a glória e o louvor para sempre. Tudo o que Ele faz é perfeito e não há nada que fuja ao seu controle. Estamos guardados debaixo de suas potentes mãos e sabemos que os seus pensamentos sobre nós são bons (Jr 29.11), maiores e melhores do que os nossos pensamentos (Is 55.9). Deus tem planos grandes em nossas vidas, mas antes de nos colocar onde Ele quer, ele nos capacita, nos prepara. Mesmo sem entender o porquê de muitas provações, se Deus permitiu é porque há um propósito para isso e só vamos entender mais adiante quando chegarmos no lugar onde Ele já preparou para estarmos. José precisou passar por tudo que passou para chegar onde chegou. Em parte, o inimigo usou seus irmãos para tentar destruir os planos de Deus em sua vida, mas acabou conduzindo-o para o lugar onde estava reservado a sua vitória. José só foi entender isso lá na frente. Sejamos perseverantes, sempre constantes na obra do Senhor, sabendo que o nosso trabalho não é vão, no Senhor (1 Co 15.58).

Sonia Oliveira

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Asafe: O Perigo de Perder o Foco

Quanto a mim, os  meus pés quase que se desviaram, pouco faltou para que escorregassem os meus passos.” (Sl 73.2)

Introdução

Este Salmo trata de um problema que inquieta muita gente porque, embora Deus seja soberano e justo, o que se percebe, na maioria das vezes, é que os ímpios geralmente prosperam (vv 3-12), enquanto quem serve a Deus parece levar uma vida mais difícil e com poucas regalias (vv 13,14). Esse também era o entendimento de Asafe e por não compreender essas coisas, quase apostatou na fé (v 2). Porém, ao abrir seu coração a Deus, o Senhor o restaura e o faz entender o fim trágico dos ímpios e a alegria das bênçãos vindouras para os que perseveram na fé.

I – As Ameaças que Comprometem a Vida do Crente

Podemos extrair alguns ensinamentos neste texto que nos adverte quanto aos perigos que ameaçam a nossa vida espiritual e comprometem os planos de Deus em nossas vidas

     a)  Murmuração – Nm 14.1-4; 11,12

Tomando como pano de fundo a história narrada em Números, vemos um Deus amoroso e zeloso para com seu povo, que os havia tirado da escravidão e os estava conduzindo a Terra Prometida, terra que mana leite e mel. Durante a travessia, Deus cuida de seu povo nos mínimos detalhes, porém, não obstante a esses cuidados, o povo murmura e ameaça retroceder. Vendo tais atitudes, Deus não se agradou e decidiu puni-los.  

A Bíblia diz que os planos de Deus são sempre maiores do que os nossos: “os meus pensamentos são mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55.9b). Não podemos sequer imaginar a grandeza do que Deus tem preparado para os que Ele ama e tem como filhos. Porém, somos imaturos e inconsequentes e por não compreendermos e nem tampouco aceitarmos a disciplina necessária para o nosso crescimento durante a caminhada, às vezes murmuramos, da mesma forma que o fez o povo de Israel. Com essa atitude infantil, só retardamos as nossas bênçãos.

Asafe também desviou seu olhar para observar o que acontecia à sua volta. Analisou a vida dura que levava, mesmo servindo e sendo fiel a Deus e  teceu comparações quanto a aparente prosperidade do ímpio que vivia sem temor e mesmo assim, pareciam tão felizes, usufruindo de uma vida abastada e tranquila e isso o fez experimentar uma certa  inveja. Começou a se sentir injustiçado e a tristeza entrou em seu coração a tal ponto, que ele mesmo diz que quase retrocedeu na fé (v 2).

     b)  Desânimo – Js 1.5b

O olhar sob a perspectiva de derrota que Asafe teve o levou a desanimar. O desânimo é um grande vilão na vida do crente porque neutraliza as suas forças e o faz estacionar ou até mesmo paralisar sua caminhada na fé. O desânimo pode surgir também, quando nos sentimos impotentes diante de uma situação da qual não podemos humanamente falando, mudar ou realizar. Esse foi o caso que Josué enfrentou quando teve que assumir responsabilidades que aos seus olhos pareciam maiores do que poderia suportar. Moisés havia morrido e ele teria que sucedê-lo porque esta era a vontade do Senhor. Embora durante muito tempo estivesse na retaguarda ajudando Moisés, não se sentia apto para a liderança que lhe fora agora,  confiada.

Porém, quando Deus escolhe alguém para uma tarefa, Ele é quem capacita e quem sustenta. Vendo a angústia de seu servo disse-lhe apenas: “esforça-te e tenha bom ânimo”(Js 1.6a). Ou seja, o que o Senhor estava lhe dizendo, em outras palavras, era para que ele não olhasse para o tamanho do problema e sim para o tamanho do Deus a quem servia. Competia-lhe apenas fazer a sua parte, porque Deus é quem estava na direção daquele negócio. E para tirar o peso que sentia sobre os ombros, disse-lhe: “como fui com Moisés, assim serei contigo. Não te deixarei nem te desampararei” (Js 1.5b).

O que isso nos ensina, que quando Deus chama alguém para uma tarefa, Ele o capacita e o sustenta. Mas há coisas que compete ao homem fazer, por isso Deus disse: “esforça-te”. Deus tem projetos grandes para realizar nas nossas vidas. Mas, a garantia de que Deus está conosco não nos isenta das nossas responsabilidades e tampouco, das lutas e das adversidades. Jesus mesmo disse: “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33).

Em Cristo e com Cristo, somos mais do que vencedores (Rm 8.37). Precisamos estar preparados para o enfrentamento das mais diferentes situações que haveremos de enfrentar em nossa caminhada e no exercício da nossa missão, na certeza de a vitória é certa, porque,  maior é o que está conosco (2Rs 6.16) e é Ele quem está à nossa frente pelejando pela nossa causa.

    c)  A Apostasia –v 2
A Bíblia diz que Deus corrige a quem Ele ama e a quem tem como filho (Hb 12.6). Portanto, as adversidades são na verdade, a disciplina a qual somos submetidos com o propósito de sermos aperfeiçoados para a boa obra. Se a nossa edificação espiritual estiver alicerçada na Palavra de Deus, pode vir a luta que vier, nós resistiremos e permaneceremos em pé, porque Jesus é a nossa Rocha inabalável. O apóstolo Paulo disse: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou  a espada ?” (Rm 8.35). E ele conclui dizendo: “Por amor de ti somos entregues à morte todos os dias: formos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas, somos mais do que vencedores por aquele que nos amou” (Rm 8.36,37).
As adversidades são também, utilizadas por Deus como ferramentas para nos capacitar para a obra que Ele tem a realizar em nossas vidas: “Há um tempo determinado para todas as coisas” (Ec 3.1). Há um tempo preparação para o exercício eficaz de toda chamada na obra de Deus. Vemos na trajetória da história de José, ele trabalhando como copeiro, como mordomo, antes de ser colocado como governador do Egito. Precisou aprender a administrar coisas pequenas para depois administrar coisas grandes.
Davi, depois ter sido  ungido, passou por um longo período de preparação. Cerca de dez anos passou fugindo das investidas insanas de Saul e, durante esse período, teve que desenvolver certas habilidades. Aprendeu a liderar um exército de seiscentos homens, teve que aprender estratégias militares de ataque e defesa, assim como também, de liderança e dependência de Deus. Quando assumiu o reinado, estava preparado e foi um grande líder de seu povo.
Asafe, no entanto, não conseguiu compreender as adversidades sob a perspectiva de aprendizado e nem entendeu os propósitos de Deus em sua vida e por isso quase apostatou. Ele confessa: “quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram...” (v 2). Apostatar, significa perder a fé, desviar-se do caminho. Esse é um grande perigo na vida do crente, olhar para os lados, desviar a atenção do que realmente interessa. A nossa esperança está em Cristo. Ele é o autor e consumador da nossa fé. O apóstolo Paulo fala sobre a esperança dos que esperam em Cristo quando diz: “tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8.18). Sabemos o futuro que nos aguarda e isso nos traz consolo e nos dá esperança.  Vale a pena perseverar.
    
    d)    A Inveja – v 3

Asafe reconhece que, perdeu o foco, perdeu a visão espiritual ao tecer comparações em relação a sua vida e a vida daqueles que, aparentemente, são felizes, e confessa ainda ter sentido inveja deles (v 3), mesmo sabendo que não tinham o menor temor a Deus. O livro de Provérbio nos ensina: “não tenha o teu coração inveja dos pecadores, antes, sê no temor do Senhor todos os dias” (Pv 23.17). E esse é um outro grande perigo na vida do crente, a inveja. Esse sentimento é corrosivo e provoca abalos emocionais terríveis, conduzindo a pessoa ao desânimo e a prostração. O nosso alvo é Cristo, não podemos olhar nem para direita nem para esquerda, mas permanecer firmes no Senhor.
  
II -  O Deus que Restaura – vv 16-18

Asafe estava profundamente perturbado com a situação que se lhe apresentava diante dos olhos (v 16), não conseguindo compreendê-las, foi prostrar-se diante de Deus em busca de resposta (v 17). Deus lhe fez entender sob a perspectiva da eternidade, qual seria o fim dos que não temem ao Senhor. Ele compreende e o que era antes, motivo de tristeza, agora lhe traz paz e alegria ao coração. O salmista por fim, conclui que embora sendo fraco, Deus é quem o fortalecia e o sustentava (v 26) e experimenta a verdadeira alegria daqueles que servem ao Senhor, sabendo da urgente necessidade de anunciar todas as suas obras (v 28) a fim de alcançar todos os que ainda estão perdidos. Finaliza dizendo: “eu todavia, estou de contínuo contigo...” (v 23). Ou seja, afirma que permaneceria firme, na presença do Senhor mesmo em meio a luta.Ele entende e que as coisas deste mundo são transitórias e de nada adianta ajuntar tesouros aqui na terra (Mt 6.19). Mais vale agregar valores que são eternos.  
Conclusão

Quando interpretamos equivocadamente uma situação, podemos sofrer grandes abalos emocionais e isso pode trazer grandes prejuízos para a nossa vida espiritual, conforme vimos no texto. O Apóstolo Paulo em sua Carta aos Filipenses diz: “Não andeis inquietos por coisa alguma, antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas “ (Fp 4.6). Precisamos colocar nas mãos de Deus todas as nossas ansiedades e descansar o nosso coração. Deus é soberano e, embora nem sempre as coisas façam sentido para nós, precisamos aprender a confiar, sabedores que o que Ele tem para nossas vidas é infinitamente maior e melhor do que possamos dimensionar. E as suas promessas para nossas vidas vão se cumprir e nada poderá impedir.