Epístola aos Filipenses


Panorama Geral sobre a Epístola aos FILIPENSES


Introdução
Esta Epístola esta classificada no grupo das cartas da prisão (Filipenses, Filemom, Colossenses e Efésios). A motivação inicial da carta é o sentimento de gratidão e amor de Paulo pela comunidade de Filipos que tão generosamente o assistia, enviando ofertas através de Epafrodito, enquanto se encontrava na prisão em Roma (Fp.4.10-18). Enquanto pastor, evidencia o zelo para com as suas ovelhas ao tratar de problemas internos e externos que a Igreja estava enfrentando.

A carta é essencialmente cristocêntrica (Fp.2.5-11), pois evidencia não só o estreito relacionamento de Paulo com Cristo mas sobretudo, a essência da mensagem do Mestre. Tendo em vista as necessidades espirituais da comunidade em Filipos, Paulo exorta-os a buscar mais o conhecimento da Palavra, conservando a unidade, a humildade, a comunhão e a paz, dizendo por fim: "tende em vós o mesmo sentimento que houve também em cristo Jesus" (Fp.2.5-11).
 

Diante da exposição dos problemas que a igreja enfrentava Paulo considerou ser prudente enviar dois obreiros de sua confiança a fim de cuidar daquela comunidade enquanto estava ausente (Fp.2.19-30) e, também, para intermediar a comunicação entre ele, Paulo, e eles.

Contexto da cidade de Filipos:
A cidade de Filipos, localizada ao norte da Grécia era uma colonia romana (At.16.12) fundada por Filipe II da Macedônia Oriental, por volta de 360 a.C. Foi construída na aldeia de Krenides em Trácia e serviu por muito tempo como um centro militar de relevância. Quando Roma conquistou essa região duzentos anos mais tarde, Filipos tornou-se a principal cidade da Macedônia. Sua localização favorável entre as rotas comerciais da Europa e Ásia, propiciou um rápido desenvolvimento econômico.

Destacou-se de tal forma, nesse período, que foi a única cidade mencionada como “colônia” no Novo Testamento. Esse estatus permitiu que desfrutasse do privilégio de isenção de impostos. Adotou o latim como idioma oficial e modelou muitas de suas instituições civis segundo os padrões de Roma. Havia um sentimento de orgulho (At.16.21) entre o povo que se autodenominava como “Romanos”.

Era uma cidade cosmopolita e reunia povos de diversas origens como gregos, romanos e asiáticos. A diversidade de cultura se manifestava, sobretudo nas crenças pagãs. A comunidade judaica era inexpressiva, havendo predominância de templos de Baal e Astarte (esposa de Baal segundo crença pagãs).

Segunda viagem missionária: Paulo e Silas partiram de Antioquia da Síria, de onde havia uma estrada que ia até Tarso e Ásia Menor. Atravessou a Cilícia, região onde se situava Tarso - cidade onde nasceu- e seguiu direto para Derbe, Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia, a fim de fortalecer as igrejas . Em Listra, encontrou Timóteo que passou a integrar a equipe de missionários que pretendiam evangelizar a Ásia. Porém, ao atravessarem a região frígio-gálata (região norte da Galácia), foram “impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia” (At.16.6). Chegando à Mísia, planejaram ir para Bitínia, porém, novamente “o Espírito de Jesus não lho permitiu” (At.16.7). 


Então, desceram à Trôade. (At.16.8). Nesse lugar Paulo teve uma visão durante a noite, em que um varão da Macedônia lhe pedia “Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At.16.9). Paulo entendeu que se tratava de um chamado de Deus para que fossem àquele lugar para anunciarem o Evangelho (At.16.10) e, sem questionar obedeceu. Juntamente com seus companheiros, Silas, Timóteo e Lucas, que se ajuntou também, ao grupo, navegaram até Neápolis e dali, até Filipos, a primeira cidade dessa parte da Macedônia (At.16.12) 

O evangelho chega a Filipos: Sempre que chegava em uma cidade estrangeira, Paulo se dirigia a uma sinagoga onde esperava encontrar judeus dispostos a ouvi-lo. Em Filipos, no entanto, os judeus não demonstraram interesse em escutá-lo. Paulo, sempre na direção do Espírito Santo (Fp.16.9,10), determinou outra estratégia, dirigiu-se a um lugar público e informal onde pudesse encontrar pessoas dentre o povo, dispostas a ouvi-lo. Sendo sábado, saíram para fora da cidade e se dirigiram para a beira de um rio, onde julgavam haver um lugar para oração (At.16.13).

Naquele lugar estavam algumas mulheres as quais Paulo teve a oportunidade de anunciar o Evangelho. Dentre essas mulheres, havia uma de nome Lídia, comerciante de púrpura, natural de Tiatira que servia a Deus (At.16.14). Lídia não era judia, no entanto temia a Deus, esse fato revela uma categoria religiosa específica, ou seja, tratava-se de uma pessoa gentia (não judia) que simpatizava com o judaísmo e participava do culto a Deus e estava familiarizada com o Antigo Testamento.

Lídia, portanto, conhecia as Escrituras “e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia” (At.16.14), vindo a converter-se, ela e também, a sua família (At.16.15). A sua conversão possibilitou a Implantação da primeira Igreja em Filipos. Logo após o seu batismo, abriu as portas de sua casa para hospedar os missionários (At.16.15) e também, para que os novos cristãos pudessem ali congregar. A partir dali, a Igreja começou então a florescer (At.16.15-40).


  A Perseguição à Paulo: Os problemas de Paulo começaram quando uma jovem que tinha um espirito de adivinhação foi liberta (At.16.16-24). Ela era escrava e dava muito lucro para os seus senhores. Sendo liberta, os prognósticos cessaram e aqueles homens, percebendo que não teriam mais lucro, se indignaram muito e prenderam Paulo e Silas e os levaram à presença das autoridades incitando-os a puni-los. E foi exatamente o que aconteceu. Paulo e Silas foram açoitados e lançados na prisão (I Ts.2.2)

A manifestação do poder de Deus na prisão:
Depois de terem sido espancados e amarrados em um tronco, foram lançados em uma cela na prisão. Por volta da meia-noite, Paulo e Silas começaram a orar e louvar ao Senhor. Os hinos eram ouvidos pelos presos. De repente, houve um tão grande terremoto que abalou os alicerces do cárcere e as portas se abriram e os grilhões que prendiam os prisioneiros se soltaram.

Nesse momento, o carcereiro acordou e vendo as portas das celas abertas tirou a espada para se suicidar, supondo que os presos haviam fugido (At.16.23.27). Mas Paulo, em voz alta lhe disse: “Não te faças nenhum mal, porque todos aqui estamos” (At.16.28b). Tendo ele pedido luz, saltou dentro e, todo trêmulo, se prostrou diante de Paulo e Silas (At.16.29) e, tirando-os para fora, disse: “Senhores, que me é necessário fazer para me salvar?” (At.16.30) Responderam-lhe então: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (At.16.31). 

Agradecido, o carcereiro levou os missionários à sua casa, cuidou de seus ferimentos e muito se alegrou porque, por meio deles a salvação se estendeu à sua família (At.16.33,34). Nesse episódio, havia um propósito maior para que os missionários fossem lançados no cárcere. Deus queria salvar o carcereiro e a sua família. Paulo e Silas não o sabiam, e mesmo assim, transformaram a cela da prisão em um lugar de adoração e por isso, tamanha obra foi realizada com sucesso. 

Depois desse episódio, os magistrados decidiram pela sua soltura (At.16.35). Paulo aproveitou a ocasião para exigir retratação pessoal das autoridades pela punição indevida a que tinham sidos submetidos (At.16.37), evidenciando a sua cidadania romana. A petição foi concedida, no entanto, foram convidados a sairem da cidade (At.16.39) o mais rápido possível, para evitar maiores transtornos. E assim sucedeu. 

O esforço missionário: Interessante observar, que embora Paulo estivesse sendo conduzido por Deus em sua missão, não foi isentado do sofrimento e pagou um alto preço pelas muitas vitórias alcançadas. Sofreu perseguições, sofreu naufrágio e foi preso por três vezes: primeiro em Filipos (At 16.23), conforme visto, depois em Jerusalém, posteriormente em Cesaréia (At 21.27–23.31) e finalmente em Roma (At 28.30,31).

O esforço missionário do apóstolo concentrava-se entre os gentios (Rm.15.20), entre os que não tinham conhecimento do Evangelho. Com essa visão, planejava ir até Roma. Porém, o seu desejo, de também, de evangelizar o povo em Jerusalém quase colocou em risco o seu projeto. Os judeus não aceitaram o Evangelho de Cristo e intentaram contra a vida de Paulo (At.21.31;23.12) que foi conduzido ao Sinédrio para julgamento (At.22.30). Paulo bem sabia que enfrentaria forte oposição por parte dos judeus, mas estava disposto a pagar o preço por Cristo.

O sentimento de tristeza que sentia não era pela possibilidade de sua morte, porque conforme ele mesmo disse: “porque para mim o viver é Cristo e o morrer é ganho” (Fl.1.21), mas porque bem sabia que através do seu trabalho ainda poderia salvar a muitos. Em meio a essa tribulação o Senhor se manifestou a ele dizendo “Paulo, tem ânimo! Porque como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifique também em Roma” (At.23.11).

Caminho para Roma: Paulo, estratégicamente apela, mais uma vez, para os seus direitos enquanto cidadão romano e, finalmente, é conduzido à Roma. No entanto, no caminho até lá enfrentou muitos reveses, um grande naufrágio (At.27.15) e muitas provações. Mas, em meio a esses novos desafios, quando tudo parecia perdido, eis que um anjo a ele se apresentou dizendo: “Paulo não temas! Importa que sejas apresentado a César e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo” (At.27.24). E assim, mais uma vez, Paulo é usado por Deus para que muitos, pela fé em Cristo fossem salvos. Porém, não obstante a todos esses acontecimentos, foi conduzido à Roma algemado.

Prisão em Roma: Em Roma, Paulo permaneceu em prisão domiciliar por dois anos (At.28.30) em casa mantida por ele próprio e onde tinha total liberdade para receber visitas, embora estivesse sob os cuidados da guarda pretoriana (Fp.1.13), composta por 10 mil soldados. Enquanto aguardava o julgamento que sabia, poderia ser absolvido como também, executado, aproveitava o tempo na propagação do Evangelho. Foi nesse período, por volta dos anos 60 e 63 d.C., que escreveu as cartas que ficaram conhecidas como “Cartas da Prisão”, incluindo-se as epístolas aos Filipenses.

Preocupação de Paulo com a igreja de Filipos: Paulo manifestava grande apreço pela Igreja de Filipos e temia que a mesma ficasse exposta ao que ele mesmo chamou de “lobos devoradores” que se aproveitavam da vulnerabilidade das ovelhas a fim de devorá-las (Mt.10.16; At.20.29). Tendo em vista suprir as necessidades da comunidade, envia até eles dois representantes de sua inteira confiança, Timóteo primeiramente, em seguida, Epafrodito, pertencentes a esta comunidade. Eram seus discipulos de confiança, fiéis ao Evangelho e intermediava a sua relação com a Igreja, tanto levando notícias a Paulo sobre os acontecimentos que dizia respeito a situação da Igreja, quanto levando à Igreja as cartas de Paulo, cujo teor era, oportunamente, de admoestações, exortações e deprecações – demonstração de profundo amor pela Igreja.

O jovem missionário Timóteo:  Timóteo era um jovem da inteira confiança de Paulo, considerado por ele como um filho (1Tm.1.2). Como discipulo aprendeu com seu mestre a finalidade da liderança e por esta razão dispôs-se a cuidar dos interesses dos filipenses. Paulo testif icou sobre ele dizendo que o mesmo estava apto para a liderança uma vez que estava disposto a servir. O jovem Timóteo converteu-se durante a primeira viagem missionária de Paulo e tornou-se um dos colaboradores na segunda viagem (At.16.1.2).

Era proveniente de uma família mista, ou seja, era filho de uma judia convertida ao cristianismo e de pai grego (At.16.1). Conheceu o evangelho por intermédio de sua avó Lóide e sua mãe Eunice (2Tm.1.5;3.15). Devido a sua origem grega, Paulo achou por bem circuncidá-lo para que fosse aceito entre os judeus mais fundamentalistas (At.16.2,3). Desde, então, passou a ser um fiel colaborador ganhando a confiança de Paulo que o tinha como um autêntico obreiro de Cristo.

Timóteo tinha todas as características essenciais a um bom dispenseiro do Senhor. Era zeloso e obediente à Palavra de Deus (2Tm.3.15); um servo perseverante e digno de Cristo (Ts.3.2); tinha boa reputação (At.16.2); era amado e fiel ((1Co.4.17), com solicitude genuina para com o próximo (Fp.2.20); fidedigno (2Tm.4.9,21) e dedicado a Paulo e ao Evangelho (Fp.2.22; Rm.16.21).

Seu caráter irrepreensível o qualificava dentro e fora da Igreja (At.16.2), tanto que ao recomendá-lo à Igreja de Filipos (Fp.2:19), o apóstolo declara a seu repeito dizendo: “Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide dos vossos interesses“ (Fp.2.20), e conclui, “serviu comigo no evangelho, como filho ao pai [...], conhecereis o seu caráter provado” (Fp2.22). Pela dedicação ao trabalho missionário, Timóteo é enviado, também, à Igreja de Coríntios (1Co.4.17) e à Tessalônia (1Ts.3.2).

Epafrodito – Mensageiro de confiança: Epafrodito era uma das colunas da Igrejas em Filipos, juntamente com Evódia, Síntique e Clemente. Ajudou a propagar o Evangelho nos arredores de Filipos realizando um trabalho missionário de suma importância. Paulo se refere a ele como “cooperador e companheiro de combate”. Ao chegar a notícia a Igreja de que Paulo estava preso em Roma e passava necessidades, a comunidade enviou Epafrodito como seu representante para levar até Paulo a sua contribuição financeira (Fp.4.18).

Epafrodito era de origem grega e o seu nome significava, “amável”, “encantador” e “simpático”. Durante a sua estadia no cumprimento de sua missão, Epafrodito adoeceu gravemente em Roma, quase vindo a falecer. Ao vê-lo naquele estado, Paulo se compadeceu e clamou ao Senhor e ele foi curado milagrosamente. Logo em seguida, Paulo o enviou de volta à Filipos (Fp.2.25-27) a fim de continuar cooperando com a comunidade, considerando que tinha um grande zelo em relação ao Evangelho e disposição para servir.

PROBLEMAS DA IGREJA DE FILIPOS


Problemas internos

a) Pessimismo: Os filipenses não apenas estavam tristes pela prisão de Paulo, como também, pessimistas em relação a sua situação, considerando o tempo prolongado que se encontrava naquela condição (Fp.1.12-20).

Paulo, apesar de encarcerado, manifestava total confiança em Deus porque sabia que tudo aquilo era necessário para a propagação do Evangelho (Fp.1.13), por isso rejeitava a autopiedade e mantinha a alegria de servir ao Senhor, mesmo em situações adversas como aquela que estava vivenciando.

Por esta razão, exorta os filipenses a se alegrarem no Senhor, assim como ele, considerando que é essa alegria, produzida pelo Espírito Santo, no coração daqueles que confiam e esperam no Senhor, que fortalece o cristão (Ne.8.10). Baseado nesse argumento, conclui dizendo: “Posso todas as coisas naquEle que me fortalece”(Fp.4.13).

O profeta Isaías disse que: “os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão (Is.40.31). É dessa alegria e disposição que Paulo se referia.

Paulo, como um pai se dirige ao filho, chama a atenção dos irmãos filipenses a seguirem o seu exemplo, não que se considerasse melhor do que ninguém, ou que fosse infalível (Fp.3.13) mas porque bem sabia o quanto se esforçava em imitar a Cristo, entregando-se sem reservas ao ministério que lhe fora confiado, a ponto de dizer: “Já estou crucificado com Cristo” (Gl.2.20a).

Portanto, não há nenhuma presunção de sua parte ao afirmar “somos perfeitos” (Fp.3.15) porque essa colocação faz referência à maturidade espiritual que já houvera alcançado, pelas muitas experiências com Cristo. Esta é, também, a razão de ter dito “sede também meus imitadores” (v.17).

b) Disputas: Evódia e Síntique eram duas irmãs que ocupavam cargos de liderança na Igreja. Ambas, motivadas por interesses humanos entraram em disputas, fato este que trouxe desarmonia para a Igreja.

Esta era outra questão que preocupava Paulo, que procurou mediar a situação relembrando, nesse caso, que o amor de Deus deve estar presente em todo relacionamento para que reine, verdadeiramente a paz, e que a desarmonia é contrária à fraternidade cristã (Fp.4.1) e, também, contrária à natureza da Igreja (Fp.4.3).

Para tratar de um assunto tão delicado, considerando que as duas mulheres eram valiosas na obra do Senhor, Paulo pede a colaboração de um irmão local para intermediar a relação buscando a reconciliação de ambas. Em sua carta, trata a questão de forma afetuosa ( Fp.2.1-3) porém, firmes. Em seu discurso, exorta, não apenas elas, mas a todos, a buscarem a unidade e a comunhão (vv.2,4), buscando o mesmo sentimento que há em Cristo (v.5) que despiu-se da sua divindade (v.6), para morrer na Cruz (vv.7,8) e nos oferecer a salvação.

Jesus mesmo disse: “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt.11.29). E acrescentou ao primeiro, um novo mandamento dizendo: “Que vos ameis uns aos outros como eu vos amei a vós” (Jo.13.35a). Esse amor deve ser a base da construção dos relacionamentos dentro e fora da Igreja. Como membros do corpo de Cristo, todos têm uma função específica e não menos importante entre si. Lembrando ainda, que todo serviço prestado a Deus deve ser feito com alegria (Sl.100), sem buscar a vanglória ou competição.

PROBLEMAS EXTERNOS


Heresia Doutrinária


a) Os Judaizantes:
Havia dois grupos os quais disseminavam heresia na Igreja. O primeiro grupo era formado pelos falsos cristãos judeus, os quais Paulo se referia como judaizantes, declarando-os como adversários (Fp.1.28) e também, como “inimigos da Cruz de Cristo (Fp. 3.17). Eles afirmavam que a circuncisão, conforme o Antigo Testamento, era necessária à salvação. Eles colocavam um fardo tão pesado sobre os ombros dos filipenses os quais muito se entristeciam (At.15.24-29).

Em relação a isso, Paulo declara que a verdadeira circuncisão é obra do Espírito Santo no coração da pessoa. A Bíblia diz em Jeremias 31:33 “Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.”

Agora, pois, temos uma Nova Aliança através de Jesus Cristo. O Porquê do uso desse termo Nova Aliança? Em Hebreus 9.1-9, o autor nos faz recordar que no Antigo Testamento, havia um véu que separava o Santo dos Santos – habitação terrena da presença de Deus – do resto do Templo onde os homens habitavam.

Essa separação faz analogia ao pecado que separa o homem de Deus, conforme diz Isaías (Is.59.1,2). O texto de Hebreus diz ainda que apenas o Sumo Sacerdote tinha permissão de passar pelo véu uma vez por ano (Hb.9.7) e entrar na presença de Deus, representando Israel de fazer expiação pelos seus pecados (Lv.16).

Entretanto essa separação foi anulada com a morte e ressurreição de Cristo. Este acontecimento estabeleceu novamente uma ponte entre o homem e Deus, por intermédio de Jesus Cristo. Desta forma, o véu que simbolizava a separação, com a morte e ressurreição de Cristo foi rasgada.

O simbolismo do véu que se rasgou serve para mostrar que Deus saiu daquele lugar para nunca mais habitar em um Templo feito por mãos humanas (Atos 17,24). No diálogo com a mulher samaritana Jesus deixa claro que haveria de chegar o tempo em que as pessoas adorariam a Deus em espírito e em verdade (Lc.4.23). Ou seja, sem necessidade de aparatos, sem hipocrisia, mas em ato de entrega total (corpo alma e coração).

Para concluir, a Bíblia diz em Lucas 22:20 “Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós.” A Nova Aliança, portanto, significa que podemos ir diretamente a Deus, através de Cristo. Diz ainda a Bíblia, em Hebreus “De tanto melhor pacto Jesus foi feito fiador” (Hb.7.22). Jesus é, portanto, o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5).

b) Gnósticos: Os gnósticos (Fp.3.18,19), eram os falsos mestres da época que apregoavam uma liberdade que era pura libertinagem, tornando as pessoas escravas dos prazeres. Eles afirmavam, erroneamente, que a matéria é ruim, logo, não há problema algum em pecar através da “carne”, pois qualquer coisa que fizermos com o corpo, e através dele, não afetará a nossa alma. Essa é uma colocação totalmente herética e diabólica, e deve ser refutada pela Palavra de Deus (Ts.5.2). Porque sabemos que o inimigo quer nos separar do amor de Cristo, para que sejamos lançados no inferno. Portanto, tenhamos cuidado com o Evangelho “Light” que estão pregando por ai, irmãos.

Paulo se opõe a esses caprichos humanos, exortando o povo a buscar a plenitude em Cristo que é a nossa alegria (Fp.4.4). A “chara”(gr), alegria do Espírito, não é circunstancial. Ela é resultante da salvação em Cristo Jesus, que lança o ser humano na liberdade para servir em amor, oferecendo-se em sacrifício vivo ao Senhor (Rm.12.1), renunciando ao pecado e transformando-se pelo poder da Palavra (v.2).

Jesus atrai para Ele todos os que estão cansados e sobrecarregados, e coloca sobre eles o seu jugo, que é suave, e o seu fardo, que é leve (Mt.11.30). Muitos atualmente, querem felicidade, mas não buscam a verdadeira alegria. Os livros de autoajuda prometem uma felicidade de bens perecíveis. Mas a alegria que vem de Deus não resulta daquele que anda em derredor (I Pe. 5.8), mas nAquele que está dentro de nós (I Jo. 4.4).

Em prosseguimento, Paulo orienta os filipenses quanto à moderação, “epieikeia”(gr) , cujo sentido é muito amplo e diz respeito não apenas ao que é legal, mas ao que é certo. As leis são produções humanas, nem sempre estão corretas. Os cristãos vivem a partir de uma Lei Maior, a de Cristo, exercitada em graça e amor (Rm. 13.10).

O mundo se pauta pelas leis humanas, que merecem respeito e obediência. Mas existe uma lei que está acima de todas as leis, é a Lei de Deus, revelada em Sua palavra. É a essa Lei Maior que o crente deve pautar a sua vida dando testemunho de ser um cidadão do Céu, de tal forma que todos os homens possam reconhecer, pelas nossas práticas, que somos filhos de Deus (Tg. 2.14; I Jo. 3.7,8).

Dimensão Escatológica da Mensagem de Paulo: Uma das motivações para o exercício da moderação na postura do crente consiste na convicção de que o Senhor está perto. A dimensão escatológica é condição ética para o viver cristão, pois virá o dia em que todos prestaremos contas pelo que fizemos no corpo (Rm. 14.10). Muitos acham que o Senhor está demorando para voltar, por isso estão vivendo dissolutamente, mas Ele é longânimo (II Pe. 3.8,9).

Ao Seu tempo Ele voltará para levar a Sua igreja, conforme prometeu (Jo. 14.1; I Pe. 2.9). Essa é a bendita esperança da igreja cristã (Rm. 8.23; I Co. 15.51,52; I Ts. 4.16,17; Tt. 2.13), não a ganância terrena, como muitos tem apregoado atualmente. Todos aqueles que têm essa esperança não vivem como bem entendem, mas de acordo com a vontade de Deus (I Jo. 3.3), perfeita, boa e agradável (Rm. 12.1,2).

Evidências do Amor: Paulo exorta a Igreja a buscar amar a Deus cada vez mais. Ele sabia que essa busca certamente refletiria no crescimento espiritual na vida de toda a comunidade. Isso porque, à medida que o amor por Deus aumenta, também aumenta a capacidade de aprovar as coisas que são excelentes (Fp.1.9-11). Ora, e o que mais pode ter valor se não a sublimidade do conhecimento de Cristo? (Fp.3.7-11).

Quando amamos a Deus, verdadeiramente, amamos tudo o que Ele ama, ou seja, amamos a sua Palavra, os seus filhos, a sua Igreja, a sua justiça e tudo o que é agradável a Deus (Fp.4.8). Essa busca incessante em agradar a Deus resulta em crescimento espiritual e maturidade cristã. É por isso que Paulo exorta a Igreja a buscar ocupar a mente com tudo o que gera vida e maturidade espiritual, pois, segundo ele, “nós temos a mente de Cristo (I Co 2.16).

Contentamento de Paulo em Cristo: Paulo não se achava um super-herói, ao contrário, sempre atribuiu a sua força à Deus (II Co.3.5). Reconhecia que a sua suficiência estava em Cristo, a ponto de dizer: “posso todas as coisas naquEle que me fortalece” (Fp.4.13). Ele bem sabia que, humanamente, seria impossível vencer todas as batalhas que enfrentou e, todas as privações. A sua fé o motivava a continuar em frente e o seu contentamento estava no fato de que Deus cuida de seus servos e os ensina a viver de forma confiante apesar de todas as adversidades.

Quando disse “sei estar abatido e também ter abundância” (F.4.12) é porque aprendera a contentar-se em toda e qualquer situação sem abater-se, pois a alegria do Senhor era a sua força (Ne.8.10). A oferta recebida dos filipenses, bem sabia ele, era fruto da providência divina em seu ministério (vv 10,11,15-18).

Da mesma forma, a Palavra de Deus nos ensina a contribuir na obra, a fim de sustentar os missionários que estão à campo, muitas vezes privados de todo conforto, vivendo apenas na dispensação do Senhor, cumprindo o “Ide” – “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc.16.15). A obra missionária é feita de três formas, pelos pés dos que vão, com os joelhos dos que oram e pelas mãos dos que contribuem financeiramente para a manutenção da obra. A generosidade em repartir constitui-se em “sacrifícios que agradam a Deus” (Hb.13.16).

A Igreja de Filipos não era rica, porém, ao tomar conhecimento das necessidades de Paulo, a comunidade se organizou para ajudá-lo (Fp.4.16). Com isso, tornaram-se cooperadores do apóstolo na expansão do Reino de Deus aos confins da terra. Paulo considerava essa oferta generosa como “oblação”, “sacrifício agradável ao Senhor” (v.18). Paulo, em profundo agradecimento declara “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as suas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (v.19).

Que possamos aprender com o apóstolo Paulo a termos comunhão com Deus a ponto de esquecermos de nós mesmos para que Cristo possa se manifestar através de nossas vidas e alcançar aqueles que jazem em trevas nesse mundo de grandes tribulações. E que o exemplo dos irmãos filipenses possam nortear as nossas atitudes no sentido de contribuirmos mais para a manutenção da obra do Senhor sabendo que é Ele quem nos sustenta em todas as situações.

Amém, queridos? Que Deus possa iluminar o seu coração ao ler esse texto, despertando-o a ser um colaborador na sua obra.


        Prof. Sônia Oliveira


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  2. Juizes - Período Teocrático 
  3. Sansão - Exemplo de Imaturidade 
  4. Gideão - Um Homem Revestido de Poder 
  5. Abimeleque - Ambição Sem Limites 
  6. José do Egito 
  7. Josué e Calebe - Enfrentando o Gigante do Medo 
  8. Josué - A Derrota de Ai 
  9. Palavra de Deus - Uma Mensagem Transformadora 
  10. Evangelizar é Preciso! 
  11. A Vontade Soberana de Deus 
  12. O Espírito Santo a Terceira Pessoa da Trindade 
  13. Páscoa Cristã 
  14. Dons Espirituais 
  15. Missões com Excelência - A boa semente

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