quinta-feira, 19 de março de 2015

Os Escolhidos de Deus

“Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós...” (João 15:16).

Introdução
Cada um de nós tem uma história de conversão. Em algum momento de nossas vidas tivemos o privilégio de sermos alcançados pela graça e misericórdia de Deus. A maneira com que fomos resgatados pode ser diferente, porém, de alguma forma fomos atraídos pelo Seu grande amor e nos rendemos a Ele. Mas foi preciso que alguém nos anunciasse o Evangelho para que o conhecêssemos. Talvez você não tenha muita familiaridade com esse assunto e esteja se perguntando, “mas resgatado de quê, afinal?” A Bíblia esclarece que o pecado faz separação entre Deus e o homem (Is 59.2). Somos herdeiros do pecado em Adão e por isso fomos destituídos da graça de Deus (Rm 3.23; 5.12). Porém, na sua onisciência, Deus prevendo a queda do homem, providenciou, desde a fundação do mundo, o resgate em Cristo, de um povo que seria seu, para viver de conformidade com os padrões irrepreensíveis de santidade diante dEle (Ef. 1.4,5; I Pe 1,2). Somos, em Cristo, o povo escolhido de Deus.

Padrões de Santidade
O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26), porém, o pecado distorceu esta imagem e perdemos a referência. Deus é santo e esta deveria ser a nossa principal característica. O Termo santo vem do hebraico Kadoshi, que dentre os seus significados pode ser traduzido como algo que é santo, consagrado ou separado para Deus.

No Antigo Testamento há várias passagens que trata dos atributos de Deus, dentre eles, a santidade. O Salmo 99 declara isso, que Deus é santo. Esta característica o separa das coisas terrenas e evidencia a sua separação do pecado. Por intermédio de Moisés, Deus deixou claro que a santidade é condição máxima na vida de seu povo. Disse Ele: "Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo." (Lv 19.2). Santidade neste caso significa uma vida em harmonia com a perfeição moral de Deus.

Em Isaías a Bíblia revela Deus assentado em seu alto e sublime trono e um séquito de serafins no seu entorno clamando “santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos...” (Is 6.3). No Novo Testamento, temos o próprio Jesus fazendo menção a santidade de Deus ao ensinar a oração do Pai Nosso: “Santificado seja o teu nome” (Mt 6.9). 

Na primeira Epístola de Pedro temos uma exortação à santidade onde o apóstolo diz: “como é santo aquele que vos chamou sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver. Porquanto está escrito (fazendo menção à passagem em Levítico, já mencionada) ‘sede santos porque eu sou santo’ (I Pe. 1.15,16).

Os Escolhidos de Deus
A Bíblia diz que não fomos nós que escolhemos a Deus, mas foi Ele quem nos escolheu primeiro. Essa questão está muito relacionada a cegueira espiritual do homem natural (I Co 2.14) que só possui as percepções das coisas, por não ter experimentado o novo nascimento (Jo 3.3-7) e por isso não consegue fazer as escolhas certas. O apóstolo Paulo afirma que o inimigo deste século (Satanás) tem cegado o entendimento das pessoas para que elas não aceitem as verdades contidas no Evangelho (II Co 3.4) e permaneçam ignorantes e portanto, escravas da mentira e do engano.

O Livro de Provérbios nos ensina que há caminhos que ao homem parecem bons, mas que ao final conduzem à morte (Pv14.12). Temos o livre-arbítrio, no entanto, nem todas as decisões que tomamos são as mais acertadas, muitas delas, como diz Salomão, nos conduzem à morte. Deus, na sua infinita misericórdia nos alcança com seu amor eterno e nos resgata das profundezas do abismo da nossa alma e nos oferece a salvação. O seu gesto nada tem a ver com algum mérito da nossa parte, mas é pela sua graça (Ef 2.8) que recebemos o dom da vida em Cristo Jesus.

Motivo da Escolha
Deus projetou um mundo perfeito para que vivêssemos em comunhão com Ele, mas o pecado mudou o curso dessa história. No entanto, Ele nunca desistiu de nós e mesmo quando andávamos errantes pelo mundo, a sua graça sempre nos alcançou. Inúmeras oportunidades nos foram oferecidas para que viéssemos até Ele livremente, mas quantas vezes dissemos “não?” Somente quando todas as possibilidades se esgotam, quando não há mais saída, então nos rendemos a seus pés. Pacientemente Ele nos espera com seus braços amorosos abertos assim como o Pai aguarda a chegada de seu filho (ver Parábola do filho pródigo em (Lc 15.11-32). Somos escolhidos sim, para um propósito, conforme está escrito: “Não fostes vós que me escolheste a mim: pelo contrario, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça (Jo 15.16).

Ele nos escolhe, nos convida a fazermos parte do seu rebanho, nos capacita e nos envia para o trabalho, “dar frutos”. E que trabalho seria este? Ora, a Bíblia diz que somos sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14). Isso significa que em primeiro lugar, devemos fazer a diferença neste mundo. Devemos refletir a luz dAquele que é a própria luz, Jesus (Jo 8.12). Como refletores de Cristo, devemos iluminar o mundo de trevas no qual vivemos a fim de que outras pessoas possam sair da escuridão e conhecer a Jesus. Muitas dessas pessoas desconhecem a Deus porque nunca ninguém lhes falou sobre Ele. Por isso a nossa principal missão como cristãos é levarmos o Evangelho a toda criatura pois, “como crerão naquele de quem nunca ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue? “ (Rm 10.14). Para que o Evangelho se propague pelo mundo se faz necessário atendermos a esse chamado e ficarmos de prontidão. 

Período de Capacitação 
Humanamente falando, todo trabalho é importante, mas cada um possui um grau de exigência específico, inerente às funções que deverão ser desenvolvidas. No que concerne ao trabalho espiritual não é diferente. Cada pessoa possui uma característica própria e aptidões diferentes. Deus conhece cada um de nós, não apenas pelo que somos, mas pelo que haveremos de nos tornar após o período de treinamento o qual seremos submetidos. Somente após essa capacitação é que o crente é enviado para o campo. A quem muito é dado, muito será cobrado (Lc 12.48). Ou seja, quanto maior for o investimento na capacitação, maior será a responsabilidade de quem a receber. O campo de trabalho é muito grande, porém, falta trabalhadores (Mt 9.37), isto porque nem todos os que são chamados para o treinamento são aprovados, a maioria, inclusive , desiste antes mesmo de iniciar esse processo.

Critérios da Escolha
A questão que intriga a muitos é como se dá a escolha de Deus no que concerne a determinadas atribuições ou, qual o critério de Deus ao realizar as suas escolhas. O apóstolo Paulo afirma que: ”Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e escolheu o que é insignificante e desprezado pelo mundo, e as que não são, para reduzir a nada aqueles que o mundo considera grande. Para que ninguém em parte alguma se glorie perante ele, para que, como está escrito: “Se alguém quiser se gloriar, que se glorie somente no Senhor” (I Co 1.27-31).

Portanto, essa escolha não se dá pela capacidade humana e sim pela graça e misericórdia de Deus que concede esse privilégio ao homem de ser instrumento em suas mãos para cumprir com seus propósitos de forma que o mérito não lhe seja atribuído e sim a Deus.

Compromisso na Obra
O apóstolo Paulo faz questão de dizer que a sua atividade na Obra nada mais é do que uma resposta obediente chamado de Deus: “Ai de mim, se não pregar o Evangelho (I Co 9.16). Pregar o Evangelho é, portanto, um ato de obediência a Deus. Nesta fala, o apóstolo deixa claro a responsabilidade que sentia como bom despenseiro (I Co.9.17b) diante do compromisso que lhe fora confiado por Deus. Ele entendia bem que vocação não é uma opção, mas sim uma obrigação da qual não se pode omitir sem que haja consequência na obra redentora de Cristo. Há muitas almas que necessitam de salvação e se o Evangelho não alcançar essas vidas pela omissão dos escolhidos de Deus, o seu sangue será requerido daquele que se omitiu (Ez 3.18).

Conclusão
Jesus comissionou seus discípulos dizendo: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” ((Jo 20.21). E disse também: “Ide, ensinai todas as nações” (Mt. 18.19a). Da mesma forma, Deus continua nos comissionando para cumprirmos com o mesmo propósito. Há muitos que esperam ansiosos para ouvirem a Palavra de Deus. A exemplo de Paulo devemos encarar esse compromisso como um privilégio de servir a Deus, não buscando honras para si mesmo, mas para que o nome do Senhor seja em tudo glorificado e vidas sejam salvas.

Sonia Oliveira



Veja aqui alguns dos Estudos disponíveis no Arquivo do blog:
  1. Samuel - Resposta ao chamado de Deus
  2. Juizes - Período Teocrático 
  3. Sansão - Exemplo de Imaturidade 
  4. Gideão - Um Homem Revestido de Poder 
  5. Abimeleque - Ambição Sem Limites 
  6. José do Egito 
  7. Josué e Calebe - Enfrentando o Gigante do Medo 
  8. Josué - A Derrota de Ai 
  9. Palavra de Deus - Uma Mensagem Transformadora 
  10. Evangelizar é Preciso! 
  11. A Vontade Soberana de Deus 
  12. O Espírito Santo a Terceira Pessoa da Trindade 
  13. Páscoa Cristã 
  14. Dons Espirituais 
  15. Missões com Excelência - A boa semente
  16. É Tempo de Despertar 
  17. Epístola aos Filipenses
  18. Virando as Costas para Deus
  19. A Oração de Habacuque
  20. Os Frutos do Espirito
  21. Jabez a Oração que Mudou uma Historia

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