sábado, 12 de março de 2016

Um Convite à Graça e Restauração

Vinde, pois, e arrazoemos (conversemos), diz o SENHOR
Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; 
Ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. 
Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra. 
Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada
porque a boca do SENHOR o disse”. (Isaías 1:18-20)

Introdução
Esta é uma mensagem de restauração por meio da graça de Deus. O Senhor nos faz um convite a termos um diálogo com Ele. Embora conheça as nossas obras, Ele quer ouvir da nossa boca, quais os argumentos que temos para justificar a razão de continuarmos trilhado o caminho do engano, mesmo conhecendo a verdade e por qual razão preferimos viver longe da comunhão com Ele, nos deixando seduzir por situações tão banais e transitórias que nos levará, certamente, à perdição. Somos um povo rebelde, tal qual o povo de Israel, que embora sendo a nação eleita, viraram as costas para Deus e apostataram na fé. Deus os advertiu muitas vezes, pela voz de seus profetas, mas eles se fizeram surdos e preferiram continuar no erro. Mas, o juízo estava às portas, sem que se dessem conta disso e, mais uma vez, Deus lhes concede uma chance de arrependimento e os convida a tomar posição diante dEle, pois, dependendo da sua escolha, poderiam ser abençoado ou amaldiçoado (Dt. 28; 30).



Aparente Prosperidade de Israel


Isaias foi um profeta usado por Deus para transmitir uma mensagem de Juízo e livramento para o Seu povo. Já nos capítulos iniciais, o profeta começa a anunciar o juízo de Deus contra Jerusalém por causa da corrupção espiritual que havia se instaurado. Do ponto de vista humano, a situação de Israel parecia estar muito bem, a nação estava prosperando. No entanto, do ponto de vista espiritual a situação se assemelhava a um campo devastado, totalmente em ruína. Pela boca do profeta Deus denuncia as suas falhas e anuncia o juízo que lhes sobreviria num futuro bem próximo. 


“A terra de vocês está arrasada, as cidades foram destruídas pelo fogo. Na presença de vocês, os estrangeiros arrasaram a sua terra, e ela ficou em ruínas. Os estrangeiros acabaram com ela” (Is.1.7).



Quando lemos esta mensagem percebemos que o pecado tem efeito devastador em nossas vidas. Nem sempre o declínio espiritual é visível. Com os olhos carnais, não conseguimos perceber as deformidades e enfermidades da alma. Mas o Senhor não ignora a condição real de cada um de nós. Por isso, Ele é o único que pode nos restaurar, porque conhece a nossa estrutura e tem poder para nos curar e nos libertar. No caso de Israel, o povo teve muitas chances de se arrepender e mudar o curso de sua história, porém, não deu ouvidos ao Senhor e pagou um preço alto pela sua negligência.



I-Principais queixas de Deus em relação a seu povo

1 - Corrupção Espiritual – 1.15,16

“Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue; Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal”. (Is.1.15,16).



A corrupção espiritual do povo era tão grande que Deus diz claramente que não daria ouvidos às suas orações e nem receberia seus sacrifícios e até mesmo o culto, pois não havia sinceridade em seus corações. Praticavam o ato religioso, mas estavam em franca rebeldia contra Deus porque suas atitudes denotavam um coração perverso que se comprazia com o mal. O Senhor os repreende dizendo que não aceitaria nada que viesse deles a menos que mudassem a disposição de seus corações e começassem a fazer o que era reto aos seus olhos. Como um Pai amoroso, Deus não apenas repreende os seus filhos, mas os ensina a procederem da maneira correta. Ele insiste em dar sempre uma nova oportunidade para que haja um concerto e assim, a oferta seja aceita. Ou seja, para que seja possível a comunhão com Ele. 



As exigências de Deus apontam para a necessidade de uma mudança interior. Deus está atento para as intenções do nosso coração. Não se trata apenas da oferta em si, mas das motivações do coração. O exemplo de Caim deixa bem claro isso. Ao zangar-se por sua oferta não ter sido aceita, Deus lhe diz que se fizesse o que era certo, se mudasse a disposição de seu coração, haveria sim, aceitação (Gn 4.7a). Os olhos do Senhor estão voltados para as intenções do nosso coração muito mais do que as atitudes em si. Portanto, um culto prestado a Deus tem que partir de um coração agradecido e submisso. 

2 - Religiosidade - 1. 11

“De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR: Já estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais nédios, e não folgo com sangue de bezerros, e nem de bodes” (Is.1.11)

O que não estava agradando ao Senhor, é que o culto que estavam lhe prestando era apenas externo. Cumpriam apenas com os rituais religiosos, mas seus corações estavam longe do Senhor, pois continuavam tranquilamente, praticando o pecado. Julgavam que suas práticas religiosas estavam sendo aprovadas por Deus. Em relação a essa questão, Jesus, certa vez, se dirigindo aos fariseus os criticou dizendo: “Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito (Is 29.13) dizendo: “Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim; Mas em vão me adoram...” (Mt 15.8,9a). Faltava-lhes o amor a Deus. 

Em outra situação, Jesus agora dirigindo-se à Igreja de Éfeso, faz uma crítica: “Tenho, porém, contra ti que deixaste teu primeiro amor” (Ap 2.4). Sem amor, todo o trabalho na obra, não passa de ativismo religioso e práticas esvaziadas de conteúdo. Prestam um culto vazio, entoam cânticos que não chegam até Deus. Porém, um coração contrito e quebrantado, Deus não desprezará (Sl 51). Só há quebrantamento se houver arrependimento sincero. Arrependimento significa mudar de posição, portanto, sem arrependimento também não há quebrantamento. 

3 - Viraram as costas para Deus – 1.2b 

“Criei filhos e exaltei-os, mas eles prevaricaram contra mim. (Is.1.2b) 

Eles menosprezavam o concerto com Deus, absorviam todo tipo de influência das nações pagãs e mesmo assim, continuavam prestando culto a Deus. Ou seja, estavam enganando a si mesmos, porque “Deus não se deixa escarnecer” (Gl 6.10). A situação não é diferente nos dias de hoje. Há muitos crentes que no dizer popular, “vivem com um pé na Igreja e outro no mundo”. Não estão dispostos a nenhum sacrifício, não dão ouvidos à voz de Deus, seguem seus próprios instintos e cumprem apenas um ritualismo vazio e sem nenhum significado, apenas para cumprir com as aparências e ainda participam da Ceia, sem se dar conta da gravidade de seus atos. Deus não aceita esse tipo de culto. Por isso há tantas pessoas enfermas espiritualmente dentro das Igrejas (1Co 11.29,30). 

4 - Falta de conhecimento – 1.3

“O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, a manjedoura do seu dono, mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Is.1.3)

Os animais citados, são difíceis de serem domados por terem a natureza obstinada e difícil. Porém, apesar dessas características, sabem de onde provém o seu alimento, fonte de sua sobrevivência, e instintivamente retornam a seus donos. Mas o homem que é um ser dotado de inteligência, não reconhece a sua dependência de Deus e, por sua própria escolha decide se ausentar de Seus caminhos, negando-LhE o senhorio. E foi exatamente isso que aconteceu com o povo de Israel. Deus fizera tudo por eles, no entanto, ao invés de voltarem-se em gratidão para Ele e viverem segundo os seus estatutos, preferiram virar-lhE as costas e adotaram os costumes pagãos da época. E esta foi a razão do juízo que lhes sobreveio. 

Por agirem de forma contrária à Lei de Deus e buscarem a sua própria satisfação. Acabaram enveredando pelo caminho da perdição: "...O deus deles é o ventre, e a glória deles é para confusão deles mesmos" (Fp3.19). O texto de Oséias diz:“O meu povo perece por falta de conhecimento” (Os 4.6). A natureza rebelde do homem o faz crer que só precisa de si mesmo e suas decisões são baseadas no que sente, no que pensa e no que deseja apenas, sem considerar a vontade de Deus. Por desconhecer qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.2b), o homem acaba sempre em meio a situações de sofrimento e morte. Tudo isso poderia ser evitado se houvesse mais humildade para reconhecer que necessitamos das mãos de Deus para nos conduzir a lugar seguro. 

5 - Apostasia – 1.4b 

“Deixaram o SENHOR, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para trás”. (Is.1.4b)

Apostatar é abandonar a fé, trocando-a por outra. Neste caso, a bíblia diz: “se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele” (Hb 10.38). Assim como o povo de Israel, há muitos crentes que abandonam a verdadeira fé e se deixam contaminar por heresias, por falsas doutrinas que estão em conexão com as coisas do mundo e que, portanto, atende aos interesses de muitos. Mas a Palavra de Deus nos ensina que aquele que amar o mundo se faz inimigo de Deus (Tg 4.4), e que o amor de Deus não habita nele (I Jo 2.15). Abraçar uma doutrina que afronta os princípios divinos é blasfemar contra Deus e, certamente, é o mesmo que virar-lhE as costas.

II- Convite à Graça e Restauração – 1.18

Deus faz um convite: “Vinde, então, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.” (Is.1:18)

O carmesim era uma tinta vermelha, que de tão forte era impossível de ser removida das roupas. Muitos podem achar que as manchas de alguns pecados são permanentes, mas Deus está nos mostrando que irá remove-las de nossas vidas. Não há pecado que Deus não possa perdoar e não há vida que Ele não possa transformar. Graciosamente Ele faz um convite à restauração. João disse que “….o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado…”. (I Jo 1.7).Sim, o texto diz que Ele remove todas as manchas do pecado e nos torna tão “alvo como a neve”.

III - Convite à restauração. “Venha, vamos conversar...(arrazoemos)

A oração é o momento de conversar com Deus. Não podemos desperdiçar este privilégio tão maravilhoso. Desde que a humanidade pecou, perdeu a comunhão com Deus e deixou de conversar com Deus (Gn 3.8), mas em Cristo temos esta comunhão restaurada e hoje nós temos livre acesso ao Pai através dEle. Podemos conversar com Deus e termos a certeza de sermos ouvidos. 

IV – Promessa – “Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra" - 1.19

Esta promessa é condicional não somente a escolha como também a obediência. Deus tem sempre o melhor para os seus filhos: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera...” (Ef 3.20). Se tomarmos a decisão de servirmos ao Senhor e dermos ouvidos ao que Ele tem a nos dizer, ou seja, se formos obedientes receberemos o melhor desta terra. 

Disse Moisés ao povo que se ouvissem a voz do Senhor e guardassem todos os seus mandamentos, o Senhor os exaltaria sobre todas as nações da terra (Dt 28.1) e suas bênçãos seria obre seus celeiros e em tudo o que pusessem as mãos (v 8). Vida e morte, bênção e maldição foram (Dt 30.19) foram colocadas diante do povo. E essa é a mesma proposta que nos é feita hoje. A escolha é livre, mas a colheita é compulsória. 

Conclusão

Deus tem o melhor para nossas vidas, mas requer de nós um compromisso, uma posição firme diante dEle. Se, nós escolhermos o caminho da obediência, seremos abençoados em todas as áreas de nossas vidas. Entretanto, se trilharmos o caminho da rebeldia, seremos alcançados pela justiça e nos sobrevirão dias difíceis. Não há meio termo. Ou somos o povo de Deus ou somos um povo contra Deus. Que possamos refletir sobre esse assunto e nos posicionarmos diante de Deus. Hoje é dia de concerto. Não perca essa oportunidade.

Sonia Oliveira

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