terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Asafe: O Perigo de Perder o Foco

Quanto a mim, os  meus pés quase que se desviaram, pouco faltou para que escorregassem os meus passos.” (Sl 73.2)

Introdução

Este Salmo trata de um problema que inquieta muita gente porque, embora Deus seja soberano e justo, o que se percebe, na maioria das vezes, é que os ímpios geralmente prosperam (vv 3-12), enquanto quem serve a Deus parece levar uma vida mais difícil e com poucas regalias (vv 13,14). Esse também era o entendimento de Asafe e por não compreender essas coisas, quase apostatou na fé (v 2). Porém, ao abrir seu coração a Deus, o Senhor o restaura e o faz entender o fim trágico dos ímpios e a alegria das bênçãos vindouras para os que perseveram na fé.

I – As Ameaças que Comprometem a Vida do Crente

Podemos extrair alguns ensinamentos neste texto que nos adverte quanto aos perigos que ameaçam a nossa vida espiritual e comprometem os planos de Deus em nossas vidas

     a)  Murmuração – Nm 14.1-4; 11,12

Tomando como pano de fundo a história narrada em Números, vemos um Deus amoroso e zeloso para com seu povo, que os havia tirado da escravidão e os estava conduzindo a Terra Prometida, terra que mana leite e mel. Durante a travessia, Deus cuida de seu povo nos mínimos detalhes, porém, não obstante a esses cuidados, o povo murmura e ameaça retroceder. Vendo tais atitudes, Deus não se agradou e decidiu puni-los.  

A Bíblia diz que os planos de Deus são sempre maiores do que os nossos: “os meus pensamentos são mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55.9b). Não podemos sequer imaginar a grandeza do que Deus tem preparado para os que Ele ama e tem como filhos. Porém, somos imaturos e inconsequentes e por não compreendermos e nem tampouco aceitarmos a disciplina necessária para o nosso crescimento durante a caminhada, às vezes murmuramos, da mesma forma que o fez o povo de Israel. Com essa atitude infantil, só retardamos as nossas bênçãos.

Asafe também desviou seu olhar para observar o que acontecia à sua volta. Analisou a vida dura que levava, mesmo servindo e sendo fiel a Deus e  teceu comparações quanto a aparente prosperidade do ímpio que vivia sem temor e mesmo assim, pareciam tão felizes, usufruindo de uma vida abastada e tranquila e isso o fez experimentar uma certa  inveja. Começou a se sentir injustiçado e a tristeza entrou em seu coração a tal ponto, que ele mesmo diz que quase retrocedeu na fé (v 2).

     b)  Desânimo – Js 1.5b

O olhar sob a perspectiva de derrota que Asafe teve o levou a desanimar. O desânimo é um grande vilão na vida do crente porque neutraliza as suas forças e o faz estacionar ou até mesmo paralisar sua caminhada na fé. O desânimo pode surgir também, quando nos sentimos impotentes diante de uma situação da qual não podemos humanamente falando, mudar ou realizar. Esse foi o caso que Josué enfrentou quando teve que assumir responsabilidades que aos seus olhos pareciam maiores do que poderia suportar. Moisés havia morrido e ele teria que sucedê-lo porque esta era a vontade do Senhor. Embora durante muito tempo estivesse na retaguarda ajudando Moisés, não se sentia apto para a liderança que lhe fora agora,  confiada.

Porém, quando Deus escolhe alguém para uma tarefa, Ele é quem capacita e quem sustenta. Vendo a angústia de seu servo disse-lhe apenas: “esforça-te e tenha bom ânimo”(Js 1.6a). Ou seja, o que o Senhor estava lhe dizendo, em outras palavras, era para que ele não olhasse para o tamanho do problema e sim para o tamanho do Deus a quem servia. Competia-lhe apenas fazer a sua parte, porque Deus é quem estava na direção daquele negócio. E para tirar o peso que sentia sobre os ombros, disse-lhe: “como fui com Moisés, assim serei contigo. Não te deixarei nem te desampararei” (Js 1.5b).

O que isso nos ensina, que quando Deus chama alguém para uma tarefa, Ele o capacita e o sustenta. Mas há coisas que compete ao homem fazer, por isso Deus disse: “esforça-te”. Deus tem projetos grandes para realizar nas nossas vidas. Mas, a garantia de que Deus está conosco não nos isenta das nossas responsabilidades e tampouco, das lutas e das adversidades. Jesus mesmo disse: “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33).

Em Cristo e com Cristo, somos mais do que vencedores (Rm 8.37). Precisamos estar preparados para o enfrentamento das mais diferentes situações que haveremos de enfrentar em nossa caminhada e no exercício da nossa missão, na certeza de a vitória é certa, porque,  maior é o que está conosco (2Rs 6.16) e é Ele quem está à nossa frente pelejando pela nossa causa.

    c)  A Apostasia –v 2
A Bíblia diz que Deus corrige a quem Ele ama e a quem tem como filho (Hb 12.6). Portanto, as adversidades são na verdade, a disciplina a qual somos submetidos com o propósito de sermos aperfeiçoados para a boa obra. Se a nossa edificação espiritual estiver alicerçada na Palavra de Deus, pode vir a luta que vier, nós resistiremos e permaneceremos em pé, porque Jesus é a nossa Rocha inabalável. O apóstolo Paulo disse: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou  a espada ?” (Rm 8.35). E ele conclui dizendo: “Por amor de ti somos entregues à morte todos os dias: formos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas, somos mais do que vencedores por aquele que nos amou” (Rm 8.36,37).
As adversidades são também, utilizadas por Deus como ferramentas para nos capacitar para a obra que Ele tem a realizar em nossas vidas: “Há um tempo determinado para todas as coisas” (Ec 3.1). Há um tempo preparação para o exercício eficaz de toda chamada na obra de Deus. Vemos na trajetória da história de José, ele trabalhando como copeiro, como mordomo, antes de ser colocado como governador do Egito. Precisou aprender a administrar coisas pequenas para depois administrar coisas grandes.
Davi, depois ter sido  ungido, passou por um longo período de preparação. Cerca de dez anos passou fugindo das investidas insanas de Saul e, durante esse período, teve que desenvolver certas habilidades. Aprendeu a liderar um exército de seiscentos homens, teve que aprender estratégias militares de ataque e defesa, assim como também, de liderança e dependência de Deus. Quando assumiu o reinado, estava preparado e foi um grande líder de seu povo.
Asafe, no entanto, não conseguiu compreender as adversidades sob a perspectiva de aprendizado e nem entendeu os propósitos de Deus em sua vida e por isso quase apostatou. Ele confessa: “quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram...” (v 2). Apostatar, significa perder a fé, desviar-se do caminho. Esse é um grande perigo na vida do crente, olhar para os lados, desviar a atenção do que realmente interessa. A nossa esperança está em Cristo. Ele é o autor e consumador da nossa fé. O apóstolo Paulo fala sobre a esperança dos que esperam em Cristo quando diz: “tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8.18). Sabemos o futuro que nos aguarda e isso nos traz consolo e nos dá esperança.  Vale a pena perseverar.
    
    d)    A Inveja – v 3

Asafe reconhece que, perdeu o foco, perdeu a visão espiritual ao tecer comparações em relação a sua vida e a vida daqueles que, aparentemente, são felizes, e confessa ainda ter sentido inveja deles (v 3), mesmo sabendo que não tinham o menor temor a Deus. O livro de Provérbio nos ensina: “não tenha o teu coração inveja dos pecadores, antes, sê no temor do Senhor todos os dias” (Pv 23.17). E esse é um outro grande perigo na vida do crente, a inveja. Esse sentimento é corrosivo e provoca abalos emocionais terríveis, conduzindo a pessoa ao desânimo e a prostração. O nosso alvo é Cristo, não podemos olhar nem para direita nem para esquerda, mas permanecer firmes no Senhor.
  
II -  O Deus que Restaura – vv 16-18

Asafe estava profundamente perturbado com a situação que se lhe apresentava diante dos olhos (v 16), não conseguindo compreendê-las, foi prostrar-se diante de Deus em busca de resposta (v 17). Deus lhe fez entender sob a perspectiva da eternidade, qual seria o fim dos que não temem ao Senhor. Ele compreende e o que era antes, motivo de tristeza, agora lhe traz paz e alegria ao coração. O salmista por fim, conclui que embora sendo fraco, Deus é quem o fortalecia e o sustentava (v 26) e experimenta a verdadeira alegria daqueles que servem ao Senhor, sabendo da urgente necessidade de anunciar todas as suas obras (v 28) a fim de alcançar todos os que ainda estão perdidos. Finaliza dizendo: “eu todavia, estou de contínuo contigo...” (v 23). Ou seja, afirma que permaneceria firme, na presença do Senhor mesmo em meio a luta.Ele entende e que as coisas deste mundo são transitórias e de nada adianta ajuntar tesouros aqui na terra (Mt 6.19). Mais vale agregar valores que são eternos.  
Conclusão

Quando interpretamos equivocadamente uma situação, podemos sofrer grandes abalos emocionais e isso pode trazer grandes prejuízos para a nossa vida espiritual, conforme vimos no texto. O Apóstolo Paulo em sua Carta aos Filipenses diz: “Não andeis inquietos por coisa alguma, antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas “ (Fp 4.6). Precisamos colocar nas mãos de Deus todas as nossas ansiedades e descansar o nosso coração. Deus é soberano e, embora nem sempre as coisas façam sentido para nós, precisamos aprender a confiar, sabedores que o que Ele tem para nossas vidas é infinitamente maior e melhor do que possamos dimensionar. E as suas promessas para nossas vidas vão se cumprir e nada poderá impedir.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Naamã - O Mergulho na Graça de Deus

Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era grande homem diante do seu senhor e de muito conceito, porque por ele o SENHOR dera vitória à Síria; era ele herói da guerra, porém leproso” (II Reis 5.1).

Introdução

A história de Naamã demonstra a providência de Deus (vv 1-14), seu poder e sua graça redentora (vv 15-19). A narrativa do texto nos leva a compreender que a graça salvadora de Deus não se limitava apenas a Israel, mas se estendia a todos os outros povos, pois Ele não faz acepção de pessoas (At 10.34). Deus é misericordioso e a sua compaixão alcança os perdidos para que esses possam conhece-lo e reconhece-lo como o único Deus verdadeiro (Lc 4.18,19; 25-27).

As Características de Naamã

Já no primeiro versículo do texto há a referência de quem é Naamã, um homem honrado, vitorioso, poderoso, comandante do exército do rei da Síria, muito conceituado diante do seu senhor por suas conquistas militares. Entretanto, o versículo encerra com um, “porém leproso”. Esse, porém, dá a entender que, a lepra suplantava todas as características mencionadas anteriormente, ou seja, tornando-as sem importância nenhuma.

A Lepra de Naamã

A lepra é uma doença bacteriana que ataca o sistema nervoso, o que faz com que a pessoa perca a sensibilidade, sobretudo no que diz respeito a dor. Em casos mais graves, ocorre gangrena, provocando mutilações em partes do corpo. Hoje há tratamento para essa doença, mas na época de Naamã, não havia. As pessoas eram segregadas do seio da família e da sociedade para uma vida sem esperança até a morte chegar.  Naamã, era talvez, um homem invejado por muitos, mas ninguém, exceto sua família sabiam o drama que se escondia por detrás da sua farda.

O Pecado, doença letal

Fazendo uma analogia, a lepra se assemelha ao pecado. O pecado deforma a alma, faz separação entre Deus e o homem (Is 59.2) e conduz à morte (Rm 6.23). O pecado oferece uma vida de ilusão, de aparente sucesso, mas esconde a solidão, a tristeza e a vergonha. Naamã podia usar um traje elegante e ocultar sua enfermidade, mas na sua intimidade ele tinha que conviver com o seu problema, tinha que se submeter a uma vida de reclusão, longe da esposa, talvez dos filhos, não se sabe.

Quantas pessoas vivem entregues a uma vida de aparência no trabalho, na sociedade, mas quando chegam em casa, as máscaras caem porque não tem como negar o que se é diante daqueles que nos conhecem na intimidade e então, no recôndito do lar, as grandes tragédias se desenrolam e famílias são assoladas pelo sofrimento que as conduz a destruição.

A Misericórdia de Deus

O Salmo 139 fala que Deus sabe tudo a nosso respeito e não há como fugir do seu olhar. Ele nos conhece na intimidade, sonda e conhece todos os nossos caminhos, conhece nossos pensamentos e, antes mesmo que as palavras saiam da nossa boca, Ele já as sabe. Ele é um Deus Transcendente, criador dos Céus e da Terra, e de todas as coisas que há. Mas é também um Deus imanente, que se relaciona conosco, que se compadece dos nossos sofrimentos e que nos ajuda.

Deus, tinha um projeto na vida de Naamã que nem ele mesmo imaginava. Ele era admirado e respeitado por todos por ter concedido tantos livramentos à Síria através das suas atividades militares, mas não sabia que era o SENHOR que lhe concedia as vitórias. Deus o havia escolhido e as circunstâncias que se seguiram serviram para atraí-lo para si mesmo. Estava tudo indo bem, Naamã sequer tencionava mudar sua vida, mas foi obrigado a fazê-lo, mudando a rota do seu destino para ir ao encontro com Deus porque assim as circunstâncias o impulsionaram.
  
Quantas vezes também, somos conduzidos a Deus mediante o sofrimento? Talvez esse seja o remédio amargo que ninguém deseja experimentar, mas que nos conduz a presença de quem pode nos conceder a cura. O pecado é uma doença que traz deformidade a nossa alma e só o Senhor tem poder para nos libertar desse mal, nos perdoando e nos restaurando.

Muitas pessoas se acham autossuficientes e acreditam que não precisam de Deus para nada. E quando submetidas ao sofrimento elas passam a reavaliar a sua própria condição e, não raras vezes, reconhecem o poder de Deus e a sua dependência dEle.

Nabucodonosor (Dn 4:29-37), era também um homem que atribuía a si mesmo todas as conquistas e mal sabia ele que era Deus quem lhe concedia todos os benefícios porque havia um propósito divino para que isso acontecesse. Mas quando a sua soberba chegou ao extremo, Deus deu um basta e num piscar de olhos o conduziu a uma situação de extrema humilhação, onde passou a viver acometido de licantropia, porque “a soberba procede a ruína” (Pv 16.18). Permaneceu nessas condições o tempo necessário para que pudesse então compreender a sua insignificância e reconhecer a soberania de Deus, atribuindo-lhe a glória que lhe é devida.

Naamã foi conduzido à presença de Deus mediante a situações adversas. Mas Deus estava no controle e todas as coisas contribuíram para que os planos de Deus se cumprissem na sua vida, conforme disse Jó “bem sei que tudo podes e nenhum de seus planos podem ser frustrados” (Jó 42.2).

Testemunho de uma jovem muda a história de Naamã – v 3

Havia uma jovenzinha na casa de Naamã que fora trazida de Israel como escrava pelas tropas Síria e que agora prestava serviço para sua esposa em sua residência. Nada se sabe sobre essa moça, exceto o que está descrito nos versos 2 e 3 do Capítulo 5. Embora ela estivesse ali naquele lugar em condição servil, longe de sua casa, de sua família, ela não endureceu seu coração, muito pelo contrário, vendo o sofrimento daquele homem, se compadeceu e mostrou que havia uma solução para o caso. Anunciou que havia em Israel um Deus que operava através de um profeta. Pelo seu testemunho, tornou-se um instrumento de salvação para aquele homem. (vv 14,15).

Disse ela à sua senhora: Tomara que, o meu senhor, estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra” (v 3).

Talvez essa menina não entendesse os motivos de Deus ter permitido que ela estivesse naquele lugar e naquela condição em que se encontrava. Mas não perdeu tempo murmurando. Certamente desempenhava bem o seu papel, tanto que ganhou a confiança de sua senhora a ponto de ter com ela a liberdade de falar sobre um caso tão delicado que afligia a família.

Quem sabe você também esteja vivenciando algo semelhante e não esteja entendendo o porquê disso tudo. Talvez você esteja em um ambiente hostil e as condições não lhe sejam favoráveis e isso lhe tem entristecido o coração a ponto de você estar pedindo pra Deus tirar você desse lugar.  Porém, se há um propósito de Deus para você ser um instrumento de salvação na vida de alguém, pode ser que você tenha que continuar aí por mais algum tempo. Aproveite para orar por aqueles que precisam ser alcançados pela graça de Deus. Você pode ser a única esperança para eles. 

Deus não impediu que Daniel fosse colocado na cova com os leões, mas deu-lhe um grande livramento e utilizou-se dessa circunstância para que seu nome fosse glorificado.

Naamã Tomou Posse da Vitória – v 4

Tão logo tomou conhecimento do que a menina havia falado, Naamã dirigiu-se ao rei colocando-o a par de tudo (v 4). Em seguida, o rei entregou-lhe uma carta de recomendação e mandou que entregasse ao rei de Israel. Mais do que depressa Naamã saiu, levando consigo cerca de trezentos e cinquenta quilos de prata e aproximadamente, setenta quilos de ouro, além de peças de roupas finas (vv 5,6).

Direção Errada – vv 6,7

A carta que o rei havia entregue a Naamã o direcionava a buscar o socorro do rei de Israel, cujo teor dizia: “Logo em chegando a ti esta carta, saberás que te enviei Naamã, meu servo, para que o cure da lepra’ (v 6). Após ler o conteúdo da carta, o rei de Israel em sinal de protesto, rasgou suas vestes e disse: “Acaso sou Deus com poder de tirar a vida ou dá-la para que este envie a mim um homem para eu curá-lo de sua lepra? ” (v 7).

Naamã bem sabia que este não era o caminho que deveria percorrer pois ouviu da menina sobre o profeta de Israel, no entanto, deixou-se conduzir por outro homem, no caso, o rei, que desconhecia por completo as coisas de Deus e agiu segundo o seu próprio entendimento. Seguindo suas orientações, Naamã apenas conseguiu retardar suas bênçãos, desviando-se do caminho que deveria seguir.

Temos que tomar cuidado com os direcionamentos errados que tomamos e que apenas nos faz desperdiçar tempo desnecessário prolongando o sofrimento. O próprio rei de Israel admitiu que não poderia fazer nada para ajudá-lo, naquele caso. Tem coisas que não compete ao homem resolver, só Deus. Não adianta bater em portas erradas, melhor é encurtar o caminho e ir direto a Ele.

Os Caminhos da Cura da Alma – v 8

Ao tomar conhecimento do que estava acontecendo, o profeta Elizeu disse ao rei para que conduzisse aquele homem para si para que soubesse que verdadeiramente havia profeta em Israel (v 8). Naamã então seguiu em direção a casa de Eliseu. Deus poderia muito bem curá-lo sem que houvesse necessidade de ele sair de sua terra natal e do conforto de seu lar, nas condições que se encontrava. Mas havia um propósito para ele ter que ir até aquele local.

A esperança de obter a cura era o combustível que o movimentava em direção ao homem de Deus. Mas Deus não queria apenas lhe conceder a cura do corpo, mas da alma, e isso requeria algumas renúncias, alguns sacrifícios. Muitas pessoas buscam a Deus apenas para obter algum benefício, mas tão logo os recebe, vão-se embora e nunca mais voltam, nem para agradecer ou testemunhar. Mas aqueles que reconhecem os seus feitos e o glorificam, esses recebem muito mais do que vieram buscar.

Mergulhando na Graça de Deus – v 10

Ao chegar na casa de Elizeu, talvez Naamã tenha imaginado que seria recebido com honras conforme era comum em seu país. Porém o profeta sequer veio ao seu encontro, mandou um mensageiro ir até ele dizendo: “Vai, lava-te sete vezes no Jordão e a tua carne será restaurada e ficarás limpo” (v 10b).  Mediante aquela situação, Naamã se indignou profundamente, pois sentiu-se humilhado, afinal, atribuía a si mesmo um alto conceito devido a posição que ocupava. “Quem afinal era aquele homem que se atrevia a tratá-lo com tamanha indiferença? ” - Talvez tenha pensado isso naquela hora.

Ele pensava que, como homem de Deus Eliseu deveria vir-lhe ao encontro, impor-lhe as mãos sobre as feridas, e pedir ao Senhor que o curasse (v. 11) e tudo ficaria resolvido. Mas não foi assim que sucedeu.  Deus age como Ele quer. E tem coisas que para nós, parecem loucas, mas que tem um propósito do qual não sabemos avaliar.

Naamã era um homem extremamente orgulhoso e precisava entender que estava diante do Senhor dos senhores e que precisava se humilhar diante dEle. O Rio Jordão não possuía poder curador, bem sabia, aliás, suas águas eram bem sujas, podendo até comprometer ainda mais a sua saúde física. Profundamente indignado, bradou em alta voz dizendo que se tivesse que mergulhar em um rio para ser curado, que na sua terra natal havia rios bem mais limpos para fazê-lo. Virou as costas indignado e fez menção de ir embora (v 12).

Porém, os seus oficiais vieram a ele e o fizeram reconsiderar sua atitude pois vieram até ali por um bom motivo. Se o profeta lhe dissesse para fazer qualquer outra coisa, por mais difícil que fosse, certamente o faria, e por que não, mergulhar no Jordão, conforme lhe havia dito? Certamente havia um bom motivo para que o profeta agisse de tal maneira, disseram seus homens (v 13).

O Caminho da Restauração Passa Pela Obediência – v 14

Considerou então, Naamã, sua atitude e decidiu obedecer. Entrou no rio e mergulhou sete vezes, conforme a palavra do profeta e então emergiu curado (v 14). Era necessário que assim sucedesse para que Naamã não atribuísse a ninguém a não ser ao poder de Deus a cura recebida, mediante a autoridade conferida ao homem de Deus, cujas palavras foram proferidas. Naamã era um homem altivo e, apesar da podridão da sua carne devido a lepra, ainda assim, mantinha a pose. Mergulhar nas águas turvas do Jordão, representava um gesto de humilhação e obediência. Ele decidiu obedecer, apesar de não compreender e foi curado.

A Restauração Conduz a Glorificação a Deus – vv 15; 17

Após as bênçãos recebidas, Naamã retorna a casa do homem de Deus para agradecer e reconhecer que, verdadeiramente não havia em outro lugar um Deus como o Deus de Israel (v 15). Pediu-lhe, antes de ir embora, um punhado de terra para levar consigo dizendo: “porque nunca mais oferecerá este teu servo holocausto nem sacrifício a outros deuses, senão ao SENHOR” (v 17). Naamã verdadeiramente entrega o seu coração ao Senhor rendendo-se a Ele em adoração, agora considerando-se apenas um servo.  Neste caso, a cura foi total, a restauração foi completa. A lepra da alma fora curada.

A Adoração Verdadeira Procede do Coração Quebrantado -v 18

Naamã volta agora para a sua vida normal, para os seus afazeres e, já prevendo que no seu país tinha que cumprir algumas obrigações que contrariavam agora seus princípios, de antemão, pede perdão a Deus. Era costume ele acompanhar o seu rei ao templo onde ali adoravam ao deus Rimom. Como um simples funcionário, não poderia deixar de acompanhar seu superior, mas de antemão alega que mesmo que tivesse que adentrar naquele templo e se curvar para ajudar seu senhor, ainda assim, seu coração não mais estaria naquele lugar pois já o seu coração havia sido ocupado pelo único e verdadeiro Deus a quem conheceu em Israel (v 18).

Bíblia diz que: “onde estiver o teu tesouro, ali estará o seu coração” (Mt 6.21). No mundo secular, no trabalho, na faculdade, muitas vezes temos que conviver com pessoas idólatras, e não raras vezes somos envolvidos em eventos pagãos que se tornaram práticas culturais. Mas em todas essas coisas, devemos guardar nosso coração onde habita o verdadeiro tesouro em vaso de barro (II Co 4.7). Somos imperfeitos e falhos, mas não devemos perder a essência da adoração jamais.

Conclusão

A história de Naamã nos ensina grandes coisas. Mas sobretudo, nos leva a considerar a nossa condição de pecador e o quanto necessitamos da graça de Deus para sermos purificados e restaurados.  Naamã era um homem escolhido por Deus, no entanto, estava no caminho do engano, da idolatria. Mas Deus o atraiu para si de uma maneira fantástica. 

Naamã precisou enxergar em si mesmo suas deformidades para reconhecer que precisava de cura.  O orgulho cegava-lhe o entendimento e obscurecia-lhe a visão, mas Deus o conduziu, mediante as circunstâncias a sua presença para que ele soubesse que havia um único Deus e Senhor o qual poderia restaurar-lhe por completo.  Ele teve que descer nas profundezas do lodo de sua alma para emergir curado. Teve que reconhecer a grandeza e o poder de Deus, rendendo-se por completo a Ele.